Orquídeas pela frente

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

De uns meses para cá, tenho conhecido pessoas apaixonadas por flores e como sabem que também amo vida saudável, imersa em qualidade de vida, longe dos grandes centros urbanos, mas escondida no refúgio de uma zona natural de vez em quando, me pediram para que eu escrevesse sobre orquídeas. Vivo numa região de restinga da Mata Atlântica próxima ao mar, temos muitos cactos, bromélias e orquídeas e não há desculpas para caminhar com  quem entende do assunto e quando o tempo está bom, evitando-se aglomerações, as possibilidades se multiplicam.

As orquídeas engrandeceram a vida tal qual uma arte. Diferente das outras plantas, cada detalhe de sua vida, desde quando começa a germinar, passando pelo ciclo da frutificação foi cuidadosamente calculado, com tanta perfeição aproveitou-se das melhores condições da vida em comunidade, buscando os benefícios proporcionados pelos seus vizinhos, as vezes de forma sorrateira, ela se vincula totalmente à comunidade, sendo quase uma atitude de parasitismo para com o meio. É por esse motivo que as orquídeas são plantas de profunda sensibilidade a qualquer coisa que cause alteração ao equilíbrio em que vivem.

Existem vários tipos de ocasiões que se associam ao conceito de orquídea de tal forma que passa a influenciar no tratamento todo especial dedicado à estas plantas. O resultado disso é que poucas flores conseguiram, aos nossos olhos, adquirir tanta beleza e complexidade como as orquídeas, e esta característica não está restrita à somente algumas, mas se multiplicam em milhares de espécies desta planta. Para quem não sabe, as orquídeas são a maior família de plantas.

Estima-se, timidamente, que o número de espécies de orquídeas chegam à 35.000 espécies de diferentes formas e tamanhos, desde as que são do tamanho de um alfinete até aquelas que chegam a 4 metros de altura.

Atraentes e exóticas, as orquídeas são todas as plantas da família Orchidaceae, pertencente à ordem Asparagales, são plantas epífitas que vivem nas árvores das matas, necessitando da umidade para sobreviver, assim, elas se nutrem de  materiais orgânicos depositados no tronco.

Se você gostar de plantas, amar o cultivo da terra e desejar cuidar de orquídeas, você será um Orquidófilo e tal qual uma vocação que você descobre, poderá produzir comercialmente as orquídeas. Mas para isso, é imprescindível cuidar dessas fotogênicas plantas observando as estações do ano, buscando sempre utilizar um substrato,  para que elas prosperem na qualidade da capacidade de aeração e retenção de água e nutrientes, tenha um pH adequado, além de uma base consistente para o suporte, proporcionando melhores condições para o crescimento e florescimento das plantas.

Na adubação orgânica quase sempre é utilizado o Bokashi, um farelo que é colocado na borda do vaso para que durante os cuidados botânicos de se regar a orquídea, certamente atue em seu papel de liberar nutrientes para a planta. A aplicação que se recomenda é de uma colher de chá uma vez ao mês.

Também é possível produzir esta adubação em casa. Basta usar na floração  a canela em pó. Este alimento de perfume e sabor sem igual, tem propriedades antissépticas e impede eventuais infecções. Além  destes produtos, também se utiliza torta de mamona, farinha de osso e farinha de peixe. A aplicação desses nutrientes  também é de uma colher de chá uma vez ao mês.

Jamais exponha suas orquídeas diretamente ao sol, pois o sol diretamente pode  conspirar contra elas, deixe-as sempre à meia sombra, na umidade, pois as orquídeas, assim como outras flores, são capazes de absorver nutrientes tanto pelas raízes quanto pelas folhas!

Orchids from the front

By Thais Oliveira

For a few months now, I have known people in love with flowers and as you know that I also love healthy life, immersed in quality of life, away from the big urban centers, but hidden in the refuge of a natural area from time to time, they asked me to I write about orchids. I live in a restinga region of the Atlantic Forest close to the sea, we have many cacti, bromeliads and orchids and there is no excuse to walk with those who understand the subject and when the weather is good, avoiding crowds, the possibilities are multiplied.

Unlike other plants, every detail of your life, from when it begins to germinate, through the fruiting cycle, was carefully calculated, so perfectly it took advantage of the best conditions of community life, seeking the benefits provided by its neighbors, sometimes in a sneaky way, it is totally linked to the community, being almost an attitude of parasitism towards the environment. It is for this reason that orchids are plants with a deep sensitivity to anything that changes the balance in which they live.

There are several types of occasions that are associated with the concept of orchid in such a way that it starts to influence the special treatment dedicated to these plants. The result of this is that few flowers have managed, in our eyes, to acquire as much beauty and complexity as orchids, and this characteristic is not restricted to just a few, but multiply in thousands of species of this plant. For those who don’t know, orchids are the largest family of plants.

It is timidly estimated that the number of species of orchids reaches 35,000 species of different shapes and sizes, from those that are the size of a pin to those that reach 4 meters in height.

Attractive and exotic, orchids are all plants of the Orchidaceae family, belonging to the order Asparagales, they are epiphytic plants that live in the trees of the forests, needing moisture to survive, thus, they feed on organic materials deposited on the trunk.

If you like plants, love the cultivation of the land and want to care for orchids, you will be an Orchidist and just like a vocation you discover, you will be able to produce orchids commercially. But for this, it is essential to take care of these photogenic plants observing the seasons, always trying to use a substrate, so that they thrive in the quality of the aeration capacity and retention of water and nutrients, have an adequate pH, in addition to a consistent base for the support, providing better conditions for the growth and flowering of the plants.

In organic fertilization, Bokashi is almost always used, a bran that is placed on the edge of the pot so that during the botanical care of watering the orchid, it certainly acts in its role of releasing nutrients for the plant. The recommended application is one teaspoon once a month.

It is also possible to produce this fertilizer at home. Just use cinnamon powder when flowering. This unique perfume and flavor food has antiseptic properties and prevents any infections. In addition to these products, castor beans, bone meal and fish meal are also used. The application of these nutrients is also a teaspoon once a month.

Never expose your orchids directly to the sun, as the sun can directly conspire against them, always leave them in half shade, in the humidity, as orchids, like other flowers, are able to absorb nutrients from both the roots and the leaves!

Cultura e Identidade

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@thaisrocholi

 

Por Thais Oliveira

Embora a utilização do termo “cultura” no sentido figurado tenha se dado no início do século XVIII, sendo mais frequentemente usado, primeiramente acompanhado de outros termos como “cultura das artes”, “cultura das letras”, “cultura das ciências”, colocando em evidência  a coisa que estava sendo cultivada,  depois passou-se  a dar o significado de “formar” e  “educar”  o espírito. Com o passar do tempo houve um movimento inverso em que o significado de “cultura” deixa de ser  ação (ação de instruir) e passa a ser estado de espírito cultivado pela instrução.

Se formos analisar o livro “Ideologia e Cultura Moderna” do sociólogo americano John Thompson, no início do século XIX, a palavra “cultura” era considerada um sinônimo ou em outras vezes estava em contraste com “civilização”, termo adotado na França e na Inglaterra no fim do século XVIII que caracterizava o desenvolvimento humano, um movimento em direção ao refinamento e à ordem, oposto à barbárie e à selvageria.

Há quem pense que nasceu com a cultura, mas não se nasce com a cultura, embora dependa da capacidade natural do ser humano. Tudo o que sei sobre cultura foi lendo livros de sociologia, antropologia e literatura, maioria também da cultura que procuro adquirir através de pessoas simplesmente incomuns com quem me identifico para compor minhas relações sociais.  Pessoas otimistas e carismáticas que sempre me dão forças para escrever um artigo como esse. Meu obrigada não é suficiente para expressar minha gratidão. Em geral, passo horas pesquisando e me nutrindo de música instrumental. Uma forma fácil de relaxar para produzir! A cultura é passada através da essência de uma herança social.

Se vive e se convive com a cultura,  que através da imersão pode ser imitada. Tudo o que adquirimos de uma cultura não vem apenas do mundo exterior à nossa volta, mas de tudo o que internalizamos.

A cultura é um desenvolvimento gradativo que enobrece as faculdades humanas, são os resíduos que ficam de tudo o que aprendemos e esquecemos com o passar do tempo. Todo  intelectual que manifesta sua cultura possui traços como a sinceridade, a profundidade e a espiritualidade.

Logo, a cultura se manifesta na vida das pessoas de forma consciente, mas completamente subliminar.

E nesse enraizamento estão os conhecimentos, internalização de valores morais, éticos, estéticos, seu papel na sociedade, suas atividades etc.

Recapitulando, a cultura está dentro e fora de nós. Isto não quer dizer que a cultura faça produção em série e que todo mundo num determinado lugar é igualzinho. Podemos pensar a linguagem como nossas formas particulares de falar, seja  o tom, a gravidade, a altura, o ânimo ou falta dele, as formas de gesticular quando se  fala,  o tipo de vocabulário etc. Mas essas características não são tão pessoais  que sejam absolutamente exclusivas  para que não sejamos compreendidos. O conjunto de hábitos culturais é o que nos aproxima de pessoas que pensam como nós.

A nossa maneira de enxergar o mundo está intrinsecamente ligada aquilo que chamamos de cultura; a cultura está fundamentada na possibilidade de simbolizar e de denotar sentido. Cada sociedade edifica e passa para as próximas gerações a visão de mundo em que se vive, nasce e morre.

Culture and Identity

By Thais Oliveira (Thais Rocholi)

Although the use of the term “culture” without figurative meaning was given in the early eighteenth century, it was most often used, followed by other terms such as “culture of the arts”, “culture of letters”, “culture of sciences”, showing in evidence of something being cultivated, then it came to give the meaning of “forming” and “educating” the spirit. Over time, there was a reverse movement in which the meaning of “culture” leaves action (instruction) and becomes a state of mind cultivated by instruction.

If we analyze the book “Ideology and Modern Culture” by the American sociologist John Thompson, in the early 19th century, the word “culture” was considered a synonym or at other times it was in contrast to “civilization” a term adopted in France and England at the end of the 18th century that characterized human development, a movement towards refinement and order, as opposed to barbarism and savagery.

There are those who think that they were born with culture, but are not born with culture, although it depends on the natural capacity of the human being. All I know about culture was reading books on sociology, anthropology and literature, most of which I try to acquire through simply unusual people with whom I identify to compose my social relationships. Optimistic and charismatic people who always give me the strength to write an article like this. My thanks is not enough to express my gratitude. I usually spend hours researching and nurturing myself on instrumental music. An easy way to relax to produce! Culture is passed through the essence of a social heritage.

One lives with culture, which through immersion can be imitated. Everything we acquire from a culture comes not only from the outside world around us, but from everything we internalize.

Culture is a gradual development that ennobles human faculties, culture is the remnant of all that we have learned and forgotten over time. Every intellectual who manifests his culture has traits such as sincerity, depth and spirituality.

Therefore, culture manifests itself in people’s lives consciously, but completely subliminally.

And in this rooting are knowledge, internalization of moral, ethical, aesthetic values, their role in society, their activities, etc.

To recap, culture is inside and outside of us. This does not mean that the culture does series production and that everyone in a given place is exactly the same. We can think of language as our particular ways of speaking, be it tone, gravity, height, mood or lack of it, ways of gesturing when speaking, the type of vocabulary, and so on. But these characteristics are not so personal that they are absolutely exclusive so that we are not understood. The set of cultural habits is what brings us closer to people who think like us.

Our way of looking at the world is intrinsically linked to what we call culture; culture is based on the possibility of symbolizing and denoting meaning. Each society builds and passes on to the next generations the worldview in which they live, are born and die.

Precisamos de música

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Queridos leitores, adoro misturar música aos meus textos. Meu caso de amor com a música começou no ensino fundamental, quando eu tinha 10 anos e fui apresentada à essa arte. Jazz e música clássica eram meus ritmos preferidos. Eu simplesmente adorava meu professor de música que era meu avô. Ele morou muitos anos em Portugal e também me estimulou a estudar espanhol. Foram 4 anos de aulas de música e espanhol, tinha ótimas notas e sonhava em me tornar professora. É só pensar em música que ouço jazz e música clássica em meus ouvidos. Meus textos acabam em canção.

Irei falar sobre um dos fenômenos culturais mais notáveis do século, o jazz. A tradição do jazz não consiste apenas em sons produzidos por uma determinada combinação de instrumentos tocados, mas por músicos brancos, negros, americanos ou não. Na verdade, sou uma entusiasta que ouve por hobby e paixão. É uma linguagem bastante exótica que expressa sensações que devem ser discutidas e levadas à sério. O jazz não apenas se desenvolveu como uma linguagem da música popular, mas como um tipo de arte sofisticada.

A voz do jazz é a voz comum, não educada e seus instrumentos são tocados como se fossem essas vozes. Uma tal aventura, onde  qualquer som emitido por um instrumento é legítimo e esse exercício pode fazer você querer escrever mais sobre a cultura. Interessante notar que King Oliver de um modo não muito amigável dos integrantes de sua banda só falava com eles através da corneta.

O jazz é  hoje o que os músicos individuais fizeram dele, nenhum mais importante do que  o outro, pois cada músico tem a sua voz própria. Há muitos bons trompetistas  que é quase impossível mencionar todos, mas de alguma forma devo citar alguns inovadores como Tommy Ladnier, Charles Shavers, Miles Davis e Bunny Berigan.

Para mim, a música foi o começo de um compromisso de vida inteira com o bem-estar físico e mental, o marco de minha apreciação com a boa música. Se eu falar para você que quase li ou quase me apaixonei ou quase ouvi, isso é o mesmo que dizer que não li, não me apaixonei e também não ouvi.

Diante do ritmo de vida moderna, buscamos o acerto com o objetivo sempre de ter sucesso, estamos sempre quase chegando lá, numa corrida rumo ao inalcançável, ao inatingível, num grande limbo de torpor. Assim, o equilíbrio deve ser cultivado gradualmente, não pode simplesmente ser uma imposição, muito longe disso, é um estado de alegria e presença.

O digital não apenas facilitou a produção e distribuição de música, mas também colocou vários desafios para o negócio, revolucionando  o acesso a qualquer gênero musical.

Então, vamos por partes, uma semana de cada vez, pois quando nos relacionamos com o ritmo espelhamos nossa relação com o mundo. Todos os empecilhos que colocamos em nossa vida são como espelhos de travas rítmicas, que nosso corpo e nossa mente devem superar com a música.

We need music

By Thais  Oliveira

Dear readers, I love mixing music with my texts. My love affair with music began in elementary school when I was 10 years old and introduced to this art. I simply adored my music teacher who was my grandfather. He lived in Portugal for many years and also encouraged me to study Spanish. I had 4 years of music and Spanish classes, had great grades and dreamed of becoming a teacher. Just think of music that I hear jazz and classical music in my ears. My texts end in song. I will talk about one of the most remarkable cultural phenomena of the century, jazz.

The jazz tradition consists not only of sounds produced by a particular combination of instruments played, but by white, black, American or otherwise musicians. Actually, I’m an enthusiast who listens for hobby and passion. It is a very exotic language that expresses sensations that must be discussed and taken seriously. Jazz has not only developed as a language of popular music, but as a kind of sophisticated art. The jazz voice is the ordinary, uneducated voice and its instruments are played as if they were those voices. Such an adventure where any sound made by an instrument is legitimate and this exercise may make you want to write more about the culture. Interestingly, King Oliver in a not very friendly way to his band members only spoke to them through the horn.

Jazz is today what individual musicians have made of it, neither more important than the other, as each musician has his own voice. There are many good trumpeters that it is almost impossible to mention all of them, but somehow I must name a few innovators like Tommy Ladnier, Charles Shavers, Miles Davis and Bunny Berigan.

For me, music was the beginning of a lifelong commitment to physical and mental well-being, the hallmark of my appreciation for good music. If I tell you that I almost read or almost fell in love or almost heard, that is to say that I did not read, did not fall in love, and I did not hear either.

Faced with the pace of modern life, we are always looking for success with the goal of success, we are almost there, in a race towards the unreachable, the unreachable with frustrations. So balance must be cultivated gradually, it cannot simply be an imposition, far from it, it is a state of joy and presence.

Digital not only made music production and distribution easier, but it also posed challenges for the business, revolutionizing access to any music genre.

So let’s go in pieces, one week at a time, because when we relate to the rhythm we mirror our relationship to the world. All the obstacles we put in our lives are like rhythmic lock mirrors that our body and mind must overcome with music.

O rio e seu segredo: a pianista que desafiou Mao

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Ler um livro  é, pelo menos, durante um tempo uma reviravolta no cultivo de uma nova forma de pensar, de enxergar e nesse caso, de se viver. Quanto mais queremos uma mudança, a tendência é que tudo se transforme!  Vivemos hoje num mundo bastante completo, mas muito superficial. Onde tempo é dinheiro e o tempo de atenção é curto! Mas, algumas ideias como essa que estou propondo aqui, precisa de alguns minutos para indicar para você uma ótima leitura de final de semana.

Sei que muitos  vem aqui atrás das minhas informações secretas, não é por esnobismo que venho falar de um livro de música clássica. Bem, é uma proposta com uma abordagem histórica e cultural. Se você busca por resiliência saiba que é diante da dor que é inaugurada toda potencialidade do significado da vida.

Há pessoas que ao vivenciarem acontecimentos gerados pela dor e padecimento comprovam que foi necessário buscar por forças para continuar vivendo e absolutamente aflorar para a vida. Muitos aspectos da vida dessas pessoas se analisados e investigados, revelam o que as impulsionaram para fora do sofrimento causando a transformação que as fizeram suportar o estresse  diante das circunstâncias adversas. Este é o fluxo da resiliência.

Uma das formas de auxiliar e potencializar o movimento de retorno à vida é a música. Mesmo quando vivemos circunstâncias adversas, nossa interpretação sobre o ocorrido pode ser transformada por meio da música.

Meu objetivo é falar sobre o livro de Zhu Xiao-Mei, um livro que expressa a coragem  da autora  em sua autobiografia publicado primeiramente em francês com o título: La Rivière et Son Secret, no inglês como The Secret Piano e em português traduzido para O Rio e seu Segredo, uma história longa, que causa dor e aflição ao ser passada durante o desatino do período maoísta da Revolução Cultural, que “demoniza” toda relação com a música ocidental, ditando o campo com uma reeducação nas fronteiras da Mongólia dentro do pensamento único do Pequeno Livro Vermelho.

Uma história impressionante que a fez seguir no percurso de uma autocrítica arrependida  contra sua família e seus professores,  passando pela redescoberta dos sons de um acordeão e o equilíbrio no universo de teclados, apesar da prisão de corpos e mentes.

Ela caminha respeitosamente no essencial da história, realizando uma reviravolta  que a fez renascer para a vida ao adquirir um piano de cauda, que escondeu dentro de um estábulo.  Esta pianista da atualidade nasceu em Shangai em 1949 e já aos oito anos de idade tocava na radio e televisão de Beijing  em Pequim quando aconteceu a Revolução Cultural. Ela  apresenta as dificuldades  que teve que enfrentar, desde o campo de reeducação, das reuniões de denúncia e autocrítica, e até as rápidas fugas durante a semana para tocar piano em um lugarejo próximo, afim de não levantar suspeitas.

Por fim, podemos pensar que a pianista chinesa tão simples na demonstração do tormento que passou em sua vida, também não deixou de sonhar mediante a escolha que fez para manifestar assim o símbolo da reconquista da arte e de sua liberdade!

Estou lendo pela segunda vez!! Se você deseja saber mais detalhes da vida desta pianista chinesa, só comprando no Amazon bem aqui… ao lado!!

The Secret Piano

By Thais Oliveira (Thais Rocholi)

Reading a book is, at least, for a time a turning point in the cultivation of a new way of thinking, of seeing and, in this case, of living. The more we want a change, the tendency is for everything to change! Today we live in a very complete, but very superficial world.

Where time is money and attention span is short! But, some ideas like the one I’m proposing here, needs a few minutes to indicate to you a great weekend reading.

I know that many come here after my secret information, it is not out of snobbery that I come to speak of a book of classical music. Well, it is a proposal with a historical and cultural approach. If you are looking for resilience know that it is in the face of pain that all potentiality of the meaning of life is inaugurated.

There are people who, when experiencing events generated by pain and suffering, prove that it was necessary to seek the strength to continue living and to absolutely outcrop for life.

One of the ways to assist and enhance the return to life movement is music. Even when we experience adverse circumstances, our interpretation about the facts can be transformed through music.

My goal is to talk about the book by Zhu Xiao-Mei, a book that expresses the courage of the author in her autobiography published first in French with the title: La Rivière et Son Secret, in English as The Secret Piano and in Portuguese translated into O Rio e seu Segredo, a long story, which causes pain and distress to be passed during the madness of the Maoist period of the Cultural Revolution, which “demonizes” all relations with Western music, dictating the countryside with a re-education on the borders of Mongolia within the unique thought of the Little Red Book.

An impressive story that led her to follow a path of regretful self-criticism against her family and her teachers, going through the rediscovery of the sounds of an accordion and the balance in the universe of keyboards, despite the imprisonment of bodies and minds.

She walks respectfully in the essentials of the story, making a turnaround that made her be reborn to life when she acquired a grand piano, which she hid inside a stable. This current pianist was born in Shanghai in 1949 and at the age of eight was playing on Beijing radio and television in Pequim when the Cultural Revolution took place. She presents the difficulties she had to face, from the re-education camp, to the denunciation and self-criticism meetings, and even the quick escapes during the week to play the piano in a nearby village, in order not to raise suspicions.

Finally, we can think that the Chinese pianist so simple in demonstrating the torment she experienced in her life, also did not stop dreaming through the choice she made to manifest the symbol of the reconquest of art and her freedom!

Minha câmera é a “minha droga”!

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Minha câmera é a “minha droga” sem efeitos colaterais, tem me feito viajar no bom humor, muito além disso, ela me leva para dentro de mim e me dá permissão para que eu divida com os outros o que eu sinto. Por sorte e bênção, tive uma infância marcada por amor e amizade, desde sempre gosto de capturar a alegria em fotos. O mais importante é procurar desenvolver a audição, a visão, o tato e apreciar toda a beleza e paixão da vida cotidiana.

É claro que se eu fosse optar por uma palavra que definisse o fotógrafo, seria: criar conexões. Estou interessada em criar vínculo com todas as pessoas que estão em minha vida. Com todas aquelas que já me visitaram em casa, que sentaram na varanda comigo, que me pediram opiniões sobre roupas, que me incentivaram a escrever, que me levaram para fotografar em viagens aventureiras de carro, que me deram dicas de livros para ler, que tiveram  o carinho de ler meus escritos e que ainda me ajudaram a escrevê-los melhor, com aquelas pessoas que me levaram para ver passarinhos me ajudando a identificar cada espécie… Todos têm essa conexão comigo e tenho plena certeza que encontrar novas formas de vê-las é encontrar novas formas de vivê-las.

Jamais me esquecerei que uma fotografia inesquecível é aquela que é capaz de reunir individualidade e prazer de dividir! Não é aquela que possui a melhor técnica, mas a que possui conexão mais íntima e profunda com o momento, de tal forma que o expectador a sinta!

My camera is “my drug”

By Thais Oliveira

My camera is “my drug” with no side effects, it has made me travel in a good mood, beyond that, it takes me inside me and gives me permission to share with others what I feel. By luck and blessing, I had a childhood marked by love and friendship, since I always like to capture the joy in photos. The most important thing is to seek to develop hearing, sight, touch and to appreciate all the beauty and passion of everyday life.

Of course, if I were to choose a word that defined the photographer, it would be: creating connections. I am interested in bonding with all the people in my life. With all those who have already visited me at home, who sat on the porch with me, who asked me for opinions on clothes, who encouraged me to write, who took me to photograph on adventurous car trips, who gave me tips on books to read, with those who had the affection to read my writings and who even helped me to write them better, with those people who took me to see birds helping me to identify each species … Everyone has this connection with me and I am pretty sure to find new ones. One way to see them is to find new ways to live them.

I will never forget that an unforgettable photograph is one that is capable of bringing together individuality and the pleasure of sharing! It is not the one that has the best technique, but the one that has the most intimate and deep connection with the moment, so that the viewer feels it!

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A era da pós-verdade

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Sejamos sinceros. As pessoas constantemente buscam argumentos para aquilo que acreditam, mas raramente conseguem se persuadir.

O tom da contemporaneidade é a dúvida que sempre gera desconfiança sobre se uma informação é verdade ou mentira. Inúmeras informações correm soltas todos os dias, algumas verdadeiras, bem embasadas em históricos concretos e outras tantas fantasiadas de verdade. De fato, há muitas polêmicas em torno das informações neste mundo em que as fake news ocupam o lugar dos reais acontecimentos. Há quem  repita o ditado popular, que contra fatos não há argumentos, desconfio de que isso  talvez não seja  verdade. Se você não concorda, saiba que os fatos, bem como as verdades, apontam para aquilo que é completamente aceito a todos de forma universal.

Para o nosso excedente de meros mortais, a verdade ao mesmo tempo em que é  produção da realidade intelectual também deve está desvinculada do juízo da alma, mas ligada à própria existência da realidade.  São Tomás de Aquino dá uma lição sobre as questões de existência, essência e verdade. Como tudo o mais, as coisas, aquilo que é real estão situadas mediante dois intelectos: o divino e o humano. E foi assim que São Tomás de Aquino retratou o que é verdadeiro, apenas quando há uma relação com estes intelectos.

São Tomás de Aquino escreveu também que a existência de Deus pode ser provada quando se deduz os movimentos, não precisamos investigar para saber que o que percebemos vai para a consciência através dos sentidos, logo há movimento no mundo. E tudo o que se move é movido  pelo poder de quem está na ação.

Ao se pensar na hierarquia de valores que encontramos nas coisas como a verdade,  a bondade, a  nobreza e outros valores,  sempre iremos considerar uma balança  sob a qual faremos o julgamento  para mais ou para menos.

No entanto, é bom ter em mente que os valores e as paixões estão sempre em jogo quando se procura dar uma explicação sobre a razão das ações sociais na era da pós-verdade, ao menos na maioria dos casos. Principalmente quando as pessoas amam os seus próprios valores e, como resultado, odeiam os valores opostos aos seus. Pode ser terrível a tendência em acreditar, sem maiores sacrifícios e esforço intelectual com base no discurso procurando alcançar os mesmos valores subentendidos.

No trabalho intelectual, como na vida estamos sempre em aprendizagem contínua. O grande desafio na era da pós-verdade é o fato de que, em grande parte dos casos, a verdade sempre prevalece! De fato, há muito bafafá concorrendo com a verdade diante de várias interpretações erradas, e, nesses casos, não há como resistir à força da verdade.

O que volta e meia acontece é que mediante aos poucos acontecimentos que marcam os fatos sendo percebidos como verdadeiros,  sabemos que nessa guerra entre os impérios retóricos, a história somente poderá ser narrada pelos vencedores. Num império de carnaval com verdades  fantasiadas, louco é o rei que se apresenta nu por engano!

Quando tudo é cultura, nada é cultura!

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Talvez seja mais importante ressaltar que quando numa cultura tudo tem um mesmo valor, quando todas as coisas são completamente culturais, por se ter a crença de que tudo tem serventia para determinados fins culturais, com certeza não tem serventia! De um modo pessoal, quando se busca fazer da cultura um apetrecho daquilo que se tornou um objetivo central de todas  as sociedades, é possível que haja tanto o desenvolvimento sustentável quanto, mais adequadamente, o chamado desenvolvimento humano.

É importante que se diferencie o que é cultura e o que é oposto à cultura, o que causa efeitos contraditórios àqueles pretendidos na cultura e com a cultura, obviamente. Há uma diferença que se deve colocar entre cultura e barbárie, naquilo que incentiva o desenvolvimento humano individual e não o contrário,  incentivando o processo social, e não aquilo que impossibilita, distorce e destrói.  Em toda história humana há rudimentos de cultura e rudimentos de barbárie, que não impreterivelmente entram num jogo dialético em que o resultado seja um imprevisível apanhado das duas, dando origem às consequências que podem gerar.

O carnaval, aqui no Brasil, é representado simbolicamente pela “mulata” (nua) e o “samba”, fixando uma obviedade do país, na tentativa de atrair turistas ao Brasil através de imagens de belas mulheres, tendo como insinuação o apelo sexual dessas que forçosamente manifestam certo infantilismo e maior imaturidade na sexualidade do que os homens. O que se caracteriza  pela dominação das fantasias sadomasoquistas e  relações de objeto parciais.

A construção da identidade nacional está intrinsecamente relacionada à projeção da imagem do país no exterior, sobretudo à aceitação do ambiente exótico como fragmento da própria auto-imagem. A imagem nacional não é consequência apenas da visão do estrangeiro acerca do país, embora haja uma tendência a se investigar a situação apenas sob esse ponto de vista. O Brasil e o brasileiro têm como predisposição um interesse muito maior pelo que se diz no exterior do que pela própria formação interna do país,  incumbindo o estrangeiro pelo que o país é…

Para  Freud, o termo libido   pode   ser   usado   para   “significar manifestações  de  poder  de Eros ou um conjunto de fatos empíricos ligados a uma suposta energia psíquica: a energia das pulsões sexuais.” O freio dos instintos através do senso de realidade e de propriedade  passa a ser a troca da base instintiva pela base lógica e racional.

Ao contrário disso, cultura tem como significado algo positivo e legítimo, no entanto, o fato é que não temos sequer um fragmento de que a moralidade nos seres humanos tenha evoluído.

Cultura e civilização andam de mãos dadas,  dado que a primeira recorda os progressos individuais e a segunda, os progressos coletivos. Portanto, há uma diferenciação entre o estado natural do homem, irracional ou selvagem,  ainda que sem cultura; e a cultura que ele adquire através dos canais de conhecimento e instrução intelectual.

Decorre daí a ideia de que as comunidades por mais primitivas que possam ser, podem evoluir culturalmente e alcançar o estágio de progresso das nações civilizadas.

Relacionamento genuíno

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Uma frase arrebatadora de Roger Scruton: “Por meio da beleza, implantamos em nosso entorno o sentido de pertencimento que nos vem dos outros; quando a relação eu-você floresce, o outro é trazido para nossas vidas.”

Desde as suas origens gregas, a tradição filosófica jamais deixou de pensar sobre a questão do amor.  Tema de suma importância de nossa história intelectual. No “Banquete” de Platão, a experiência do amor se canaliza num processo de elevação do particular  para o universal, do apego ao sensível  para o processo de emancipação rumo ao plano espiritual-inteligível,  num aumento gradativo introduzindo a contemplação do Belo.

Baudelaire foi como um exemplo do primeiro representante da modernidade estética por ter experimentado os sintomas da superficialidade que marcou o período histórico de sua época, ao mesmo tempo que critica tudo o que percebe nas mudanças da forma com que a sociedade se organizou com suas tecnologias, rebelde e promíscuo vivia uma vida desregrada e sem moral, cujos efeitos se fizeram sentir em meio a coletividade e produções artísticas.

Na concepção de Baudelaire tal “Modernidade é o transitório, o efêmero, o contingente”. Transitoriedade em que o artista moderno diz reconhecer a beleza da melancolia de sua obra. Foi contra a concepção estética tradicional, para a qual o belo se identificaria com o universal e imutável, passando a representar em seus escritos toda sua vivência ao relatar os fenômenos ocorridos na moda, nos costumes da época, em suas habitações e trivialidades.

Sua visão era deturpada e infeliz da realidade, era como se os objetos passassem a adquirir vida própria e se tornassem mais importantes do que a singularidade humana, totalmente subjugada pelo mecanismo social do dinheiro. A vida na sociedade pós-moderna de hoje é uma versão perniciosa e precária nas condições de incerteza constante.

Porém, acredito que nos tempos de hoje, nossa natureza deve estar mais vigilante aos contextos desconhecidos, assimilar tudo, fornecendo informações ao córtex reptiliano a estar alerta aos perigos para fugir dos predadores!

Mas mesmo diante das frustrações, os poetas românticos nos movem a formar conceitos relacionados  aos ideais de sujeito, natureza e, principalmente, beleza. A estética romântica foi consolidada ao se compreender o espaço de cada um dentro dos aspectos da natureza e da sociedade, sobretudo quanto a tudo que se refere aos seus sentimentos. A natureza reflete as emoções tanto de tristeza quanto as conquistas e alegrias.

Não gostaria de ver nenhuma expressão estranha no rosto de alguém por eu citar o livro “Elogio ao amor” de Alain Badiou e Nicolas Truong, mais especificamente o capítulo Os  filósofos e o amor, não me associem a comunista, por favor! Não defendo partido político e também não os considero pecadores indesejados, todavia, o capítulo aponta que há diferentes visões à expressão “amor verdadeiro”. Primeiro, Platão fala da construção amor-ideia mediante a relação entre mundo-sensível e mundo inteligível: o primeiro mundo é formado por ideias, lugar de perfeição e de beleza; o segundo, temos os objetos concretos e reais, o mundo como nós conhecemos, que não é nada mais, nada menos que uma projeção do primeiro, e, por isso mesmo, imperfeito.  Logo, o amor que uma pessoa sente por outra, não passa de uma manifestação particular e imperfeita de algo superior, universal e perfeito: o amor-ideia.

Um pouco pode fazer muito por nós, pois quanto mais o amor por uma pessoa abrir mão de prazeres físicos-sensoriais e se aproximar do amor-ideia, maior e mais puro será.

Neste livro, os autores ressaltam que o amor acontece quando um aborda o ser do outro, quando há uma entrega mútua e desinteressada. No amor, a conciliação do outro tem valor em si. Possivelmente, o amor verdadeiro é guiado pela busca do outro, tal como ele se apresenta, sem querer impor regras e comportamentos. Temos que cavar tempo para relaxar, aceitando o outro sem interferir em seu emocional, possuindo sem dominar. O amor verdadeiro, o amor-ideia  refletido por Platão consiste nas emoções que ambos amantes sentem, na amizade, na intimidade, tudo é recíproco ao ponto de um não querer se separar do outro, nem por um pequeno momento. Trata-se de se gostar e de se sentir completo na companhia  desse alguém.

As histórias clássicas de amor demonstram sua superficialidade ao transmitir a ideia do “viveram felizes para sempre”, como se a efetivação matrimonial da relação amorosa culminasse na supressão de todas as adversidades existenciais, talvez seja justamente a partir desse momento que todos os percalços surjam, pois a convivência com o outro é a prova maior da suportabilidade e condição indispensável para que possamos desenvolver uma experiência genuína.

 

Por que cultivar a cultura é importante?

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Devo dizer que há uma certa confusão quando a população aborda  temas  relacionados à cultura e a educação, pretendo aqui desmistificar um pouco estes conceitos, e até mesmo levantar alguns questionamentos sobre se existe ou é inexistente o cultivo da cultura familiar hoje.

Quem pensa que definir cultura é uma tarefa simples, está enganado! A cultura é o clamor por interesses multidisciplinares, a partir de estudos da sociologia, antropologia, história, comunicação, administração, economia, entre outras.  Em cada uma dessas áreas há um trabalho com diferentes enfoques e usos.

Mas antes de passarmos à questão etimológica da palavra cultura, que em si, pode ser uma tarefa surpreendente, vamos considerar que educação vem a ser todo encadeamento de ensinamentos específicos que são transmitidos  para o desenvolvimento da liberdade responsável do homem.  Agora de posse destes conceitos, você já pode considerar o que é educação. Inicio minha reflexão fazendo uma análise se hoje há cultivo da cultura entre as famílias, não falo da forma como educam os filhos ou passam conhecimentos e sim nos valores e tradições que são transmitidos por gerações.

Quando me refiro a valores, não falo a respeito de comportamentos idiossincráticos ao qual adoto como cristã, requisitando da sociedade tolerância, na condição de que não cause transtornos a nenhum programa de trabalho público importante.

Afinal, todos sabem que subculturas étnicas mantêm crenças irracionais e costumes pitorescos, que dentro da extremidade do espectro, podem ser defendidos, desde que todos entendamos que ninguém mais acredita nessas bobagens excêntricas.

De acordo com Nicola Abbagnano no livro: “Dicionário de filosofia”, cultura possui dois significados básicos. O primeiro significado mais antigo, ressalta a formação do homem, sua melhoria e seu refinamento. Francis Bacon pressupunha a cultura nesse sentido como a “geórgia do espírito”, tornando clara a origem metafórica desse termo. O segundo significado, põe em evidência o resultado dessa formação, cujo conjunto dos modos de viver e de pensar são cultivados e polidos, se fundam com o nome de civilização.

Agora sim, chegamos ao que interessa! Partindo da etimologia, o termo Cultura, vem do latim “colere”, que significa “cultivar” que originou significados diversos como habitar, cultivar, proteger, honrar com veneração. Até o século XVI, o termo era quase sempre utilizado para se referir a uma ação e seus processos, no sentido de ter “cuidado com algo”, seja com os animais ou com o crescimento da colheita, sobretudo para caracterizar o estado de alguma coisa que fora cultivada, tal qual uma fração de terra. No final do século XIX, a cultura ganhou destaque figurado e, o que era utilizado para designar o desenvolvimento agrícola, passou a ter um sentido metafórico, a fim de denominar também o esforço empregado para o avanço das capacidades humanas.

Para a Antropologia, a cultura é vista como o somatório de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira do antropólogo britânico Edward Burnett Tylor, sob a etnologia, a ciência relativa que estuda os fatos específicos da cultura, cuja interpretação seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.”

Constata-se que um fator importantíssimo é que a cultura está presente em nossas vidas desde o seio familiar, é ligada aos usos, costumes e tradições. Resumindo, é o conjunto de padrões de comportamentos, crenças, manifestações artísticas, sociais de um povo ou civilização. Como influência, grandes obras, bem como as práticas que revigoram o desenvolvimento passam a representar a própria cultura.

Os pensadores clássicos transmitiam muitos pensamentos bons. Conhecemos nomes como: Homero, Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros. Estes filósofos deram ênfase à ordem racional do universo, que mais tarde inspiraram veementemente o desenvolvimento científico. Levantaram-se contra os materialistas e os hedonistas dos seus dias, afirmando os ideais eternos de verdade, bondade e beleza. A Igreja Primitiva teve seu encontro com o pensamento grego, embora tenham sido pensadores pagãos e muitas de suas doutrinas conflitantes com as verdades bíblicas.

Podemos remontar que cada grupo social ou nação, tem a sua cultura, a sua marca, as suas próprias atividades e manifestações, como a música, o teatro, a dança, a culinária, a escrita, a leitura, esportes, ciências, valores morais, éticos, etc.

O antropólogo inglês Edward Tylor sintetiza o conceito Kultur, do alemão, bastante utilizado no século XVIII para o termo inglês culture que simboliza todos os aspectos espirituais de uma comunidade. O modo de enxergar o mundo, as estimas de ordem moral e  de atributos de valor, diferentes comportamentos sociais e até mesmo as posturas corporais são resultados de uma herança cultural.

A criação afirma que as crianças são criadas à imagem e semelhança de Deus, o que significa que elas possuem a grande dignidade de ser criaturas com capacidade ao amor, moralidade, racionalidade, criação artística e todas as outras aptidões exclusivamente humanas. A educação precisa pensar no que toca os aspectos do ser humano. Não digo para se colocar ordem no caos de nossos tempos  que é algo tipicamente humano, uma vez que cada ordem que tentamos colocar, é colocada para um mestre específico.

Não podemos adotar uma metodologia construtivista que trata os estudantes como organismos que se adaptam ao ambiente em que estão, lançando mão de conceitos como mera ferramentas para ordenar a experiência subjetiva. O cristianismo oferece o fundamento para uma visão mais sublime da natureza humana que qualquer outra visão de mundo que comece com forças impessoais que operam por acaso!

O ensino e a educação, mas que confusão!

 

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@thaisrocholi

Por Thais Oliveira

Há alguns anos, admitia-se que ensinar era a arte de transmitir conhecimentos e instrução ao indivíduo e que educar era o processo ao qual o desenvolvia integralmente, mostrando ou apontando caminhos. Na verdade, é papel da educação formar o caráter, refinar os sentimentos e formas de se comportar, fortalecendo então os valores. Educação é superior a meros ensinamentos. É muito mais abrangente! Educação vem do latim   “ex  ducere” que se traduziria por “conduzir a partir de”, levando  a criança a se tornar uma pessoa meticulosamente livre, surgindo daí as possibilidades que ela carrega nela. Em outras palavras,  faz parte da educação treinar e moldar os homens para que eles aprendam como usar sua liberdade.   Como podemos observar, a educação conduz o indivíduo para o mundo exterior, para fora de si mesmo. Mais do que receber um mero ensino, educação é preparar as pessoas  para a vida em sociedade através do exemplo.

As vezes ficamos constrangidos com nossa ignorância, não que isso seja grande coisa. Sócrates disse: “Só sei que nada sei”. No mundo há pessoas instruídas e sem educação e outras educadas e sem instrução. Portanto, deixe de lado as inseguranças, pois sempre haverá mais a aprender.

A principal diferença entre ensino e educação, é que o ensino significa o repasse do conhecimento e a educação visa instilar um conjunto de hábitos e valores. Um analfabeto pode ser muito bem educado ou não. Aqui, conseguimos descobrir a distinção entre ensino e educação. Você deve estar se perguntando: Mas uma pessoa com instrução não é uma pessoa educada?

As vezes no meio de pessoas muito instruídas, há pessoas mal educadas e no meio de pessoas com pouca instrução ou sem estudo, há pessoas muito bem educadas. Os principais desafios enfrentados pela humanidade não se devem a falta de educação. Eles não são gerados por analfabetos, mas por mentes muito cultas e profissionais. Além do mais, devemos olhar com atenção para o tipo de educação que passamos e não, meramente, para a quantidade de conhecimento transmitido.

Se for apenas a soma de conhecimento que desperta interesses, é útil que estejamos informados e façamos uma reflexão de que se tem produzido muitos seres humanos desequilibrados: uma pessoa de nível superior, cheia de conhecimento, muito engenhosa, muito intelectualmente capacitada, mas, por outro lado “primitiva” em relação a outros aspectos da vida, um cientista de alto nível que pode enviar seres humanos para a lua, talvez possa ser brutal no meio em que vive. Podemos ver também seres humanos que têm grande compreensão de como o universo funciona, mas pouca compreensão de si mesmos e sua vida. É este desenvolvimento desequilibrado que é responsável por todos os problemas da humanidade.

Você já pode ter observado que uma criança aprende com o que acontece a sua volta e não pelo que é falado em sala de aula. Se ela acha que as coisas que dizemos são ao contrário daquilo que fazemos, ela vai imitar. O que acontece é que lhe ensinamos hipocrisia. Um professor que pune a criança porque errou numa equação, não apenas transmite à criança que ela não sabe equação, mas, paralelamente à isso, passa a ideia de que os fortes podem dominar e penalizar os fracos. A criança está imersa nos valores que vê e não daqueles que recomendamos.

Mais uma vez! Como enxergamos a educação hoje? Que tipo de humano estamos procurando produzir?

O ensino busca produzir um ser humano que seja inteligente, cheio de conhecimento, trabalhador, eficiente e disciplinado, ocupando o primeiro lugar em tudo o que faz. Com toda humildade, podemos dizer que Adolf Hitler possuía todos esses atributos e que, no entanto, ele é considerado para a maioria das pessoas, como o ser humano mais demoníaco do século XX.  O que faltava nele? Amor e compaixão.

Por toda a vida, devemos pensar que educação é uma coisa e instrução é outra, aconselho que se faça questionamentos fundamentais e profundos acerca destes assuntos. E uma dessas questões é: O que significa para um ser humano viver em harmonia e ordem? O século XXI exige uma mudança total na nossa concepção de vida e educação.

Para refletir um pensamento de Confúcio: “Sabendo que sabemos o que sabemos e sabendo que não sabemos o que não sabemos: essa é a verdadeira inteligência”.