A ideia do Sagrado

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Imagem da internet.

Por Thais Oliveira

Você deve está se perguntando por que situações como as que estamos vivenciando agora acontecem, apesar do enorme progresso científico e tecnológico  de nossos dias. Importante refletir que o Universo continua sendo um enigma incomensurável e que o ser humano sem Cristo nada pode fazer.

Toda criação é atribuída ao Pai, a redenção ao Filho e a santificação ao Espírito, convido você a tirar esses dias de quarentena para ler o Novo Testamento e conhecer sobre os mistérios de Deus.  Lá está escrito que o Pai criou tudo por intermédio do seu Filho: tudo foi criado através de Cristo e para Cristo (Colossenses  1:15-17). Tudo foi feito por intermédio da Palavra (o Logos), e sem ela nada  foi feito de tudo o que existe (João 1:3).

Se você tiver algum  livro de Inácio de Loyola verá que ele ressalta que com  força que a Terra, o Universo e tudo o que possui, incluindo-se aí, eu e você, são obras de um Criador transcendente.

Estou fazendo um trabalho sobre Rudolf Otto, analisando o livro: A ideia do Sagrado, e tenho aprendido muito com isso, ele diz que  os atributos que percebemos nas pessoas atuam como um mediador da percepção e experiência com o Ser divino. Então, tudo o que percebemos de bondade original nas pessoas é uma experiência com os atributos de Deus!

Ao ler o livro de Jó, o servo que perdeu tudo o que tinha nessa vida, desde bens materiais,  família e saúde, teve a oportunidade de se encontrar com Deus e mudar sua percepção acerca do divino.

Leia o livro de Jó e veja o tamanho de sua fé: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito. Mas agora meus olhos te viram”.

Talvez em sua mente, essa experiência de ouvir e ver a Deus seja algo impossível.  Mas para Agostinho de Hipona é atribuída uma certeza que  comprova esta ideia: “si comprehendis, non est Deus” (se você entender, não é Deus). Será que Agostinho tem razão? Será que Jó também tem? De que forma devemos  caminhar rumo ao entendimento sobre a experiência do Sagrado?

Rudolf Otto aborda o Sagrado te desafiando: Para toda e qualquer ideia sobre  Deus, especialmente para nós que somos cristãos, é importante que se tenha uma definição da divindade com clareza, caracterizando-a com os atributos do divino. Isso quer dizer, que se deve ter  conceitos claros e nítidos, acessíveis ao pensamento. Se racionalizarmos aquilo que pode ser pensado com essa clareza de conceitos, devemos atribuir com racionalidade a essência da divindade descrita nesses atributos. E reconhecer o que diz  Jó 42.5. Fé é convicção, é o contrário daquilo que sentimos.

Porém estes atributos jamais conseguirão comunicar ou expressar a totalidade da divindade. Fé vai além de um sentimento, como muitas religiões tentam passar, é experiência com o divino. Pois muitos de nós ficamos pensando em nossas  habilidades racionais, em nossas próprias condições de articular conceitos e compreensões, é natural que nos esforcemos em nossos próprios pensamentos racionais para entender a experiência na religião. Embora parafraseando Santo Agostinho em “Confissões”,  ele diz que  “a medida do pensar é pensar sem medida”. Há um cuidado que se deve ter, com o lado da religião, que não devemos agir também sem a razão, dentro de um aspecto irracional, mas agir prudentemente.

No idioma alemão, o termo usado para se referir  ao Sagrado é das Heilige, que pode ser usado para santo (substantivo), sendo helig o termo usado para santo quando é adjetivo. Na religião bíblica, o termo equivalente no Antigo Testamento  em hebraico é qadôsh, e no grego do Novo Testamento é hagios. No latim, sanctus ou sacer são as palavras usadas para fazer referência ao Sagrado.

Esses são os princípios do Sagrado, sobre Deus. O Sagrado, mesmo possuindo aquilo que é passível de racionalização ou conceituação, ele foge a essa condição. Mesmo que se relacione o Sagrado ou Santo a uma pureza ética e moral, ou a um elemento ou pessoa que seja boa e amável, o Sagrado não pode ser confundido com a ética ou moral.

Deste modo, o  Rudolf Otto ressalta que detectar e reconhecer algo como sendo “sagrado” é, primeiramente, se avaliar se isso acontece no campo religioso. Embora contenha a ética, não é daí que vem a ideia do sagrado. É algo que foge ao aspecto racional, é árreton [“impronunciável”], um ineffabile [“indizível”] na medida em que foge totalmente à apreensão conceitual.

Pensar Deus é pensar além da nossa compreensão humana, é um assombro provocado por algo externo ao ser humano. Assim, qualquer esforço racional no sentido de compreendê-lo será frustrado, pois Ele está mais para a experiência, não para ser explicado.

Não devemos pensar  que  “O ser humano percebe o que há de melhor em si e elevar esses atributos a um ser, e assim criar Deus”, pois  Deus não é uma criação humana, mas os atributos perceptíveis no ser humano  que  rodeiam a mim e a você é a percepção e a experiência com o Ser divino.

Se a dor  e a angústia apertar lembre-se de Jó: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito. Mas agora meus olhos te viram”. Somos criaturas com um sentimento que “afunda e desvanece em nossa nulidade perante o que está acima de toda criatura”.

O “sentimento de criatura”  é na verdade  um  efeito colateral, subjetivo, um  sentimento de medo que se deve  primeiramente e diretamente a uma situação que foge ao nosso controle.

É aí que vemos Deus, “Ente sobrenatural, do qual ainda não há noção mais precisa”. Somente quando se vivencia a presença de Deus é que o sentimento de criatura pode surgir como reflexo na psique, percebemos então que existe uma realidade além, imensurável, imprevisível. Que nós possamos alimentar nossa mente de que a experiência com Deus dispensa definições que tendem a esgotá-la, dispensa articulações racionais. Tenhamos fé em Jesus Cristo!

The Idea of ​​the Sacred

By Thais Oliveira

You must be wondering why situations like the ones we are experiencing now, despite the enormous scientific and technological progress of our day. It is important to reflect that the Universe remains an immeasurable enigma and that the human being without Christ can do nothing.

All creation is attributed to the Father, redemption to the Son and sanctification to the Spirit, I invite you to remove these quarantine days to read the New Testament and learn about the mysteries of God. There it is written that the Father created everything through his Son: everything was created through Christ and for Christ (Colossians 1: 15-17). Everything was done through the Word (the Logos), and without it nothing was done of everything that exists (John 1: 3).

If you have a book by Inácio de Loyola you will see that he stresses that with force that the Earth, the Universe and everything he owns, including himself and I, are the works of a transcendent Creator.

I am doing a work on Rudolf Otto, analyzing the book: The idea of ​​the Sacred, and I have learned a lot from it, he says that the attributes that we perceive in people act as a mediator of perception and experience with the divine Being. So, all that we perceive of original goodness in people is an experience with the attributes of God!

In reading the book of Job, the servant who lost everything he had in this life, from material goods, family and health, had the opportunity to meet God and change his perception of the divine.

Read the book of Job and see the size of your faith: “My ears had already heard of you. But now my eyes have seen you ”.

Perhaps in your mind, this experience of hearing and seeing God is impossible. But for Augustine of Hippo a certainty is attributed that proves this idea: “si comprehendis, non est Deus”. Is Augustine right? Does Job have it too? How should we move towards understanding the experience of the Sacred?

Rudolf Otto approaches the Sacred challenging you: For any and all ideas about God, especially for us who are Christians, it is important to have a clear definition of divinity, characterizing it with the attributes of the divine. That is to say, that one must have clear and sharp concepts, accessible to the thought. If we rationalize what can be thought with this clarity of concepts, we must rationally attribute the essence of the divinity described in these attributes. And recognize what Job says 42.5. Faith is conviction, it is the opposite of what we feel.

However, these attributes will never be able to communicate or express the totality of divinity. Faith goes beyond feeling, as many religions try to pass, it is experience with the divine. For many of us are left thinking about our rational abilities, our own conditions for articulating concepts and understandings, it is natural that we strive in our own rational thoughts to understand the experience in religion. While paraphrasing Saint Augustine in “Confessions”, he says that “the measure of thinking is thinking without measure”. There is a care that must be taken, with the side of religion, that we must not act without reason, within an irrational aspect, but act prudently.

In the German language, the term used to refer to the Sacred is das Heilige, which can be used for santo (noun), helig being the term used for santo when it is adjective. In biblical religion, the Hebrew equivalent of the Old Testament is qadôsh, and in New Testament Greek it is hagios. In Latin, sanctus or sacer are the words used to refer to the Sacred.

These are the principles of the Sacred, about God. The Sacred, even possessing what is capable of rationalization or conceptualization, it escapes this condition. Even if the Sacred or Saint is related to an ethical and moral purity, or to an element or person who is good and kind, the Sacred cannot be confused with ethics or morals.

In this way, Rudolf Otto emphasizes that detecting and recognizing something as being “sacred” is, first, to assess whether it happens in the religious field. Although it contains ethics, that is not where the idea of ​​the sacred comes from. It is something that escapes the rational aspect, it is arreton [“unpronounceable”], an ineffabile [“unspeakable”] insofar as it totally escapes conceptual apprehension.

To think God is to think beyond our human understanding, it is a wonder caused by something external to the human being. Thus, any rational effort to understand him will be frustrated, since he is more for the experience, not to be explained.

We must not think that “Human beings perceive the best in themselves and raise these attributes to a being, and thus create God”, because God is not a human creation, but the perceptible attributes in the human being that surround me and to you is the perception and experience with the divine Being.

If pain and anguish squeeze, remember Job: “My ears had already heard of you. But now my eyes have seen you ”. We are creatures with a feeling that “sinks and vanishes in our nullity in the face of what is above every creature”.

The “creature feeling” is actually a side effect, subjective, a feeling of fear that is primarily and directly due to a situation that is beyond our control.

This is where we see God, “Supernatural being, of which there is no more precise notion”. Only when one experiences the presence of God can the feeling of a creature emerge as a reflection in the psyche, do we realize that there is a reality beyond, immeasurable, unpredictable. exhausting it, dispenses with rational articulations. Let us have faith in Christ Jesus!

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