Música clássica como o reflexo das paixões humanas

Musas (Mitologia grega).

Por Thais Rocholi

O que eu gostaria de compartilhar são alguns princípios úteis sobre música. Não vou falar sobre o ponto fundamental, como símbolos sonoros de boas habilidades de comunicação que com eficácia ressoam dentro das pessoas. Receio que eu não seja muito útil para falar de um tema tão importante como a música. Mas se você quiser interagir comigo, creio que uma âncora mais forte pode compensar outra mais fraca. Não vamos perder nenhuma das âncoras senão ficaremos expostos ao vento e desequilibrados. Ei! É com você mesmo. Aceito interação por video ou podcast.

Faz sentido para mim nestes estudos que encontramos na origem da arte os personagens Eros e Thanatos. A pulsão de vida inaugura uma relação de muita ambiguidade com a de morte, fazendo ou não uma assimilação da arte como espelho da existência, o que reflete em maior amplitude a sua expressão. Logo, quando Mozart escreve de modo parcial seu Requiem, a perda do outro torna-se, em suas notas, benevolente com a vontade divina, e o entoar dos coros ora repercutem como mensageiros de Deus, em outros momentos como expressão da tristeza dos vivos.

Embora a música tenha sua importância na vida da Grécia antiga, não temos ideia de como essa música realmente ecoava. Somente temos conhecimento de alguns fragmentos pouco notados que sobreviveram, sem nenhuma explicação sobre como restaurá-los. Os gregos faziam muitas especulações teóricas acerca de música. Eles faziam notas musicais e “praticavam música”, como o próprio Sócrates que ao ter uma revelação inspiradora, lhe foi ordenado fazer estas notas.

Tanto Platão como Confúcio, enxergavam a música como um dos conceitos da ética. E, como Confúcio, Platão queria regular as maneiras particulares sobre como usar esses arranjos de notas e escalas, pois sabia que causava alguns efeitos nas pessoas que ouviam.

Platão sabia como ninguém como disciplinar em música, bastava ver a correspondência entre o caráter de uma pessoa e a música que a representava. Nas Leis, Platão tornou explícita sua declaração de que  todo o conjunto de complexidades de  ritmos e melodias deviam ser evitados porque induzem à depressão e à desordem.

Mas quando se trata de música, seu poder ecoa harmonia divina. Já o ritmo e a melodia imitam os movimentos das estrelas e dos planetas. A habilidade de enxergar o contorno da música das esferas era o que refletia a ordem moral do universo. A música terrestre que estimula os instintos primitivos, entretanto, é duvidosa. Platão titubeava acerca de seu poder emocional.

Uma vez que isso é percebido, a música deve ser valorosa ao propósito, pois as qualidades sensoriais de algumas delas oferecem perigo, o que merece impor um pouco de censura evitando os acessos. Algumas soluções podem ser extremas, mas funcionam.

Quanto mais velha, estabelecida e particular uma música, mais universal ela é. Desse modo, a música clássica evoca a magnificência, o desabrochar com os códigos das práticas humanas, o átimo da perfeição, da realização. A música toma o lugar da fala e quem ouve escreve suas próprias letras.

Isso me faz lembrar do que é necessário para sustentar um bom equilíbrio. Música clássica é declaração de amor, pois a sua clareza, simplicidade e presença das cordas oferecem uma aparência de graça repleta de doçura e de prazer.

Se você acha  música “clássica” rígida, ou enfadonha, é porque você precisa buscar um mínimo de informação e dar sua atenção para que ela seja verdadeiramente “ouvida”. Porque antes de mais nada, ouvir não quer dizer que é só se concentrar, mas também se mobilizar em aptidões de memória, sensibilidade, capacidades de análise e síntese.

A música é, portanto, a essência de uma arte no tempo, por outro lado, o que pode ter um pretexto mais caduco e efêmero do que a passagem do tempo? Não tem como evitar, o principal obstáculo para se ouvir música com entusiasmo é que a maioria delas passam e se tornam obsoletas. Toda música só existe quando a percebemos. Então, o que era efêmero desaparece à medida que é produzida e nossa memória começa a trabalhar para reconstituir sua presença  no tempo.

Os caminhos do meu sigilo

Sempre que penso a questão dos intelectuais, também me fascina as críticas concebidas por historiadores e sociólogos. A intervenção de escritores, artistas e acadêmicos na mídia, como titãs, demonstram a capacidade da comunidade cultural de expressar suas ideias e pensamentos.

Alguns textos que lemos, não deixam a história ser assim tão incomum. Se perguntarmos desde as primeiras linhas escritas de onde vem esse “Dedo de Prosa” tão dotado de complexidade, cheio de mutações e sinais misteriosos, que vai da linguagem do nosso dia a dia falada à linguagem erudita que aprendemos. Antes mesmo de retornar à impressão imediata, tem um pouco mais de influência com a mesma liberdade de fazer uma ligação perigosa associativa que na transição de pensamentos, a obviedade é sempre seguir uma certa lógica, mas se esconder e se espalhar numa viagem sem fim, antes de encontrar a ordem.

E o leitor, nessa busca consegue entender de forma imediata que é a testemunha do ato de confissão que não busca as âncoras, mas toma para si o escândalo de ser o protagonista. Quando se é inovador, é possível se representar por meio das palavras, ou são as palavras que ganham vida própria e se representam, com novas roupagens e até despertando curiosidade para algo novo, numa velocidade de imitação que deixa qualquer um tonto!

Uma mensagem secreta deixa qualquer espírito aventureiro  ecoando  na tecnologia e passa a intrigar o mundo da espionagem cibernética espacial. Codificar, decodificar, interceptar… há um mundo de expressões em frases e palavras como alternativa mais espartana, dado ao seu significado original e nos remete à horas sombrias de guerras. E, à medida que o senso de palavras se aperfeiçoa não abro mão de substituições, esta ciência do segredo é mais relevante do que nunca, a fim de fortalecer a nossa cultura.

O equilíbrio passa pela arte

Boécio e Filosofia – Mattia Pretti.

Por Thais Rocholi

Ouvimos música pelo prazer que ela nos proporciona, mas esse prazer depende apenas da nossa experiência como ouvintes que está relacionada a condição do momento em que dedicamos, de modo a transcender o estado da alma que abre-se para a verdade, a beleza e a bondade. E o que poderia estar mais próximo dessa experiência do que uma obra de arte? Uma obra de arte como a música traz o homem para uma realidade insuspeitada, que por trás dessa vida há muito mais.

Um texto muito convincente sobre música pode ser explorado no contexto da educação, no livro A República de Platão. A música é “mais soberana porque … o ritmo e a harmonia encontram seu caminho para o íntimo da alma e tomam conta dela com mais força … transmitindo graça, se alguém for devidamente treinado …” (A República). E aquele que é “devidamente educado em música perceberia … e se deliciaria com a beleza (música), e a levaria para sua alma de forma a promover seu crescimento” (A República).

A música é uma linguagem, e por ser uma forma de se expressar, existe música boa e ruim, o clássico é o permanente. Mozart, Bach, Beethoven são clássicos. As obras musicais têm uma estrutura expressiva poderosa o suficiente para impor estados emocionais comuns a um grande número de ouvintes, o que pode levar uma multidão inteira num uníssono emocional.

Um brinde com uma música cuja oferta é limitada, confere-lhe uma força de coesão social que é a essência da maioria das culturas do mundo, além de ser uma forma de ajudar a adquirir melhor memória verbal, precisão de pronúncia em um segundo idioma, habilidade de leitura e funções executivas. Nas raras ocasiões em que dedicamos tempo para apreciar uma música clássica, os benefícios são gerados por sua ação sistêmica em nosso cérebro e nosso corpo. A música clássica combina escuta, coordenação, habilidades motoras finas, concentração, sensibilidade e emoções.

Hoje há cantores que fazem muito sucesso, mas depois de um tempo desaparecem e caem em esquecimento. Ao contrário do que acontece, a finalidade da música clássica não é o apelativo instintivo, mas como obra de arte é o apelo anímico, cuja força pretende puxar para cima e não para baixo, uma verdadeira catarse, é o tipo de música que tira a rudeza e o lado bruto, mas interioriza e enriquece!

Aos gregos devemos uma gratidão enorme, pois foram eles que nos trouxeram respostas sobre o porquê a música refina, educa e moraliza. No livro Música como medicina – A história da musicoterapia desde a antiguidade, há relatos de que na Grécia Antiga, acreditava-se que a música tinha uma relação matemática com o Cosmos. Os antigos filósofos gregos já sabiam que a música poderia servir a um propósito terapêutico. Pacientes com problemas mentais eram frequentemente instruídos a ouvir a música calmante da flauta, enquanto aqueles que sofriam de depressão eram instruídos a ouvir música de dulcimer, para quem não conhece, é um instrumento medieval. Os santuários de cura na Grécia Antiga abrigavam tanto especialistas em hinos quanto médicos. Uma praga ocorreu em Esparta por volta de 600 a. C., e teria sido curada pela música de Thales. Curiosamente, os gregos usaram a música como o primeiro tratamento para uma ressaca do álcool.

Os escritos de Platão consideravam a música como “o remédio da alma”. A teoria da “correspondência” de Platão afirmava que a música mundana correspondia à musica humana. Em outras palavras, a “harmonia celestial da música das esferas” poderia ter um efeito positivo (ou negativo) nas “almas terrenas”. Assim como a música sofre uma ressonância, o corpo humano sofre um reequilíbrio, e dessa forma a música tem valor terapêutico. Se somos aquilo que consumimos, somos mais bem refinados naquilo que ouvimos, por isso, é bom pensarmos sobre a Doutrina Grega do Ethos, Platão disse: “A música é uma arte imbuída do poder de penetrar nas profundezas da alma”.

Aristóteles acreditava que a música tinha efeitos catárticos e poderia fornecer alívio de emoções negativas através da catarse, por isso percebia que os efeitos proporcionados cooperavam no alcance do bem-estar físico e mental.

E para finalizar, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven e Michelangelo Buonarroti permanecem juntos no pico da cultura ocidental. Bach, assim como os outros, tinha inúmeras qualidades e, certamente, soube, como  ninguém, sincronizar o mundo terreno com o espiritual. Ele é o ponto culminante com a música barroca. Nenhum outro compositor teve a capacidade de realizar e perceber todas as possibilidades dentro de um determinado contexto musical.  Descendente de uma família de músicos, teve uma educação religiosa e formação erudita. Foi músico profissional, preocupado em sustentar uma família de 15 filhos. Homem de Deus, nasceu em Eisenach, onde seu pai era um respeitado violinista e violista. Logo, cresceu cercado de música.

Digamos que suas próprias qualidades formam a sua própria impressão e deixa lembranças, Bach tinha:

  • Crença e amor a Deus;
  • Paixão e compaixão;
  • Suprema maestria técnica;
  • Era um gênio melódico;
  • Na verdade, genialidade, pura e simples;
  • Convicção de que a música feita pelo homem almeja ser uma eufonia harmônica para a glória de Deus.

Agora corra atrás por sua conta e saiba mais sobre Bach!

L’équilibre passe par l’art

Thais Rocholi

Nous écoutons la musique pour le plaisir qu’elle nous procure, mais ce plaisir ne dépend que de notre expérience d’auditeur, qui est liée à la condition du moment que nous consacrons, afin de transcender l’état de l’âme qui s’ouvre pour la vérité, la beauté et la bonté. Et quoi de plus proche de cette expérience qu’une œuvre d’art? Une œuvre d’art comme la musique amène l’homme à une réalité insoupçonnée, que derrière cette vie il y a beaucoup plus.

Un texte très convaincant sur la musique peut être exploré dans le cadre de l’éducation, dans le livre La République de Platon. La musique est «plus souveraine parce que… le rythme et l’harmonie trouvent leur chemin dans l’âme et s’en occupent plus fortement… transmettant la grâce, si quelqu’un est correctement formé…» (La République). Et celui qui est «correctement éduqué en musique remarquerait… et se réjouirait de la beauté (la musique), et la prendrait dans son âme afin de favoriser sa croissance» (La République).

La musique est un langage, et parce que c’est une manière de s’exprimer, il y a de la bonne et de la mauvaise musique, le classique est le permanent. Mozart, Bach, Beethoven sont des classiques. Les œuvres musicales ont une structure expressive suffisamment puissante pour imposer des états émotionnels communs à un grand nombre d’auditeurs, ce qui peut entraîner une foule entière à l’unisson émotionnel.

Un cadeau musical dont l’offre est limitée, lui confère une force de cohésion sociale qui est l’essence même de la plupart des cultures du monde, en plus d’être un moyen d’aider à acquérir une meilleure mémoire verbale, une précision de prononciation dans une deuxième langue, des compétences en lecture et les fonctions exécutives. Dans les rares occasions où nous prenons le temps de profiter de la musique classique, les bienfaits sont générés par son action systémique sur notre cerveau et notre corps. La musique classique allie écoute, coordination, motricité fine, concentration, sensibilité et émotions.

Aujourd’hui, il y a des chanteurs qui ont beaucoup de succès, mais après un certain temps, ils disparaissent et tombent dans l’oubli. Contrairement à ce qui se passe, le but de la musique classique n’est pas l’appel instinctif, mais en tant qu’œuvre d’art, c’est l’appel de l’âme, dont elle entend tirer la force vers le haut et non vers le bas, une véritable catharsis, c’est le type de musique qui enlève l’impolitesse et le côté rugueux, mais intériorise et enrichit!

Nous devons aux Grecs une immense gratitude, car ce sont eux qui nous ont apporté des réponses sur les raisons pour lesquelles la musique raffine, éduque et moralisait. Dans le livre La musique comme médecine – L’histoire de la musicothérapie depuis l’Antiquité, il y a des rapports que dans la Grèce antique, on croyait que la musique avait une relation mathématique avec le Cosmos. Les philosophes de la Grèce antique savaient déjà que la musique pouvait avoir un but thérapeutique. Les malades mentaux étaient souvent invités à écouter la musique apaisante de la flûte, tandis que ceux qui souffraient de dépression devaient écouter de la musique dulcimer, pour ceux qui ne le savent pas, c’est un instrument médiéval. Les sanctuaires de guérison de la Grèce antique abritaient à la fois des spécialistes de l’hymne et des médecins. Un fléau s’est produit à Sparte vers 600 avant JC. C., et aurait été guéri par la musique de Thales. Fait intéressant, les Grecs ont utilisé la musique comme premier traitement pour une gueule de bois alcoolisée.

Les écrits de Platon considéraient la musique comme «la médecine de l’âme». La théorie de la «correspondance» de Platon affirmait que la musique du monde correspondait à la musique humaine. En d’autres termes, «l’harmonie céleste de la musique des sphères» pourrait avoir un effet positif (ou négatif) sur les «âmes terrestres». Tout comme la musique résonne, le corps humain subit un rééquilibrage, et de cette manière la musique a une valeur thérapeutique. Si nous sommes ce que nous consommons, nous sommes mieux raffinés dans ce que nous entendons, il est donc bon de penser à la doctrine grecque d’Ethos, Platon a dit: «La musique est un art imprégné du pouvoir de pénétrer les profondeurs de l’âme».

Aristote croyait que la musique avait des effets cathartiques et pouvait soulager les émotions négatives par la catharsis, alors il s’est rendu compte que les effets fournis coopéraient pour atteindre le bien-être physique et mental.

Enfin, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven et Michelangelo Buonarroti restent ensemble au sommet de la culture occidentale. Bach, comme les autres, avait d’innombrables qualités et savait certainement comment synchroniser le monde terrestre et spirituel comme personne d’autre. C’est le point culminant de la musique baroque. Aucun autre compositeur n’a pu réaliser et réaliser toutes les possibilités dans un contexte musical donné. Issu d’une famille de musiciens, il avait une éducation religieuse et une formation érudite. C’était un musicien professionnel, soucieux de subvenir aux besoins d’une famille de 15 enfants. Homme de Dieu, il est né à Eisenach, où son père était un violoniste et altiste respecté. Bientôt, il grandit entouré de musique.

Disons que vos propres qualités forment votre propre impression et laissent des souvenirs, Bach avait:

Croyance et amour pour Dieu;
-Passion et compassion;
-Maîtrise technique suprême;
-C’était un génie mélodique;
-En fait, génie, pur et simple;

Conviction que la musique artificielle se veut une euphorie harmonieuse pour la gloire de Dieu.
Maintenant, sortez seul et apprenez-en plus sur Bach!

Educação e liberdade

A Escola de Atenas é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano.

Por Thais Oliveira

Sempre que falamos de Aristóteles, temos a perspectiva de dotá-lo de qualidades de um pesquisador, de fundador da ciência, o lógico, o filósofo, “o mestre dos que sabem”. Mas pouco se sabe sobre o educador Aristóteles. O que ele falava sobre educação quase não despertou muito interesse nos historiadores.

Porém, como precursor, Aristóteles se dedicou tanto ao ensino quanto à pesquisa. Convenhamos, ele é o protótipo do professor. A parte da sua obra que nos é transmitida ao longo de vinte e três séculos é a sua obra ensinada.

É claro que precisamos de mais orientação para entender o processo de educação, e não ser governado pelo muito falar, pois toda educação começa no ouvido para dominar a gramática, saber usar a concordância primária e a apreensão da língua. Esse é o começo do aprendizado, depois vem a matemática e retórica,  cuja capacidade de relacionar a gramática com a imaginação é absorvida. Para Aristóteles, o propósito da educação é semelhante ao propósito do homem. É claro que, toda educação tem como sentido,  tornar explícito ou implícito, um ideal humano.

Mas, para Aristóteles, a educação é um princípio para que o  homem seja completamente atualizado. Todos nós precisamos de sentido e o bem supremo a que todo homem aspira é a felicidade. Mas o homem feliz de Aristóteles não é aquele selvagem feliz, intratável, não é o homem em seu estado natural bruto, é o homem educado. O homem feliz, o homem bom, é aquele que tem virtude, mas não tem como adquirir virtude sem a educação. Ética e educação é uma coisa só. Sabe os livros que Aristóteles escreveu sobre ética? São manuais para ensinar a arte de viver.

Ao contrário de muitos livros que lemos, na Ética em Nicômaco, Aristóteles se pergunta “se a felicidade é algo que pode ser aprendido, ou se é adquirido pelo hábito ou algum outro exercício, ou se, no final, nos chega compartilhando por um certo favor divino ou mesmo por perigo.” A resposta não nos deixa no vácuo: “A causa realmente determinante da felicidade está na atividade em conformidade com a virtude”. Liberdade é o ato da virtude. Toda ideia de liberdade na civilização ocidental nasce atrelada a uma ética da virtude.

A  concepção da liberdade exposta nas mídias é uma visão pautada por uma cosmovisão moderna de mundo caracterizada nessa era moderna por três cânones: O relativismo, o ceticismo e a inexistência de um conceito objetivo de verdade. O que tem como resultado reativamente venerado é que a ausência de um conceito de verdade faz com que os indivíduos estejam autorizados a definir a verdade como um conjunto de signos daquilo que para eles são verdades. Não se tem uma concepção objetiva do que é verdadeiro, daí então se faz uma escala de signos como se fosse verdade, medindo seus ódios e amores a partir desses signos, e como regra geral, o que deve imperar é o desprezo pela verdade, o bem e a beleza.

Antes de passarmos a questão intelectual, a alma é aquilo que anima o corpo, que em si pode ser algo surpreendente, vamos considerar que esta alma possui certas capacidades para o conhecimento do ser e seus predicados essenciais. A alma pode conhecer objetivamente a verdade, o bem e a beleza por meio dos potenciais intelectuais, potenciais da vontade e a potência da memória.

Pitágoras valoriza muito a potência do intelectual, Platão considera extremamente importante a memória representada pelo tempo e a eternidade, junto com os mistérios da imortalidade da alma que se sustenta no esforço para lembrar do passado, numa retrospectiva que aprofunda o início de tudo. Quando viajamos em Aristóteles o intelecto e a vontade possui enorme importância sendo aperfeiçoados no cristianismo.

A partir daí, nós inteligimos, lemos o Ser de dentro para fora ou o que simplesmente ocorre é a absorção do primeiro conceito de Ser como verdadeiro. A vontade quer o bem e toma o conceito de bem para si, pois as coisas são apetecíveis para nós. A beleza é o somatório do bem com a verdade. A potência da alma para adotar como belo é a memória.

Quanto mais você exercitar o intelecto, a vontade e a memória, mais a sua vida será bela, o que produz integridade que em latim destaca-se como integritas, ou sintonia entre o interior e o exterior. Os antigos definiam isso com uma palavra: Paideia, palavra de origem grega clássica, traduzida como formação do espírito e do caráter, nas artes iliberais e mecânicas somada a empatia com os outros, philia, que retirado do tratado de Ética a Nicômaco de Aristóteles, o termo  diz respeito à “amizade”, e às vezes também ao “amor” na hierarquia dos afetos, ao contrário da filosofia barata de autoajuda.

O hábito da virtude

Por Thais Rocholi

A morte de Sócrates é a representação de Jacque Louis David dos últimos momentos de Sócrates antes de sua morte. 

As primeiras reflexões que envolvem o pensamento moral surgiram com Sócrates quando fez perguntas acerca da virtude, dando encorajamento as pessoas para que indagassem tais questões de modo racional. A alma humana precisa controlar o corpo e para isso a alma deve ser  guiada pelo Bem, de tal forma que as nossas mentes são capazes de compreender o objetivo universal. Existem quatro virtudes principais: sabedoria, autocontrole (temperança), coragem e justiça. Santo Agostinho e outros pensadores cristãos adotaram este pensamento, porém uniu às três virtudes Bíblicas: fé, esperança e amor.

Ao privilegiar as virtudes, Aristóteles examina sua formação por meio dos hábitos. Ele diz que existem dois tipos de virtude: moral e intelectual. A intelectual acontece por meio do ensino, da experiência e do tempo. A moral é desenvolvida por meio do hábito, ou “repetição dos atos correspondentes”. Aristóteles sugere aprendermos as virtudes na prática. Porém, não se engane, porque essas virtudes não vêm de nós. Nós nascemos com sentimentos, mas nos tornamos pessoas virtuosas por meio de nossas ações.

E é claro que ele também  retrata que nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, pois nada que existe por natureza pode formar um hábito contrário à sua natureza. Leitores dedicados de autoajuda, sempre em busca de melhorar o comportamento social, parece que estão obcecados em comprar qualquer livro, menos aqueles que guiam em direção da luz, Aristóteles escreveu que “a virtude moral surge como resultado do hábito.”  Somos “adaptados por natureza para receber as virtudes, tornando-as perfeitas pelo hábito”. Curiosamente, Aristóteles acredita que não temos virtude até que a usemos.

A virtude é um meio termo entre os extremos. Ter coragem é se posicionar no equilíbrio, onde se encontra a covardia (excesso de medo) e a imprudência (escassez de medo). Precisamos buscar praticar a sabedoria para optar pelas virtudes determinando a média pesada nessa balança de equilíbrio.

De fato, cada cultura tem seus próprios hábitos ou virtudes, como uma janela para sua vida que são aprovados socialmente. Não podemos dizer que as virtudes de uma cultura sejam melhores do que as virtudes de outra cultura. Virtudes são hábitos que promovem o bem, visto em termos de prazer e dor. A virtude Suprema é ter um caráter para agir individualmente buscando as melhores consequências em tudo que fazemos.

Na filosofia aristotélica as virtudes são “modos de escolha ou envolvem uma escolha”.  É ser guiado pela contramão das paixões que nos “movem”, formando um estado de espírito ou humor “particular” para as nossas escolhas. A simples capacidade de sentir as paixões não nos qualifica como pessoas boas ou más. Em contrapartida, nenhum hábito de sentir pode ser uma barreira para que o ser humano alcance a virtude. Mas se fizermos escolhas ruins, isso altera o nosso “estado de caráter”. Não somos “feitos bons ou maus por natureza”, mas escolhemos esse estado de espírito.

Aristóteles explica sua filosofia de escolhas analisando o vício, a virtude e o equilíbrio. O objetivo de toda virtude é o equilíbrio. Tudo na vida que é em excesso é uma forma de fracassar, já a falta ou defeito, nessa intermediação é elogiada e até aplaudida. Ele compara isso à luta livre, se fizermos muito exercício, ficamos sobrecarregados, e quando não fazemos o suficiente não estamos totalmente preparados para lutar. Um exemplo de virtude na proporção adequada para Aristóteles quanto ao equilíbrio é ter o “orgulho adequado”. O excesso é “vaidade vazia” e o defeito ou falta é “humildade indevida”. O homem inflado é tão mau quanto aquele que usa a falsa humildade.

Apesar de ser uma filosofia pré-cristã, não existe nenhuma vantagem em relação ao evangelho de Cristo, que nos oferece uma explicação para o pecado, a queda, a ressurreição e a redenção. Aristóteles percebe a dificuldade humana de tentar “ser bom” e enxerga o bem através de seus próprios esforços. Ele não tem o padrão de Cristo para medir o bem. Ele fala em torno da ideia cristã  através do Paráclito, o Espírito Santo, vendo vagamente, quando diz que somos “adaptados por natureza”. E, assim, há um agir sobre nós para nos tornarmos capazes de receber a virtude, que nas obras de São Tomás de Aquino caracteriza o pensamento do bom uso do livre arbítrio, sendo a virtude como a ordem do nosso amor, num ato de perfeição que opera em nós por causa da natureza do próprio Deus.

The habit of virtue

By Thais Rocholi

The first reflections involving moral thinking arose with Socrates when he asked questions about virtue, encouraging people to ask such questions in a rational way. The human soul needs to control the body and for that the soul must be guided by Good, in such a way that our minds are able to understand the universal goal. There are four main virtues: wisdom, self-control (temperance), courage and justice. St. Augustine and other Christian thinkers adopted this thought, but he joined the three Biblical virtues: faith, hope and love.

By privileging the virtues, Aristotle examines his formation through habits. He says that there are two types of virtue: moral and intellectual. The intellectual happens through teaching, experience and time. Morality is developed through habit, or “repetition of corresponding acts”. Aristotle suggests that we learn virtues in practice. However, make no mistake, because these virtues do not come from us. We are born with feelings, but we become virtuous people through our actions.

And it is clear that he also portrays that none of the moral virtues arises in us by nature, because nothing that exists by nature can form a habit contrary to its nature. Dedicated self-help readers, always looking to improve social behavior, seem to be obsessed with buying any book, except those who guide towards the light, Aristotle wrote that “moral virtue arises as a result of habit.” We are “adapted by nature to receive the virtues, making them perfect by habit”. Interestingly, Aristotle believes that we have no virtue until we use it.

Virtue is a middle ground between extremes. To have courage is to position yourself in balance, where cowardice (excess of fear) and recklessness (scarcity of fear) are found. We must seek to practice wisdom in order to choose virtues by determining the average weight on this balance scale.

In fact, each culture has its own habits or virtues, as a window on its life that is socially approved. We cannot say that the virtues of one culture are better than the virtues of another culture. Virtues are habits that promote good, seen in terms of pleasure and pain. The supreme virtue is to have a character to act individually seeking the best consequences in everything we do.

In Aristotelian philosophy, virtues are “modes of choice or involve a choice”. It is to be guided by the opposite of the passions that “move” us, forming a “particular” mood or mood for our choices. The simple ability to feel the passions does not qualify us as good or bad people. On the other hand, no habit of feeling can be a barrier for the human being to reach virtue. But if we make bad choices, it changes our “character state”. We are not “good or bad by nature”, but we choose this state of mind.

Aristotle explains his philosophy of choices by analyzing addiction, virtue and balance. The goal of all virtue is balance. Everything in life that is in excess is a way of failing, while the lack or defect, in this intermediation is praised and even applauded. He likens it to wrestling, if we exercise a lot, we get overwhelmed, and when we don’t do enough we are not fully prepared to fight. An example of virtue in the proper proportion for Aristotle in terms of balance is having “adequate pride”. The excess is “empty vanity” and the defect or lack is “undue humility”. The inflated man is as bad as the one who uses false humility.

Despite being a pre-Christian philosophy, there is no advantage over the gospel of Christ, which offers an explanation for sin, the fall, the resurrection and redemption. Aristotle realizes the human difficulty in trying to “be good” and sees the good through his own efforts. He does not have the standard of Christ to measure good. He talks about the Christian idea through Paráclito, the Holy Spirit, seeing vaguely, when he says that we are “adapted by nature”. And so, there is an action on us to become able to receive virtue, which in the works of São Tomás de Aquino characterizes the thought of the good use of free will, virtue being the order of our love, in an act of perfection that works in us because of the nature of God Himself.

O sentido da comunicação

Foto por Alex Andrews em Pexels.com

A etimologia da palavra comunicação vem do latim “comunicare”, que significa colocar em comum. A comunicação é um processo inato, pois desde o nosso nascimento nos comunicamos primeiro por meio de nossos gestos, nossos movimentos (comunicação não-verbal) e, depois, gradualmente, por meio da fala e das palavras (comunicação verbal).

E a distorção entre atitude e fala é bem óbvia. Deseja ter credibilidade? Primeiro seja você mesmo. Enquanto se adapta, finesse, ao seu interlocutor. Ter boas maneiras na comunicação ultrapassa a palavras bonitas, mas envolve o cuidado com o outro, sobretudo com o que se diz para poder viver bem em sociedade. Algumas coisas que as vezes pode fazer você pensar que está sendo educado ou divertido, talvez brincalhão fora de hora, na verdade são falsos bons modos.

Seja educado e respeitoso, ter decência significa que existem regras de educação a serem observadas em determinadas situações. É a prova de que você é uma pessoa bem comportada. Respeitar as pessoas é uma atitude que toca o nosso interior para que sejamos vistos como pessoas. Se você sabe demonstrar respeito, também acredita na dignidade e valor de cada ser humano, independentemente de seu comportamento.

Todos nós temos uma vida real, o que resulta em encontros, assim, pesquisando Martin Buber que se dedicou em parceria com Franz Rosenweig (1885-1929) à tradução da Bíblia hebraica para o alemão, ele disse que “no começo está o relacionamento”.

Isso quer dizer que o princípio do ser humano é em essência um homo dialogus, que somos incapazes de  nos realizar sem comungar com a humanidade, com a criação e com o Criador, pois o amor à humanidade conduz ao amor a Deus e vice-versa. A Presença divina participa de cada encontro autêntico entre os homens e habita aqueles que estabelecem um verdadeiro diálogo, como bem contextualizado por ele:

“O celeste e o terrestre estão ligados um ao outro. A palavra de quem deseja falar com os homens sem falar com Deus não se cumpre; mas a palavra de quem deseja falar com Deus sem falar com os homens se perde”.

O diálogo é baseado na reciprocidade e na responsabilidade. A responsabilidade existe apenas onde há uma resposta real à voz humana. No Talmud da tradição judaica encontramos regras de boa educação para que haja reciprocidade: dar um sorriso para a abertura de uma boa comunicação, cumprimentar as pessoas, não falar gritando e dirigir-se ao próximo com gentileza.

Saber se expressar corretamente é saber, principalmente, manter a simplicidade. Sem palavras ofensivas, sujas ou gírias. Se você quer se expressar, tenha um domínio perfeito da gramática e da fala. O segredo para conseguir isso? Leia livros clássicos que irão lhe revelar tudo o que você precisa saber sobre comportamento, e, principalmente, a Bíblia. Já quanto aos de autoajuda abandone rapidamente, pois só trazem fórmulas prontas que no final irão trazer tédio para uma vida vazia, assim você poderá se cultivar sendo curioso e atento a uma boa leitura, tornando-se uma pessoa sábia.

A empatia está no cerne da boa comunicação, se você é atento ao que o outro fala, de forma profunda e desinteressada, sem tentar causar influencia na conversa, significa estar totalmente presente, e, realmente, é alguém que sabe ouvir as reais necessidades do outro. Sincronizar as suas atitudes com as atitudes da pessoa com quem você está estabelecendo uma conversa ajuda a criar uma relação de confiança. Estar desapegado e não colocar o seu ego na comunicação é também se colocar em contato com o outro, seja o que for aquilo que tem a nos  dizer, por mais que não haja uma identificação.

Colocar-se em confronto traz discussões que podem nos abrir a luz, é um convite para que mediante nossas contradições ou incompatibilidades, fiquemos mais conscientes, a fim de resolver nossas dificuldades interiores. Mas, claro! Nessas horas percebemos se há ou não uma relação de confiança entre os envolvidos, para que reflitamos em cima daquilo que as vezes pode soar contraditório ou tem algum sentido.

Para refletir uma frase do livro Terra dos Homens: “Ser Homem é sentir-se responsável  do  mau que nem parecia vir de Você.” Antoine de Saint Exupery

The meaning of communication

By Thais Rocholi

The etymology of the word communication comes from the Latin “comunicare”, which means to put in common. Communication is an innate process, since from our birth we communicate first through our gestures, our movements (non-verbal communication) and then gradually, through speech and words (verbal communication).

And the distortion between attitude and speech is quite obvious. Do you want credibility? First be yourself. While adapting, finesse, to your interlocutor. Having good manners in communication goes beyond beautiful words, but involves caring for others, especially with what is said to be able to live well in society. Some things that can sometimes make you think that you are being polite or amusing, maybe playful out of time, are actually false good manners.

Be polite and respectful, having decency means that there are rules of education to be observed in certain situations. It is proof that you are a well behaved person. Respecting people is an attitude that touches our interior so that we are seen as people. If you know how to show respect, you also believe in the dignity and worth of each human being, regardless of their behavior.

We all have a real life, which results in encounters, thus, researching Martin Buber who dedicated himself in partnership with Franz Rosenweig (1885-1929) to the translation of the Hebrew Bible into German, he said that “in the beginning is the relationship” .

This means that the principle of the human being is in essence a homo dialogus, which we are unable to achieve without communing with humanity, with creation and with the Creator, because love for humanity leads to love for God and vice versa . The divine Presence participates in every authentic encounter between men and inhabits those who establish a true dialogue, as well contextualized by him:

“The celestial and the terrestrial are linked to each other. The word of one who wishes to speak to men without speaking to God is not fulfilled; but the word of those who wish to speak to God without speaking to men is lost ”.

The dialogue is based on reciprocity and responsibility. Responsibility exists only where there is a real response to the human voice. In the Talmud of the Jewish tradition, we find rules of good education so that there is reciprocity: giving a smile for the opening of good communication, greeting people, not speaking shouting and addressing others kindly.

Knowing how to express yourself correctly is knowing, above all, maintaining simplicity. No offensive, dirty or slang words. If you want to express yourself, have a perfect command of grammar and speech. The secret to achieving this? Read classic books that will reveal everything you need to know about behavior, and especially the Bible. As for self-help, leave quickly, as they only bring ready-made formulas that in the end will bring boredom to an empty life, so you can cultivate yourself being curious and attentive to a good reading, becoming a wise person.

Empathy is at the heart of good communication, if you are attentive to what the other person says, in a deep and disinterested way, without trying to influence the conversation, it means being fully present, and really, someone who knows how to listen to the real needs of the other. Synchronizing your attitudes with the attitudes of the person with whom you are having a conversation helps to create a relationship of trust. Being detached and not putting your ego in communication is also putting yourself in contact with the other, whatever it is that you have to say to us, even if there is no identification.

Empathy is at the heart of good communication, if you are attentive to what the other person says, in a deep and disinterested way, without trying to influence the conversation, it means being fully present, and really, someone who knows how to listen to the real needs of the other. Synchronizing your attitudes with the attitudes of the person with whom you are having a conversation helps to create a relationship of trust. Being detached and not putting your ego in communication is also putting yourself in contact with the other, whatever it is that you have to say to us, even if there is no identification.

Putting oneself in confrontation brings discussions that can open the light for us, it is an invitation so that through our contradictions or incompatibilities, we become more aware, in order to solve our inner difficulties. Of course! At these times, we realize whether or not there is a relationship of trust between those involved, so that we reflect on what can sometimes sound contradictory or make sense.

To reflect a phrase from the book Terre d’Hommes: “To be a Man is to feel responsible for the evil that didn’t even seem to come from You.” Antoine de Saint Exupery

Criaturas de hábitos

Nós somos criaturas de hábitos. A maior parte do nosso comportamento acontece tendenciosamente, mediante o controle de hábitos. Isso se dá através de rituais e rotinas que adotamos para nossas vidas. Quando fazemos as coisas sem pensar ou refletir em nossas ações, há um certo conforto e não gastamos muita energia, pois pensar e reaprender demanda tempo e esforço. Logo, a vida quando conduzida nos impulsos de nossas ações também pode prejudicar o cotidiano, principalmente quando os hábitos são prejudiciais e queremos substituir por outros que agreguem em nossas vidas.

As boas intenções dizem respeito, sobretudo, aos hábitos que são cultivados há muito tempo e que só podem ser mudados quando colocamos nossos esforços para melhorá-los. O oposto acontece quando não se tem nenhuma boa intenção para uma mudança, você simplesmente o repete. Mas, posso lhe confessar que mudar hábitos de longo prazo não é tarefa fácil. Quem vai querer deixar de lado os rituais que ama praticar? É muito importante fazer um planejamento de nosso tempo com bom-senso e alguns cuidados, pois quando usamos o nosso tempo de um jeito mais coerente, o nosso dia a dia fica com mais qualidade.

Com a frase de Benjamim Franklin no século XVIII, que ganhou o discurso de todo mundo: Time is money (Tempo é dinheiro), o que mais impressiona é que passamos a cuidar melhor do nosso dinheiro do que do nosso tempo. Podemos perder dinheiro e depois recuperar, mas tempo, quando é passado, não volta. Tempo é vida! Tempo é presente! Tempo é a dádiva de Deus!

Com planejamento, é possível organizar nossas horas de maneira que possamos aproveitá-las ao máximo. Na verdade, o ritmo de vida aumentou radicalmente de uns tempos para cá, infelizmente, parece que muitos não se importam em compensar aquilo que nos foi subtraído. Certo dia um amigo fez uma crítica por eu ter tempo para fazer coisas fora da internet, ao contrário da maioria dos jovens e crianças que gostam de ficar nas mídias sociais todos os dias ou jogar à luz do computador. Agradeço por ter a preferência de ficar ao ar livre aos sábados e domingos.

Penso que hora extra precisa ser canalizada para uma vida espiritual de oração para reequilibrar. Se tem algo que atrapalha o aproveitamento do tempo é o meio em que vivemos, como vivemos numa sociedade de alto consumo, o que acontece é que somos tentados a gastar e para cobrir estes gastos mergulhamos no trabalho, o preço que pagamos é que não sobra tempo para fazer as coisas que realmente precisamos. Ao mesmo tempo que isso acontece, surgem as metas que costumam ser muito altas. Sem exagero ou com exagero, é o começo do fim.

Se você é muito ambicioso ou impaciente, isso pode levar você a ter exigências excessivas seguidas de frustração. Para hábitos que realmente nos incomodam, é preciso de vez em quando procurar reservar tempo suficiente para conseguir descobrir as possíveis causas e gatilhos. Sempre resolva mudar um hábito. Não dê oportunidade para hábitos ruins em sua vida. Com perseverança e espírito de exigência, você irá combater hábitos teimosos com força e energia. Pequenas mudanças de hábitos ruins podem acontecer de forma lenta, embora o que se espera é que de forma segura se transforme em bons hábitos que, com o passar dos tempos, o resultado é olhar para trás e perceber que aquilo que era para ser resolvido se cumpriu.

Para refletir: Seja realista com você mesmo. Como tem sido seu dia a dia? Você está convicto para fazer mudanças em sua vida? Em momentos de estresse é improvável que você também consiga quebrar os hábitos cotidianos. Você sabia?

Te cuida!

Por Thais Oliveira

“Um ritual no tempo pode ser comparado a um apartamento que está na sala.” Antoine de Saint Exupéry

Raramente se ver pessoas que adquirem para si uma rotina diária, talvez porque se sintam embotadas e inflexíveis, algumas podem achar que isso é coisa de burguês. Tudo bem, eu também acho que em alguns casos pode ser, porém, em outros, contanto que esses hábitos sejam úteis, não vejo problema. Se quisermos trocar esses hábitos nada saudáveis, percebemos que pode ser um pouco difícil começar o dia em paz.

Ritual pode ser ações cheias de estilos que podem se repetir nas transições e rupturas típicas da vida cotidiana moderna. O gatilho pode ser uma situação cotidiana típica ou um humor interno que aciona o mecanismo. O cérebro passa então pela sequência de impulsos característicos do hábito. Se for bem-sucedido, o sistema de recompensa do cérebro é iniciado. O padrão se solidifica!

A melhor receita para ter bons hábitos é combater um mau hábito com um novo. Quando vier uma ideia nova para um novo hábito cultural, tenha como ritual, por exemplo, o hábito de beber um copo de água.

Quando temos rituais em nossas vidas, temos hábitos saudáveis ​​para a alma. A alma humana se aprofunda em hábitos. Os rituais oferecem à alma um lar. E assim, vão se formando hábitos saudáveis ​​para pensar, sentir, querer e decidir. Os rituais nos deixam mais seguros porque nos familiarizamos com eles, sem falar que nos fornecem um tipo de estrutura. Portanto, sugiro que você descubra  e mantenha bons hábitos em sua vida.

Quando cultivamos bons hábitos em nossas vidas, o estresse que está dentro de nós é dissipado. Não que seja algo ruim, pois é uma reação natural de adaptação do organismo e envolve diversos fatores  que ocorrem quando nos defrontamos com uma situação que altera nosso equilíbrio emocional.

Quando isso acontece, o corpo se prepara mental e fisicamente para enfrentar o problema. Como não sou uma profissional da área médica, mas revisora, não demorei a descobrir que o coração bate mais acelerado, a respiração muda e os músculos tensionam. Na programação de fábrica do nosso corpo, uma vez cessada a “ameaça”, a reação de estresse é desligada e tudo volta ao normal. Ou seja, o estresse faz parte e até é importante em certas situações, mas passada a “ameaça”, o corpo precisa relaxar.

Como também não estou aqui para trabalhar, fico encarregada de levar até você meus textos para lhe divertir e informar. Se você, assim como eu, deseja entender melhor o ser humano, é preciso, sobretudo, entender suas atitudes, fraquezas, seu sofrimento e o modo com que se comporta. Tudo isso fala muito acerca dos hábitos e a forma como encaram a vida. Mesmo diante de sinais de alerta, é preciso se convencer de que o estilo de vida que escolhemos tanto pode contribuir para o aparecimento de doenças ou ajudar a curá-las.

Quando recomendo o hábito de leitura, é porque ler é uma inigualável fonte de lazer.  Fácil de praticar, podemos ler em casa, na praia, no avião, na fila do banco. Principalmente, porque a leitura é um forte instrumento de poder. Francis Bacon, filósofo inglês, já certificava que o conhecimento é poder. Por fim, a leitura é um hábito muito importante para exercitar e prevenir de males a nossa memória, é como se fosse uma musculação do cérebro. Aconselho porque todos deveriam saber, pois depois dos 30, nosso cérebro começa a atrofiar. Portanto, da mesma forma que nos exercitamos para fortalecer os músculos, precisamos fortalecer a mente.

Take Care

By Thais Rocholi

“A ritual over time can be compared to an apartment in the living room.” Antoine de Saint Exupéry

Rarely do you see people who acquire a daily routine for themselves, perhaps because they feel dull and inflexible, some may think this is a bourgeois thing. Okay, well, I also think that in some cases it can be, but in others, as long as these habits are useful, I see no problem. If we want to change these unhealthy habits, we realize that it can be a little difficult to start the day in peace.

Ritual can be actions full of styles that can be repeated in the transitions and breaks typical of modern daily life. The trigger can be a typical everyday situation or an internal mood that triggers the mechanism. The brain then goes through the sequence of impulses characteristic of the habit. If successful, the brain’s reward system starts. The pattern solidifies. The best recipe for having good habits is to fight a bad habit with a new one. When you come up with a new idea for a new cultural habit, have a ritual of drinking a glass of water.

When we have rituals in our lives, we have healthy habits for the soul. The human soul deepens in habits. Rituals offer the soul a home. And so, healthy habits are formed to think, feel, want and decide. Rituals make us safer because we are familiar with them, not to mention that they provide us with a type of structure. Therefore, I suggest that you discover and maintain good habits in your life.

When we cultivate good habits in our lives, the stress that is within us is dissipated. Not that it is a bad thing, as it is a natural reaction of adaptation of the organism and involves several factors that occur when we are faced with a situation that alters our emotional balance.

When this happens, the body prepares itself mentally and physically to face the problem. As I am not a medical professional, but a proofreader, it didn’t take me long to discover that the heart beats faster, the breathing changes and the muscles tense. In our body’s factory programming, once the “threat” ceases, the stress reaction is turned off and everything goes back to normal. That is, stress is part and even important in certain situations, but after the “threat”, the body needs to relax.

As I am not here to work, I am in charge of taking my texts to you to amuse and inform you. If you, like me, want to better understand the human being, it is necessary, above all, to understand his attitudes, weaknesses, his suffering and the way he behaves. All of this speaks volumes about habits and how they view life. Even in the face of warning signs, we must be convinced that the lifestyle we choose so much can contribute to the onset of diseases or help to cure them.

When I recommend the habit of reading, it is because reading is an unparalleled source of leisure. Easy to practice, we can read at home, on the beach, on the plane, in line at the bank. Mainly because reading is a strong instrument of power. Francis Bacon, English philosopher, already certified that knowledge is power.

Finally, reading is a very important habit to exercise it and prevent damage to our memory, it is as if it were a brain muscle. I advise because everyone should know, because after 30, our brain starts to atrophy. So, just as we exercise to strengthen muscles, we need to strengthen the mind.

Marketing e objetificação da mulher

mulher não é objeto
imagem da internet.

Por Thais Oliveira

Você sabia que as pessoas com quem você conversa formam uma opinião sobre você em 1 segundo? Sim, em 1 segundo! É uma pena que muitas não conseguem enviar  uma boa impressão de si mesmo para as pessoas ao seu redor. Principalmente porque no fundo nosso estilo pessoal é uma maneira de expressar quem nós realmente somos! Uma sugestão, é que você seja uma pessoa mais atenta a sua forma de se vestir.

É muito comum vermos na Publicidade do Instagram,  não diria nem que seja um comportamento erótico, mas pessoas com um jeito venal de se comportar. Para melhor explicar para você, Eros e Vênus são uns dos personagens da Mitologia grega, Eros também era conhecido como Cupido que buscava a realização da plenitude do amor correspondido e consciente, já Vênus ou Afrodite, considerada a deusa protetora das prostitutas, tem como significado  se promover ou se vender. Seria isso Marketing? Talvez uma objetificação no Marketing. A Publicidade contribui de forma consciente e inconsciente para  uma mudança na forma de se perceber as pessoas. Esse fenômeno merece nossa atenção de forma muito particular, pois muitas pessoas julgam sua aparência física como uma prática comum de se fazer o Marketing. Com isso, surge um conjunto de efeitos de todos os tipos que devem ser considerados, sobretudo  quando as outras pessoas percebem a sua marca e também sobre sua própria maneira de perceber seu estilo.

Em outras palavras, em muitas culturas as pessoas tentam atrair a atenção pública ao corpo feminino e suas partes sexuais. É muito frustrante enxergar a mulher como objeto sexual, ou uma isca para atrair atenção das pessoas, o que penetrou, claramente, em nosso meio cultural, e, que provavelmente tem afetado em graus variados a maioria das mulheres e jovens meninas, independentemente de classe social. Em nossa sociedade não é de se espantar que o corpo de uma mulher seja examinado, comentado e sexualizado.

Psicologicamente, o efeito potencialmente mais perigoso disso tudo é classificar a mulher como objeto, incentivando meninas e mulheres a se enxergarem apenas como uma parte ou um pedaço de carne de seu próprio corpo. É muito comum que através da mídia e também das  interações com as outras pessoas, as mulheres e jovens meninas aprendam que sua aparência física e beleza são mais importantes que seus outros atributos, não é algo negativo o fato de se achar bonita e atraente, mas, geralmente, isso é colocado em primeiro lugar. Refletindo sobre valor, as pessoas tendem a valorizar mais a aparência física do que os atributos emocionais, psicológicos e espirituais.

Nunca houve em toda a história da humanidade mulheres se avaliando mais com base em sua atratividade sexual do que em realizações pessoais. E, assim, a sociedade impõe que você  anuncie o prazer, sendo sexy para ser o ideal de beleza feminina.

Isso não se restringe apenas ao universo feminino, mas também ao masculino, quando de forma desumana se enxerga o homem atraente como aquele que é malhado, com força muscular, demonstrando virilidade e beleza física.

Muito mais do que aparência, fortes habilidades de comunicação com inteligência, conhecimento ou experiência são importantes para promover nossas realizações pessoais. Ser capaz de se comunicar de maneira eficaz, com a intenção de se ter clareza e opiniões válidas e reais de várias maneiras e públicos dos mais variados possíveis, é o que torna você uma pessoa única. Importante também lembrar que a comunicação é algo que fazemos sempre que entramos em contato com outra pessoa.

Uma coisa que aprendi é que, na falta de uma marca, você é uma mercadoria. Você precisa ser uma pessoa conhecida por suas qualidades únicas, pelos seus pontos fortes e talentos. Isso envolve todos os aspectos da sua imagem, seja a qualidade do trabalho, seu comportamento, boas maneiras e estilo. Uma mulher não precisa ser linda, mas precisa ser montada com todas as partes internas e externas, além de ser bem arrumada.

A forma com que nos arrumamos contribui ou desmerece a promoção da imagem da marca. As roupas que nos categorizam como objetos sexuais têm como consequência o olhar  de inspeção do corpo feminino com comentários e piadas sexuais, o que  implica também em assédio e violência sexual. As experiências típicas que ocorrem em mídia social quando muitas mulheres se enxergam apenas como parte e não como o todo,  incluem pornografia ou imagens sexuais transmitidas em anúncios na internet.

Saber se vestir, sem mostrar excessivamente as partes de seu corpo, é uma maneira mais decente de ganhar o respeito das pessoas. Além de que, é importante está dentro dos limites do seu estilo pessoal para manter consistência, sem querer ser uma personalidade que não é.

Como mulher, vejo como precisamos trabalhar mais e com mais inteligência do que todos os outros, pois assim não há muitos obstáculos pela frente, e a melhor forma de avançar é produzir um trabalho extraordinário. Fico preocupada com minha observação de que tem faltado apoio no sentido de orientação entre muitas mulheres. Precisamos nos apoiar para alcançar bons resultados, aprendendo a pedir ajuda e ajudar umas às outras.

Marketing and objectification of women

By Thais Rocholi

Did you know that the people you talk to form an opinion about you in 1 second? Yes, in 1 second! Too bad that many disch’s manage to send a good impression of it to the people around them. Mainly because our personal style is a way of expressing who we really are! A suggestion, that you be a person more attentive to your way of dressing.

It is very common to see advertising on Instagram, do not drive even if it is an erotic behavior, but people with a local behavior. To better explain to you, Eros and Venus are some of the characters in Greek Mythology, Eros was also known as Cupid who sought to fulfill a full and conscious love, already Venus or Aphrodite, considered a protective goddess with prostitutes, a prostitute promoting himself or selling himself . Was that marketing? Perhaps an objectification in Marketing. Advertising contributes consciously and unconsciously to a change in the way people perceive themselves. Eating phenomenon deserves our attention in a very particular way, as many people judge their physical appearance as a common practice of doing Marketing. With this, a set of effects of all kinds arises that must be considered, especially when other people perceive your brand and also on your own way of perceiving your style.

In other words, in many cultures people try to attract public attention to the female body and its sexual parts. It is very frustrating to see women as sexual objects, or as bait to attract people’s attention, which has clearly penetrated our cultural environment, and which has probably affected most women and young girls to varying degrees, regardless of class. Social. In our society it is not surprising that a woman’s body is examined, commented on and sexualized.

Psychologically, the potentially most dangerous effect of all this is to classify women as objects, encouraging girls and women to see themselves only as a part or a piece of flesh in their own bodies. It is very common that through the media and also through interactions with other people, women and young girls learn that their physical appearance and beauty are more important than their other attributes, it is not a negative thing to find yourself beautiful and attractive, but this is usually placed first. Reflecting on value, people tend to value physical appearance more than emotional, psychological and spiritual attributes.

Never in the history of mankind have women rated themselves more on the basis of their sexual attractiveness than personal achievements. And so, society requires you to advertise pleasure, being sexy to be the ideal of female beauty.

This is not restricted only to the female universe, but also to the male universe, when inhumanly the attractive man is seen as the one who is spotted, with muscular strength, showing virility and physical beauty.

Much more than appearance, strong communication skills with intelligence, knowledge or experience are important to promote our personal achievements. Being able to communicate effectively, with the intention of having clarity and valid and real opinions in various ways and audiences of the most varied possible, is what makes you a unique person. It is also important to remember that communication is something we do whenever we come in contact with another person.

One thing I learned is that, in the absence of a brand, you are a commodity. You need to be a person known for his unique qualities, for his strengths and talents. This involves all aspects of your image, be it the quality of work, your behavior, good manners and style. A woman does not need to be beautiful, but she needs to be assembled with all the internal and external parts, besides being well groomed.

The way we dress up contributes or undermines the promotion of the brand image. The clothes that categorize us as sexual objects result in the inspection of the female body with sexual comments and jokes, which also implies sexual harassment and violence. Typical experiences that occur on social media when many women see themselves only as part and not as a whole, include pornography or sexual images broadcast in advertisements on the internet.

Knowing how to dress, without showing your body parts excessively, is a more decent way to earn people’s respect. In addition to that, it is important to stay within the limits of your personal style to maintain consistency, without wanting to be a personality that you are not.

As a woman, I see how we need to work harder and more intelligently than everyone else, because that way there are not many obstacles ahead, and the best way to move forward is to produce extraordinary work. I am concerned by my observation that support for guidance has been lacking among many women. We need to support each other to achieve good results, learning to ask for help and help each other.

O fetiche da autoajuda

Por Thais Oliveira

O maior fetiche que se tem na atualidade é a busca do bem-estar proporcionado pelo sucesso. E, muitos desnorteados utilizam como forma de abstrair a insatisfação que se tem com a própria vida, a busca pela literatura da autoajuda. A tendência absolutamente propagandeada nesse tipo de livro é  motivar a autoestima. Mas não devemos tratar com desdém achando que é um erro que tem como causa a insipiência. A filosofia também erra cada vez que entra em atrito com aquilo que foge à realidade propriamente dita, como a ideia de que a natureza humana seja boa em si e capaz de evoluir.  

De uns tempos para cá, tem surgido uma novidade no mundo contemporâneo quanto ao tema da moral. Como por exemplo, usar a expressão comportamento, em vez de costumes ou hábitos. É mais elegante falar em comportamento do que em ética. Isso talvez possa até fazer algum sentido para você, porque a palavra ética é um fio condutor de eletricidade, mas é melhor deixar pra lá, porque, apesar de haver muito falatório sobre o assunto, ninguém sabe na verdade o que é.

O coaching não se tornou, por causa das lacunas de referências morais ou espirituais, a mais nova maneira de ser politicamente correto em nossa sociedade “perdida”?

Não podemos deixar de refletir sobre a educação contemporânea, sobretudo para que as escolas sejam mais “solidárias”, diretores mais “gerentes”, os próprios professores mais “treinados” e a empresa, fora de suspeita.

Se por um lado, nasce na empresa o desejo de treinar um membro incompetente ou com baixa produtividade, mas que “não é culpado”, e, por assim dizer, seu chefe procura  “pagar” para que ele se torne um coachee, e “fique desenvolvido com o melhor de seus recursos” e ainda, sem que ele desconfie da ideia promissora de que ele foi treinado com as melhores intenções do mundo. Não é de se estranhar em chamar isso de uma nova forma de controle social que resultaria em novos padrões de comportamento?

Por outro lado, com o treinamento, “Não importa a garrafa em minha mão, o melhor mesmo é a gargalhada embriagada”. Em outras palavras, os métodos são uma mescla simplificada, para não falar confusa, de todos os tipos de técnicas, desde terapias comportamentais para serem “consumidas” rápida, fácil e diretamente, afim de transformar a sua vida  ou o seu trabalho num produto de alta satisfação.

Mas, calma! Existem treinadores e treinadores. Felizmente existem! Que de forma pessoal, sua prática é muito ética, que conhece a importância dos contratos para formar a ponte com o cliente, cujo treinamento rigoroso permite o aprofundamento na complexidade das coisas, correndo o risco  sempre de discordar, porque a vida é precisamente lacunas a serem preenchidas, e, principalmente, confronto.

Há algo mais nessa ideia de treinamento comportamental que possui como uma síntese a moral pública  que não se abstém do âmago da hipocrisia, portanto, não é nenhuma novidade fingir virtudes que não se tem. Quem camufla a infelicidade o tempo todo ou passa a ser legal e simpático não é percebido como hipócrita.

A ideia dessa lógica é você se enxergar como uma empresa, você precisa colocar uma planilha de gráficos do excel em sua vida e ter foco e meta, o que gera adoecimento. Esse mal estar romântico de colocar o olhar sempre para coisas positivas é achar que o vício em tecnologia é uma evolução da espécie.

Sem falar que esse otimismo  exagerado de que o ser humano é bom, remonta ao século XV com a filosofia de Pico Della Mirandola, para quem desejar saber mais, procure seu livro “Da Dignidade da Natureza Humana”, a ideia é de que o otimismo está na vontade de se acreditar num homem livre e autônomo.  

O cultivo da ciência como uma forma de conhecimento seguro do futuro humano, mediante o controle das experiências em laboratório, só fez com que se perdesse a essência humana de quem se é, para quem poderia vir a se tornar.

Aprecio o que Thomas Hobbes fala sobre a natureza humana que é egoísta, medrosa e traiçoeira, porque a vida, mediante às tragédias,  revela  sua precariedade essencial. Por isso que  esse filósofo já discursava que o homem é mau e a sociedade o faz menos mau.

A própria ideia de se dizer que todo mundo tem as mesmas competências ou habilidades  é uma grande falácia.  A indústria da autoajuda serve apenas para inflar o ego humano, porque na verdade é um produto grosseiro da velha natureza humana, a vaidade.

The self-help fetish

By Thais Rocholi

The biggest fetish we have today is the search for happiness. And, many bewildered seek to use as a way of abstracting the dissatisfaction they have with their own lives, the search for self-help literature. The absolutely widespread trend in this type of book is to motivate self-esteem. But we should not underestimate it, thinking that it is a mistake caused by insipience. Philosophy also makes mistakes whenever it comes into friction with that which escapes reality itself, such as the idea that human nature is good in itself and capable of evolving.

For some time now, there has been a novelty in the contemporary world regarding the theme of morals. For example, use the expression behavior, instead of customs or habits. It is more elegant to talk about behavior than ethics. This may even make some sense to you, because the word ethics is a conducting wire of electricity, but it is better not to mention it, because, despite being part of everyone’s speech, nobody really knows what it is.

Hasn’t coaching become, because of gaps in moral or spiritual references, the newest way to be politically correct in our “lost” society?

We can not fail to reflect on contemporary education, especially so that schools are more “solidary”, principals more “managers”, the teachers more “trained” and the company, out of suspicion.

If, on the one hand, the company is born with the desire to train an incompetent or low-productivity member, but who is “not to blame”, and so, his boss seeks to “pay” so that he becomes a coachee, and “becomes developed with the best of your resources “and still without him distrusting the promising idea that he was trained with the best intentions in the world through this training program. Isn’t it strange to call this a new form of social control that would result in new patterns of behavior?

On the other hand, with the training, “It doesn’t matter which bottle is in my hand, the best part is drunken laughter”. In other words, the methods are a simplified, not to mention confused, mix of all types of techniques, from behavioral therapies to be “consumed” quickly, easily and directly, in order to transform your life or work into a product of high satisfaction.

But, calm down! There are coaches and coaches. Fortunately there are! That in a personal way, his practice is very ethical, that he knows the importance of contracts to form the bridge with the client, whose rigorous training allows the deepening in the complexity of things, always running the risk of disagreeing, because life is precisely gaps to be filled, and, mainly, confrontation.

There is something more in this idea of ​​behavioral training that has public morality as its essence, which is still a hypocrisy, so it is nothing new to pretend virtues that you don’t have. Anyone who pretends to be happy all the time or to be nice and nice is not perceived as a hypocrite.

The idea of ​​this logic is that you see yourself as a company, you need to put an excel chart spreadsheet in your life and have focus and goal, which creates illness. This romantic malaise of always looking for positive things is to think that technology addiction is an evolution of the species.

Not to mention that this exaggerated optimism that the human being is good, dates back to the 15th century with the philosophy of Pico Della Mirandola, for those who want to know more, look for his book “Da Dignidade da Natureza Humana”, the idea is that optimism is willing to believe in a free and autonomous man. The cult of science as a form of secure knowledge of the human future, through the control of laboratory experiments, only lost the human essence of who you are to whom you could become.

I appreciate what Thomas Hobbes says about human nature that is selfish, fearful and treacherous, because life, through chaos, reveals its essential precariousness. That is why this philosopher was already saying that man is bad and society makes him less bad.

The very idea of ​​saying that everyone has the same abilities is a great fallacy. The self-help game serves only to inflate the human ego, because it is actually a crude product of the old human nature, vanity.