Estação do Tempo Comum

Por Thais Rocholi

De acordo com a sabedoria popular, analisando os anos, a terceira semana de janeiro é a semana que as pessoas se sentem mais para baixo, devido às dívidas que ficaram do ano anterior e a tristeza pelo desvanecimento das lembranças do Natal. O nível de motivação e a necessidade de resoluções de Ano Novo fracassadas contribuem assim para uma sensação geral de mal-estar. Quando pensamos no calendário e olhamos para todos aqueles meses, janeiro pode parecer mais inimigo do que amigo.

Para nosso consolo, existe outro tipo de calendário, outra maneira de marcar o tempo. O Calendário do Tempo Comum, cujo presente para nós, segue o ritmo aparentemente normal dos nossos 24 dias em uma história muito mais rica e duradoura. Alguém já lhe desejou um “Feliz Ano Novo”… no final de novembro? Isso sempre acontece comigo e desde que me entendo por gente, várias vezes por todos os anos. Mesmo sabendo da proximidade do Natal em dezembro e do Ano Novo em janeiro, parece soar um pouco estranho.

Se você é membro de uma igreja altamente litúrgica, como a católica, a episcopal ou a luterana, o que acabei de dizer faz sentido. Por outro lado, os ortodoxos orientais, se leem isso vão achar que o natal comemorado por nós em dezembro é um pouco atrasado, pois o ano ortodoxo começa em setembro e isso inclui várias festas e jejuns que não fazem parte do ano cristão ocidental.

Por exemplo, o que os cristãos ocidentais chamam de Advento, para os cristãos ortodoxos, é chamado de Natal ou Jejum da Natividade, que começa em 15 de novembro e é uma temporada de 40 dias de jejum sério em preparação para a temporada de 12 dias do Natal. Mas se você não está envolvido em nenhuma igreja, é melhor eu explicar o que estou falando.

O calendário cristão, às vezes chamado de ano da igreja ou ano litúrgico, é uma maneira secular que muitos cristãos ordenaram o ano de 365 dias. Depende, não das posições do sol e da lua, nem do início e do fim das aulas, mas está entrelaçada aos aspectos-chave da vida de Cristo que são coordenados com o calendário solar.

Não vamos confundir o calendário cristão com um calendário de listas de reuniões e aniversários de membros de igrejas. Contudo serve para refletir sobre algo mais importante, o ritmo antigo de dias e observâncias. Todas essas grandes celebrações do ano litúrgico no Advento e no Natal e na Quaresma e na Páscoa fazem parte simplesmente do velho Tempo Comum.

Por isso, celebramos momentos muito específicos da vida de Jesus, que para quem não sabe, a origem desse nome vem do grego, traduzido para o hebraico como Josué (“aquele que salva”). “Cristo” (grego: Christos) que foi traduzido do hebraico “Meshiach”(Messias). “Messias” significava “ungido”, onde a unção fazia parte do ritual de coroação de Deus para os reis judeus. “Jesus o Cristo” foi encurtado com o tempo para Jesus Cristo, começando com as cartas Paulinas nas décadas de 50 e 60 do século I d. C.  Quando vivemos essa sazonalidade, estamos imergindo nossas vidas na vida de Jesus, celebrando as estações da igreja.

A princípio, quando pensamos em Tempo Comum do calendário cristão, a designação pode parecer um pouco peculiar, já que a palavra “comum” costuma ser associada a coisas sem importância, insignificantes ou simplesmente chatas. Mas vamos pensar em nossa rotina diária que organizamos em cima dos calendários, por exemplo, o ano letivo é o que vai determinar se é o tempo de estudar ou tempo de descansar, se é o tempo de dormir ou o tempo de ficar acordado para realizar as atividades escolares.

O mesmo ocorre com o mercado de trabalho, sistematicamente, a maioria das pessoas seguem o ritmo ditado pelo ano fiscal do mundo empresarial que nem sempre coincide com o ano civil, pois cada vez mais definimos o nosso ano com um orçamento anual e temos cada vez menos tempo de descanso e tranquilidade por causa da insegurança desse tempo de pandemia.

O calendário cristão no início da Igreja, no século III e IV nos ensina mediante ao que acontece que o tempo pertence a Deus e podemos olhar para o nosso tempo, o nosso ano de 12 meses com uma nova narrativa. O calendário cristão é organizado diante da narrativa de uma revelação de Deus, de sua ação no mundo e em nossas vidas. Assim, como estamos em setembro, estação do tempo presente, limpamos nossos olhos e acordamos com o sofisticado balé dos estímulos de Deus. O ritmo ensinado nesse calendário nos ajuda a abraçar as tensões de nossa realidade dentro da perspectiva dessa grande narrativa.

Raramente não pensamos em nossos projetos de curto e longo prazo, como o mestrado, o doutorado, a viagem internacional no final do ano, a mudança de cidade, então tudo é planejado de acordo com a narrativa de vida daqui. Só que é mais do que suficiente a gente se enxergar dentro da narrativa que Deus está contando na história. Vamos pensar que Deus está numa missão, pois algo já aconteceu e nós estamos caminhando para o futuro. O Tempo Comum enfatiza Deus como o Eterno Agora. Isso nos humilha com a lição de que estamos mais com Deus quando estamos no momento presente.

No Advento, nos preparamos para Deus conosco, no Natal, celebramos Deus conosco e, durante a Epifania, entramos em uma vida com Deus. Na Quaresma nos preparamos para a nossa própria morte e a morte de Jesus, na Páscoa celebramos que ele morreu, ressuscitou e nós com Ele. Já quanto ao Pentecostes e a Maré do Reino, vivemos sua ressurreição e a nossa.

Existem coisas na narração da sazonalidade do meu ano que espero que você deseje adotar. Quem pode festejar o tempo todo sem se tornar um glutão? Quem pode jejuar ou lamentar o tempo todo sem perder a cabeça? Quando nossos dias perdem o dom da gratidão e da celebração, nos tornamos um povo deprimido e moribundo. Assim como as estações físicas estabelecem o ritmo da terra, a estação da igreja pode definir nosso ritmo ao ritmo de Cristo.

Como todas as épocas litúrgicas, o Tempo Comum foi feito para ser vivido! Não somos apenas espectadores da liturgia ou pelo menos não deveríamos ser, quem sabe trocamos o “s” para o “x” a fim de termos maiores expectativas. Somos chamados a ser participantes ativos! Participar do Tempo Comum significa participar da vida cotidiana de Jesus.

Agora, não demoro a acrescentar que nada nas Escrituras exige o reconhecimento do ano litúrgico. Não temos no Novo Testamento nada semelhante a Levítico 25, onde Deus estabelece para Israel os principais jejuns e festas durante o ano. Quanto a isso, embora o ano litúrgico seja estruturado em torno da história bíblica de Jesus, não é uma ordem que está nas Escrituras como os feriados judaicos para os judeus.

Obviamente, os judeus também não devem celebrar a Páscoa da mesma forma que nós. O calendário cristão, portanto, não é algo que todos os cristãos devem observar, ou devem observar exatamente da mesma maneira. Até porque os crentes ortodoxos orientais têm um padrão diferente ao longo do ano e até celebram a Páscoa em um dia diferente! Mas vamos ao calendário:

Advento: quatro semanas. Cor Azul Real

Natal: Doze dias, até a véspera da Epifania em 5 de janeiro. Cor branca

Epifania: Oito semanas, algumas semanas mais ou menos dependendo de quando a Páscoa cair; mais um pouco no início e um pouco no final para nos levar à Quarta-feira de Cinzas para a Quaresma. Cor verde

Quaresma: cinco semanas, mais um pouco no início e uma semana inteira de Semana Santa. Cor roxa

Maré de Páscoa: Sete semanas até o Domingo da Trindade. Cor: Dourado ou Branco

Pentecostes: Uma semana, incluída na primeira semana da Maré do Reino. Cor vermelha

Maré do Reino (freqüentemente chamada de Tempo Comum): Vinte e Oito semanas, algumas semanas a mais ou a menos dependendo de quando a Páscoa cai. Cor verde

Agora me diga, quando começa o seu ano?

Contribua para a expansão da minha rede de contatos profissionais publicando este artigo em suas redes sociais, a fim de melhorar meu desempenho e prosseguir com este trabalho.

O Shemitá e os acontecimentos na história que envolve grandes potências

Las espigadoras, Jean-François Millet (1814-1875) – Museo d’Orsay, París.

Por Thais Rocholi

Um ano Shemitá acontece a cada sete anos, é um ano Sabático: o sétimo ano de uma sequência de sete anos. Até o último dia de um ano Shemitá, palavra hebraica que significa “deixar livre” ou “retirar-se”, Deus dá uma ordem para que haja perdão de dívidas uns dos outros. Quando perdoamos as dívidas uns dos outros, até o fim do ano Shemitá, temos mais liberdade em Deus e ficamos mais leves. No entanto, se do contrário, não houver perdão que vem com um arrependimento para Deus, há um grande juízo.

Os ciclos das nossas vidas possuem uma energia espiritual dinâmica e exclusiva em cada estação. Estamos começando o Shemitá de setembro de 2021 a setembro de 2022, um tempo para verificarmos a fonte de todos os males e nos arrependermos. Todas as tragédias que ocorrem na humanidade são consequências de erros dos nossos antepassados.

Para começar, decidi, portanto, estudar o Shemitá de 1973 dos EUA, durante o conflito mais emblemático do período da Guerra Fria, foi o marco mais humilhante da história militar norte-americana, o que culminou na crise do petróleo. No mesmo ano, foi aprovada a lei do aborto internacional, após uma guerra jurídica que vinha desde os anos de 1970.

É curioso que a ideia da construção do World Trade Center começou em 1945, simplesmente porque altas torres simbolizam poder. Os EUA com todo o seu aparato faustuoso, sempre desejou mostrar poderio através das Torres Gêmeas que denotam poder e força,  e, assim, foi o início da sua construção em 1966, no ano de Shemitá. Esse período marcou o ano de ascensão dos EUA como potência mundial, e como resposta para as outras nações, concluiu a construção das Torres Gêmeas em  1973. Um outro marco mais recente que teve um impacto muito grande no mundo foi o ataque do 11 de setembro de 2001, culminando na queda dos prédios no ano de Shemitá.

Contamos semana de anos e jubileus desde os tempos primórdios de Adão, isso porque Deus conta o tempo a partir de lá. Essa lei divina, que Deus estabeleceu com Israel, não está restrita somente ao povo judeu, já que diz respeito ao mundo todo.

Logo, Deus interage com o mundo dessa forma. Analisando que durante o Shemitá do ano de 1776 os EUA declararam sua independência, o que ocorreu foi que apenas em 1789 os três poderes se completaram. Vamos analisar o discurso de George Whashington em 30 de abril de 1789 quando reuniu o povo para dedicar o novo governo à santa proteção e bênção do Altíssimo: “os sorrisos propícios do céu jamais poderão ser esperados por uma nação que desconsidera as regras eternas da ordem do que é correto que o próprio céu ordenou”.   

Nesse dia, ele fez uma convocação da igreja que ficava ao lado do terreno para que orasse entregando toda a nação americana nas mãos de Deus, suplicando por proteção e bênção divina durante o marco do Shemitá.

Hoje a capital dos EUA é Whashington, mas em 1789 era Nova Iorque. O terreno onde George Whashington fez a oferta de consagração da nação a Deus, suplicando “os sorrisos do céu”, enquanto a nação fosse fiel às regras de Deus era o marco zero, onde construíram as Torres Gêmeas. Toda nação que se opõe às regras de Deus, aos princípios e a Verdade que vem dEle, não recebe as bênçãos dos céus.  A igreja que fez a oração, permaneceu ao lado e se multiplicou no mesmo local. Mesmo com a queda das torres, a igreja não sofreu abalo durante o impacto do atentado do 11 de setembro de 2001.

No dia seguinte, dia 12 de setembro de 2001, o congresso americano cheio de soberba convocou uma assembleia para dar uma resposta nacional, não demorando muito para mencionar o texto de Isaías 12:10, dentro de um contexto não muito agradável quando lemos o início de Isaías 9:10.

O significado do texto aponta para um juízo de Deus e não como promessa de bênçãos para que se levantem depois da queda. Eles próprios passaram a se reconhecer como objetos desse texto. Dentro do contexto de Israel, vemos que eles iriam fazer a reconstrução com pedras lavradas. Em hebraico, a palavra pedra é Gaziyth, tem como significado pedra talhada, pedra cortada ou escavada em rocha de montanha.

Três anos depois, julho de 2004 nos EUA, eles cortam uma pedra de uma montanha, fazendo um bloco retangular para levar ao local do marco zero. Essa pedra foi denominada de “Pedra da Liberdade”. Já se deduzia que este seria o primeiro passo para reconstrução da torre. Com o coração duro e resistente, escreveram uma mensagem que levou a cabo qualquer ataque. O governador de Nova Iorque em seu discurso falou: “Hoje nós herdeiros daquele revolucionário espírito de desafio, colocamos esta pedra angular”.

Esse problema da pandemia tem uma relação muito grande com o que tem acontecido nos EUA também. Quando a Babilônia começa a cercar Israel, e como resultado passa “a assediá-la”, por si só, é uma catástrofe que deve ser combatida.

Quando nos voltamos para a Bíblia, a falta de arrependimento do povo judeu causou todas as calamidades posteriores, e por este motivo devemos atribuir e evocar um sentido mais profundo para aquilo que Deus quer fazer. Os EUA foi o país mais afetado pela Covid, se compararmos toda essa crise mundial. Basta observar Nova Iorque, que não se arrependeu de nenhum de seus feitos. Em 9 de agosto de 2015, ano de Shemitá, fizeram projeções de deuses estranhos nos edifícios.  Não houve arrependimento, portanto não há remissão de pecados.

Dia 7 de setembro de 2022 o Brasil irá completar 200 anos de independência e nossa liberdade de expressão hoje tem sido ameaçada e não apenas isso, mas a Constituição Federal Brasileira está por um agravo de ser rasgada. Esse é o motivo de muitos de nós irmos às ruas no dia 7 de setembro desse ano para nos mobilizar contra a censura das redes sociais, que trabalham no centro de resistência a tudo que diz respeito aos cristãos.

Não basta se sujeitar às regras dos sistemas midiáticos quando nos cadastramos. No entanto, se defendermos os princípios, a Vida, a Verdade e a nossa Constituição Federal Brasileira, sofremos censura por todos os lados. Isso porque os valores ali contidos têm sido constantemente desrespeitados, como já vem acontecendo em muitos países, seja face à legalização de drogas, aborto até o dia do nascimento com o lema criminoso “abortos seguros, mas poucos abortos”, a soltura de ladrões que assaltaram o bolso dos contribuintes, terroristas governando países, manipulação da cabeça da juventude contra as bases da família e sabe mais o que vier pela frente.

E se você  acha que não tem nada haver com isso, saiba que até a liberdade que você tem de decidir o que seus filhos podem ou não aprender sofre ameaça. Como disse Ronald Reagan: “A liberdade nunca está a mais do que uma geração de sua extinção. Não a transmitimos aos nossos filhos pelo sangue. Devemos lutar por ela, protegê-la, e entregá-la a eles para que façam o mesmo”.

Você vai continuar em silêncio ou seremos omissos ao perigo da ditadura?

Carta aberta ao ameaçador

Rescue the truth immediately! To the dear menacing bandit of defenseless women:
I don't have biticoins to give you, but as you have this obsession with trying to take me to the gallows or the guillotine, I send you my biography for you to reflect a little.
No major sacrifices for the moment! Enjoy the wealth of the nobles

Reflexões sobre o livro Dom Quixote

Dom Quixote faz uma “leitura” sobre os moinhos de vento como se fossem gigantes e, logo depois, interpreta como se fossem moinhos de vento normais, para que o leitor tenha como exemplo a ficção de forma a vivenciar a história tanto quanto o personagem.

Por Thais Rocholi

Ao se refletir sobre literatura, pensamos que nunca foi muito fácil estudar, porque sempre encontramos uma certa complexidade nos textos de ficção, cuja produção traz uma riqueza de ambiguidades, que nos remete à horas de interpretação. Mas se deixarmos o lado negativo tomar conta de nós, podemos nos esconder por trás de uma postura de indiferença. Nossa tendência é ficar estável para a palavra impressa e instável para analisar, ao que se poderia dizer que esta é a hora de processar o texto em nossa mente.

A arte da retórica é muito mais do que o manejo com as palavras, ideias e mensagens, mas é uma forma ensinar estudos de escrita e comunicação ou mesmo a fala, que conta com a retórica para transmitir com delicadeza aquilo que escapa sem tanta discrição. A retórica é uma via de mão dupla que sempre envolverá o emissor e o receptor do discurso.

O livro Dom Quixote sem sombra de dúvida nos surpreende quando acreditamos que o episódio do moinho de vento está no centro. Para começar, é um pouco enfadonho, a nossa tendência as vezes é relegar, mas é preciso começar com a primeira página sentado numa mesa.

Como no livro, você sentirá fortes doses de rebeldia, de humor, de paródia, até que organize toda a trajetória narrativa, cuja explicação revela o significado dos termos já mencionados no texto. A escrita é inscrita na narrativa, obviamente, naquilo que lemos. Num golpe de mestre, Cervantes faz com que o narrador inicial, um de um corpo de personas narrativas, insista no fato de que os episódios contados formem a “verdadeira história” de Dom Quixote.

Logo no começo, passa a reconhecer e a refutar, a diferença aristotélica entre a objetividade da história e a subjetividade da ficção. O narrador defende a verdade absoluta, enquanto que em outros aspectos há indicação de que a verdade é relativa.

Junto com sua nostalgia alimentada e eliminada pelo romance cavalheiresco, Dom Quixote é povoado por personagens emblemáticos de precedentes cômicos, chulos, pastorais, teatrais e poéticos. O analfabeto Sancho Pança pode ser considerado um exemplo de legado da cultura oral. A sobrinha e a governanta de Dom Quixote, junto com seus amigos, o padre e o barbeiro, determinam que os livros da biblioteca do cavaleiro sejam queimados, classificando-os como ofensivos, que nos remete à crítica literária e alegoria da Inquisição.

Dom Quixote é uma homenagem à todos nós que desejamos aprender literatura e interagir intimamente entre duas personalidades que ilustram a busca do Eu no Outro, tal como o relacionamento entre os personagens de Dom Quixote e de Sancho Pança.

Dom Quixote reflete o início da Espanha moderna: sua ânsia para a unidade política e religiosa, sua obsessão com a pureza do sangue e regras que denotam à honra, sua rígida censura do discurso e da arte, suas divisões sociais e de classe, seus problemas econômicos, e sua projeção de uma sensibilidade barroca, entre outros elementos.

Um novo mundo, uma nova ciência e um novo embate religioso, a Reforma contra uma Contra-Reforma, acompanham mudanças que deixam a sociedade cada vez mais complexa, com mais acesso à leitura e à discussão. Estas são algumas características do cenário de Dom Quixote que estão codificados no texto. De uma forma ou de outra, Dom Quixote é, inquestionavelmente, uma imersão em literatura, retórica, poética, história, teologia, ética, sátira e o poder da imaginação.

Dom Quixote apresenta a própria teoria prática, uma síntese sobre leitura, escrita, vida e arte. Uma sensação de lacunas preenchidas. Logo, você começará a formar seu plano de leitura. Cervantes reconhece o passado cultural e prevê o futuro do romance e da teoria.

Don Quichotte, manuscrito original do piano e partitura vocal com as anotações de Massenet.

” Dans le chemin raviné de la vieille forêt. C’est la nuit. Une nuit étoilée très claire.

Jupiter brille dans tout son éclat.

Don Quichotte repose, la tête contre le tronc d’un chêne.

Sancho le veille comme un enfant ; il attise un feu de sarments qui réchauffera son “grand”.

“No caminho esburacado da velha floresta. É noite. Uma noite estrelada muito clara.

Júpiter está brilhando.

Dom Quixote está com sua cabeça contra o tronco de um carvalho.

Sancho o vigia como uma criança; ele acende um fogo de ramos que vai aquecer seu ‘grande’ “.

Quando a música desperta sua criatividade

Foto por Pixabay

Por Thais Rocholi

Quando comecei a escrever meu livro, reunindo o que deveria conter no material, algumas pessoas me perguntaram se eu iria escrever sobre música. É um assunto muito estimulante e logo me veio a cabeça sobre como grandes artistas têm suas ideias mais brilhantes? E por meio de que tipo de processo alquímico eles são capazes de dar vida a essas ideias?

Confesso que fiquei bastante ansiosa quanto as respostas que teria e por muito tempo passei a ler e fazer algumas anotações. Não posso esconder minha fascinação pelas vidas e mentes de artistas inovadores que sempre brilharam em seus trabalhos, o que me levou a uma busca para descobrir o que os torna tão criativos, como surgem essas ideias e como elas ganham vida. Toda essa cultura musical tem suas peculiaridades, mas mesmo depois de pesquisar muito sobre criatividade, ficou mais perguntas do que respostas em minha mente.

Ficar sozinho para algumas pessoas pode parecer algo absolutamente estranho, mas para outros, ficar sozinho às vezes pode ser agradável. Você pode relaxar mais a sua mente para a criatividade, enquanto faz um balanço e recarrega as baterias. De qualquer forma, quando ficamos sozinhos somos inspirados a um sentimento positivo, sendo descrito como um estado de solitude, um tempo muitas vezes dedicado à reflexão e à criatividade.

As vezes a criatividade nos deixa um pouco desconcertados, o que não é tão diferente do que aconteceu com os antigos. 

É claro que quando se fala em criatividade, algumas pessoas criativas são complexas e contraditórias. Seus processos criativos são bem caóticos e demonstram o que está acontecendo em seus cérebros.

Ao contrário do “mito do cérebro direito”, a criatividade não se mantém apenas numa única região do cérebro ou mesmo num único lado do cérebro. Nada transmite melhor a mensagem de que o processo criativo que envolve todo o cérebro. O que posso dizer é que acontece uma interação dinâmica de muitas regiões cerebrais, estilos de pensamento, emoções e sistemas de processamento inconsciente e consciente que se unem de maneiras incomuns e inesperadas.

Se existe algo que eu adoro para compensar os dias cada vez mais curtos é escutar música para ter motivação de manhã, percebo que escrevo melhor, sem falar que também coopera quando preciso de uma emoção muito precisa para criar uma cena. É preciso reconhecer que encontro tudo isso graças à música. As vezes a música me ajuda a entrar no clima de uma escrita, na atmosfera de uma cena que estou criando. Fui destinada a conhecer um francês que adora trocar cartas, um símbolo perfeito para um relacionamento afetivo. A criatividade é sempre surpreendente em cada estação na França, desde escrita na neve com delicados bonecos de neve até toque de flores, conferindo muita presença alegre das cores e tudo isso permeado por música.

Quando recebo alguém em casa para reunião de amigos, normalmente, coloco uma música de fundo bem baixinho. Certa vez, uma amiga me falou que desde quando passou a cultivar o hábito de ouvir Jazz, teve mais senso de improvisação, conseguindo fazer uma reunião inteira de uma hora e meia na internet sobre um tema cultural apenas porque tinha Jazz como fundo musical. Ela não se lembrava de ter uma companhia mais gostosa na vida. O que eu poderia dizer? Da próxima vez vou lembrar que amigas jamais devem deixar amigas fazerem reuniões virtuais em carros sem a companhia do Jazz.

O Jazz tem raízes profundas, a música é estruturada em torno de três acordes e em 12 compassos, como praticamente todas as canções de blues. Seus sons de curral o conectam ao cenário das canções de trabalho que os trabalhadores rurais negros cantariam. Sua batida num papel mezzo-soprano, comum a grande parte do jazz indica a tradição de chamada e resposta das igrejas batistas negras dos Estados Unidos.

O clarinete, a corneta e o trombone em seu arranjo refletem a influência da música de marcha, que foi muito popular em Nova Orleans durante e após a Guerra Civil e resultou em um excesso de instrumentos de sopro e metais flutuando pela cidade para os músicos em potencial tocar. Seu piano vem da tradição rítmica do primeiro gênero musical autêntico norte-americano, a forma musical que procedeu diretamente ao Jazz.

Algumas músicas tem seu estilo de guitarra sutilmente estimulador com seu canto rico e relaxado, em que frases melódicas eram repetidamente misturadas com apartes falados. Os dois elementos tem um contraponto aguçado de música vocal e instrumental. O efeito é o de uma conversa criativa entre o homem e seu violão.

É mais do que suficiente falar que o processo criativo começa com a preparação, reunindo informações e materiais, identificando fontes de inspiração e adquirindo conhecimento sobre tudo o que envolve aquilo que fazemos ou o problema em questão. Muitas vezes, começa com uma reflexão interna, em outras vezes externamente quando saímos pelo mundo reunindo recursos e materiais expertise.

Em sua essência, qualquer processo criativo consiste em descobrir algo novo dentro da gente, mas depois, a gente traz esse algo novo ao mundo para que as pessoas experimentem e desfrutem. O trabalho do artista, do visionário, do inovador é fazer uma ponte entre seus mundos interno e externo, juntando aquilo que só existe em sua própria mente, coração e alma, dando à luz de um jeito concreto e tangível.

As trocas continuam nos comentários!

Quand la musique stimule votre créativité

Par Thaïs Rocholi

Quand j’ai commencé à écrire mon livre, à rassembler ce que le matériel devait contenir, certaines personnes m’ont demandé si j’écrirais sur la musique. C’est un sujet très excitant et il m’est vite venu à l’esprit à quel point les grands artistes ont leurs idées les plus brillantes ? Et par quel genre de processus alchimique sont-ils capables de donner vie à ces idées ?

J’avoue que j’étais très inquiète des réponses que j’aurais et depuis longtemps j’ai commencé à lire et à prendre des notes. Je ne peux pas cacher ma fascination pour la vie et l’esprit d’artistes innovants qui ont toujours brillé dans leur travail, ce qui m’a conduit dans une quête pour découvrir ce qui les rend si créatifs, comment ces idées prennent vie et comment elles prennent vie. Toute cette culture musicale a ses caprices, mais même après de nombreuses recherches sur la créativité, il y avait plus de questions que de réponses dans mon esprit.

Être seul pour certaines personnes peut sembler carrément étrange, mais pour d’autres, être seul peut parfois être agréable. Vous pouvez vous détendre davantage l’esprit pour la créativité tout en faisant le point et en rechargeant vos batteries. Quoi qu’il en soit, lorsque nous sommes seuls, nous sommes inspirés par un sentiment positif, décrit comme un état de solitude, un temps souvent dédié à la réflexion et à la créativité.

Parfois, la créativité nous laisse un peu déconcertés, ce qui n’est pas si différent de ce qui est arrivé aux anciens.

Bien sûr, en matière de créativité, certaines personnes créatives sont complexes et contradictoires. Leurs processus créatifs sont assez chaotiques et démontrent ce qui se passe dans leur cerveau.

Contrairement au « mythe du cerveau droit », la créativité ne s’attache pas à une seule région du cerveau ou même à un côté du cerveau. Rien de mieux pour transmettre le message que le processus créatif de l’ensemble du cerveau. Ce que je peux vous dire, c’est qu’il existe une interaction dynamique entre de nombreuses régions du cerveau, des styles de pensée, des émotions et des systèmes de traitement inconscient et conscient qui se réunissent de manière inhabituelle et inattendue.

S’il y a une chose que j’aime rattraper pour les journées de plus en plus courtes c’est écouter de la musique pour me motiver le matin, je trouve que j’écris mieux, sans compter que ça coopère aussi quand j’ai besoin d’une émotion très précise pour créer une scène . Il faut reconnaître que je trouve tout cela grâce à la musique. Parfois, la musique m’aide à entrer dans l’ambiance d’une écriture, dans l’atmosphère d’une scène que je crée. J’étais destiné à rencontrer un Français qui aime échanger des lettres, symbole parfait d’une relation affectueuse. La créativité est toujours surprenante à chaque saison en France, de l’écriture sur la neige avec de délicats bonhommes de neige aux fleurs touchantes, donnant beaucoup de joyeuse présence de couleurs et le tout imprégné de musique.

Lorsque je reçois quelqu’un à la maison pour une réunion d’amis, je mets généralement de la musique en arrière-plan très doucement. Une amie m’a dit un jour que depuis qu’elle a commencé à cultiver l’habitude d’écouter du Jazz, elle avait un plus grand sens de l’improvisation, réussissant à faire une réunion entière d’une heure et demie sur internet sur un thème culturel juste parce qu’elle avait du Jazz comme fond musical. Elle ne se souvenait pas d’avoir eu une meilleure compagnie dans la vie. Qu’est-ce que je pourrais dire? La prochaine fois, je me souviendrai que les amis ne devraient jamais laisser des amis avoir des réunions virtuelles dans des voitures sans la compagnie de Jazz.

Le jazz a des racines profondes, la musique est structurée autour de trois accords et 12 mesures, comme pratiquement toutes les chansons de blues. Ses sons de basse-cour le relient à l’arrière-plan des chansons de travail que chantaient les ouvriers agricoles noirs. Son rythme sur un rôle de mezzo-soprano commun à une grande partie du jazz indique la tradition d’appel et de réponse des églises baptistes noires aux États-Unis.

La clarinette, le cor et le trombone dans leur arrangement reflètent l’influence de la musique de marche, qui était très populaire à la Nouvelle-Orléans pendant et après la guerre civile et a entraîné un excès de cuivres et de cuivres flottant dans la ville pour les musiciens en contact potentiel. Son piano est issu de la tradition rythmique du premier genre musical nord-américain authentique, la forme musicale qui a procédé directement au jazz.

Certaines chansons ont leur style de guitare subtilement exaltant avec leur chant riche et détendu, dans lequel des phrases mélodiques ont été mélangées à plusieurs reprises avec des apartés parlés. Les deux éléments ont un contrepoint pointu de musique vocale et instrumentale. L’effet est celui d’une conversation créative entre l’homme et sa guitare.

Il suffit de dire que le processus créatif commence par la préparation, la collecte d’informations et de matériaux, l’identification des sources d’inspiration et l’acquisition de connaissances sur tout ce qui concerne ce que nous faisons ou le problème à résoudre. Souvent, cela commence par une réflexion interne, d’autres fois à l’extérieur lorsque nous parcourons le monde pour rassembler des ressources et des matériaux d’expertise.

À la base, tout processus créatif consiste à découvrir quelque chose de nouveau en nous, mais nous apportons ensuite ce quelque chose de nouveau au monde pour que les gens puissent l’expérimenter et l’apprécier. Le travail de l’artiste, du visionnaire, de l’innovateur est de jeter un pont entre leurs mondes intérieur et extérieur, en rassemblant ce qui n’existe que dans leur propre esprit, cœur et âme, donnant naissance de manière concrète et tangible.

Les échanges continuent dans les commentaires !

Nova escola e o problema do analfabetismo

Foto por Mariana Montrazi

Thais Rocholi

Vejo algumas escolas como um terror que impera a liberdade de expressão. O papel político que a educação representa é de agir com a intervenção de uma ditadura. Basta perceber o perfil autoritário de alguns professores recém saídos das universidades, que pensam já ter adquirido bastante vivência para passar suas crenças políticas para frente compostas por rebeldia e revolta e, assim, muitas crianças são afetadas pelos movimentos revolucionários trajados de tirania.

Para além da situação do analfabetismo da maioria dos jovens de hoje, o que volta e meia acontece é o seu reflexo como problema social, cuja crise na educação tem vestido muitas outras roupagens.

A razão é sempre deixada de lado, especialmente, num país como o Brasil, em que a população é apaixonada pelos políticos. As discussões dos problemas que ocorrem na política emergem à tona de forma nociva ou de qualquer jeito, à meia boca do senso comum. Quando não encontramos nenhuma resposta racional ou nos tornamos passivos para os problemas políticos, fica cada vez mais difícil domar a crise.

Os níveis de alfabetização das escolas brasileiras estão cada vez mais baixos dos níveis escolares de todos os países da Europa. Ainda que alguns “mais estudiosos” nem percebam, a crise na educação brasileira reflete o fracasso da educação progressista e, por isso mesmo, é um grande problema que surge no âmbito de uma sociedade que enfraqueceu os laços sociais tradicionais.

O que mais levantou a poeira desse problema que gerou a crise foi a busca pelos direitos à Igualdade, surgindo um ideal de vida em que a realidade não é mais necessária. Não é de hoje o agravamento na propagação do igualitarismo, cuja legitimação não seria nada mais, nada menos do que o aumento das desigualdades. O que torna cada ser humano exemplar exclusivo é o fato de sermos únicos. Não existe um ser humano igual ao outro, temos essências diferentes e é isso que confere o respeito às diferenças de cada um de nós. Quando se fala muito em democracia nas escolas, a tendência é que o autoritarismo subsista.

 Nosso legado real não é a casa, não é a conta bancária, não é o ensino escolar, mas o recado que passamos diariamente para as próximas gerações.

É muito comum ouvirmos o argumento nas escolas que devemos abandonar as autoridades passadas e viver o presente, pois o ideal de vida é superior ao ensino tradicional, sendo este retratado como algo particularmente medieval. Essa crença é completamente falsa, enquanto a realidade mostra que nada no passado é pré-científico, o que a escola faz é defender a posição que corresponda aos seus interesses, colocando-se em contraponto ao passado.

A melhor maneira de driblar essa crise é procurando avaliar a própria vida e não apenas correr pela superfície.  Que tipo de valor você tem seguido?

É tempo de parar e interromper a agitação da mídia, da moda, do consumo, da largada de chegada pelo melhor salário, pela busca insaciável pelo melhor restaurante, pela melhor forma de enganar o outro para subir na vida…

Reflita nos valores que você irá passar para seus filhos.

Ao contrário de participar de movimentos pela Igualdade, passe de vítima a autor de si mesmo.

Nouvelle école et analphabétisme

Thais Rocholi

Je vois certaines écoles comme une terreur qui règne sur la liberté d’expression. Le rôle politique que joue l’éducation est d’agir avec l’intervention d’une dictature. Il suffit de percevoir le profil autoritaire de certains professeurs qui viennent de quitter les universités, qui pensent avoir déjà acquis suffisamment d’expérience pour transmettre leurs convictions politiques composées de rébellion et de révolte et, ainsi, de nombreux enfants sont touchés par des mouvements révolutionnaires vêtus de tyrannie.  

Outre la situation d’analphabétisme de la plupart des jeunes d’aujourd’hui, ce qui se passe de temps en temps est son reflet comme un problème social, dont la crise de l’éducation a revêtu bien d’autres formes.

La raison est toujours laissée de côté, surtout dans un pays comme le Brésil, où la population est passionnée par les politiciens. Les discussions sur les problèmes qui surviennent en politique émergent de manière néfaste ou, en tout cas, sans enthousiasme de bon sens. Lorsque nous ne trouvons pas de réponse rationnelle ou devenons passifs aux problèmes politiques, il devient de plus en plus difficile d’apprivoiser la crise.

Les niveaux d’alphabétisation dans les écoles brésiliennes sont de plus en plus inférieurs à ceux de tous les pays européens. Bien que certains «plus savants» ne s’en rendent même pas compte, la crise de l’éducation brésilienne reflète l’échec de l’éducation progressiste et, pour cette raison, c’est un problème majeur qui se pose dans le contexte d’une société qui a affaibli les liens sociaux traditionnels.

Ce qui a le plus soulevé la poussière de ce problème qui a engendré la crise, c’est la recherche des droits à l’égalité, donnant naissance à un idéal de vie dans lequel la réalité n’est plus nécessaire. L’aggravation de la propagation de l’égalitarisme n’est pas d’aujourd’hui, dont la légitimation ne serait ni plus ni moins que l’augmentation des inégalités. Ce qui rend chaque être humain exemplaire unique est le fait que nous sommes uniques. Il n’y a pas d’humain comme l’autre, nous avons des essences différentes et c’est ce qui fait respecter les différences de chacun de nous. Lorsqu’on parle beaucoup de démocratie dans les écoles, la tendance est à la persistance de l’autoritarisme.

Notre véritable héritage n’est pas la maison, ce n’est pas le compte bancaire, ce n’est pas l’éducation scolaire, mais le message que nous transmettons quotidiennement aux générations futures.

Il est très courant d’entendre l’argument dans les écoles selon lequel nous devrions abandonner les autorités du passé et vivre dans le présent, car l’idéal de vie est supérieur à l’enseignement traditionnel, qui est décrit comme quelque chose de particulièrement médiéval. Cette croyance est complètement fausse, alors que la réalité montre que rien dans le passé n’est préscientifique, ce que fait l’école, c’est défendre la position qui correspond à ses intérêts, en se plaçant en contrepoint du passé.

La meilleure façon de contourner cette crise est d’essayer d’évaluer votre propre vie et pas seulement de courir à la surface. Quel genre de valeur avez-vous suivi?

Il est temps d’arrêter et d’interrompre les médias, la mode, la consommation, le départ d’arrivée pour le meilleur salaire, pour la recherche insatiable du meilleur restaurant, du meilleur moyen de tromper l’autre pour qu’il monte dans la vie …

Réfléchissez aux valeurs que vous transmettrez à vos enfants.

Au lieu de participer à des mouvements pour l’égalité, passez de victime à auteur de vous-même.

O que ler?

Biblioteca em Praga, República Tcheca “Túnel de Livros”.

Por Thais Rocholi

Passado três milênios da criação literária, de Homero até hoje, sabemos que há mais obras para ler do que jamais houve antes. Por isso, quero compartilhar com toda humildade minha opinião com você, se quisermos de fato obter um conhecimento cultural, é recomendável recorrer ao Cânone Ocidental. Uma sugestão é utilizar o livro do Harold Bloom da Universidade de Yale, cuja excelência de sua obra, “Poesia e Repressão – o revisionismo de Blake a Stevens”, encontramos uma boa explicação para o que seja o cânone.

Para Bloom, a palavra “cânone” remonta a expressão régua de medir, que em latim, adquiriu o sentido adicional de modelo. Em inglês e em português significa código religioso, lei secular, padrão ou critério, uma parte do culto cristão, ou, ainda, um termo musical para um tipo de fuga, bem como tamanho de uma letra tipográfica.

Você já sentiu uma estranheza em você mesmo ao ler um livro? Quando pensamos na distância que separa o prazer fácil como o funk com uma obra de Montaigne, cada vez mais entram em extinção os verdadeiros leitores. É muito constrangedor, diria que envergonha a cultura de qualquer país, ficamos então sitiados e amedrontados sob as perspectivas do futuro da literatura e da música. Os leitores dedicados de obras clássicas, os fortes e corajosos estão cada vez mais escassos. Talvez essa seja minha nostalgia ou quem sabe o estranho prazer do distanciamento.

O maior problema colocado por Bloom é que de forma pragmática o valor estético pode ser reconhecido ou experimentado, mas não pode ser transmitido aos incapazes de aprender suas sensações e percepções. Jamais devemos brigar por isso. Forçar o prazer literário é impossível.

Penso que dentro dessa impossibilidade está o convencimento de um viciado em Micaretas e Axé imerso em baldes de cerveja a ter algum interesse numa leitura de Shakespeare. Sou elitista por pensar assim? Talvez, mas acredito que Jane Austen jamais iria trocar o mundo da literatura e da escrita pelas músicas das paradas de sucesso. O atraso cultural tem sido uma regra no mundo de hoje, sobretudo no Brasil, país de iletrados, com poucas livrarias e que ainda entregam materiais com baixa tiragem de livros e total desinteresse pela cultura.

Com tantas alternativas de músicas todos os dias, não deveríamos mesmo sentir falta de nenhuma delas. Agora, pelo contrário, como poucas e raras músicas, o que se dirá da clássica? Esta sim é o começo de um prazer difícil, depois vem as peças, os poemas e os romances, todos eles trazendo as perturbações humanas, sendo a maior delas, o medo da mortalidade. Mas posso lhe afirmar que a busca da imortalidade por meio do Eterno na memória da sociedade é o que forja a criação artística.

Música clássica como o reflexo das paixões humanas

Musas (Mitologia grega).

Por Thais Rocholi

O que eu gostaria de compartilhar são alguns princípios úteis sobre música. Não vou falar sobre o ponto fundamental, como símbolos sonoros de boas habilidades de comunicação que com eficácia ressoam dentro das pessoas. Receio que eu não seja muito útil para falar de um tema tão importante como a música. Mas se você quiser interagir comigo, creio que uma âncora mais forte pode compensar outra mais fraca. Não vamos perder nenhuma das âncoras senão ficaremos expostos ao vento e desequilibrados. Ei! É com você mesmo. Aceito interação por video ou podcast.

Faz sentido para mim nestes estudos que encontramos na origem da arte os personagens Eros e Thanatos. A pulsão de vida inaugura uma relação de muita ambiguidade com a de morte, fazendo ou não uma assimilação da arte como espelho da existência, o que reflete em maior amplitude a sua expressão. Logo, quando Mozart escreve de modo parcial seu Requiem, a perda do outro torna-se, em suas notas, benevolente com a vontade divina, e o entoar dos coros ora repercutem como mensageiros de Deus, em outros momentos como expressão da tristeza dos vivos.

Embora a música tenha sua importância na vida da Grécia antiga, não temos ideia de como essa música realmente ecoava. Somente temos conhecimento de alguns fragmentos pouco notados que sobreviveram, sem nenhuma explicação sobre como restaurá-los. Os gregos faziam muitas especulações teóricas acerca de música. Eles faziam notas musicais e “praticavam música”, como o próprio Sócrates que ao ter uma revelação inspiradora, lhe foi ordenado fazer estas notas.

Tanto Platão como Confúcio, enxergavam a música como um dos conceitos da ética. E, como Confúcio, Platão queria regular as maneiras particulares sobre como usar esses arranjos de notas e escalas, pois sabia que causava alguns efeitos nas pessoas que ouviam.

Platão sabia como ninguém como disciplinar em música, bastava ver a correspondência entre o caráter de uma pessoa e a música que a representava. Nas Leis, Platão tornou explícita sua declaração de que  todo o conjunto de complexidades de  ritmos e melodias deviam ser evitados porque induzem à depressão e à desordem.

Mas quando se trata de música, seu poder ecoa harmonia divina. Já o ritmo e a melodia imitam os movimentos das estrelas e dos planetas. A habilidade de enxergar o contorno da música das esferas era o que refletia a ordem moral do universo. A música terrestre que estimula os instintos primitivos, entretanto, é duvidosa. Platão titubeava acerca de seu poder emocional.

Uma vez que isso é percebido, a música deve ser valorosa ao propósito, pois as qualidades sensoriais de algumas delas oferecem perigo, o que merece impor um pouco de censura evitando os acessos. Algumas soluções podem ser extremas, mas funcionam.

Quanto mais velha, estabelecida e particular uma música, mais universal ela é. Desse modo, a música clássica evoca a magnificência, o desabrochar com os códigos das práticas humanas, o átimo da perfeição, da realização. A música toma o lugar da fala e quem ouve escreve suas próprias letras.

Isso me faz lembrar do que é necessário para sustentar um bom equilíbrio. Música clássica é declaração de amor, pois a sua clareza, simplicidade e presença das cordas oferecem uma aparência de graça repleta de doçura e de prazer.

Se você acha  música “clássica” rígida, ou enfadonha, é porque você precisa buscar um mínimo de informação e dar sua atenção para que ela seja verdadeiramente “ouvida”. Porque antes de mais nada, ouvir não quer dizer que é só se concentrar, mas também se mobilizar em aptidões de memória, sensibilidade, capacidades de análise e síntese.

A música é, portanto, a essência de uma arte no tempo, por outro lado, o que pode ter um pretexto mais caduco e efêmero do que a passagem do tempo? Não tem como evitar, o principal obstáculo para se ouvir música com entusiasmo é que a maioria delas passam e se tornam obsoletas. Toda música só existe quando a percebemos. Então, o que era efêmero desaparece à medida que é produzida e nossa memória começa a trabalhar para reconstituir sua presença  no tempo.

Os caminhos do meu sigilo

Sempre que penso a questão dos intelectuais, também me fascina as críticas concebidas por historiadores e sociólogos. A intervenção de escritores, artistas e acadêmicos na mídia, como titãs, demonstram a capacidade da comunidade cultural de expressar suas ideias e pensamentos.

Alguns textos que lemos, não deixam a história ser assim tão incomum. Se perguntarmos desde as primeiras linhas escritas de onde vem esse dedo de prosa tão dotado de complexidade, cheio de mutações e sinais misteriosos, que vai da linguagem do nosso dia a dia falada à linguagem erudita que aprendemos. Antes mesmo de retornar à impressão imediata, tem um pouco mais de influência com a mesma liberdade de fazer uma ligação perigosa associativa que na transição de pensamentos, a obviedade é sempre seguir uma certa lógica, mas se esconder e se espalhar numa viagem sem fim, antes de encontrar a ordem.

E o leitor, nessa busca consegue entender de forma imediata que é a testemunha do ato de confissão que não busca as âncoras, mas toma para si o escândalo de ser o protagonista. Quando se é inovador, é possível se representar por meio das palavras, ou são as palavras que ganham vida própria e se representam, com novas roupagens e até despertando curiosidade para algo novo, numa velocidade de imitação que deixa qualquer um tonto!

Uma mensagem secreta deixa qualquer espírito aventureiro  ecoando  na tecnologia e passa a intrigar o mundo da espionagem cibernética espacial. Codificar, decodificar, interceptar… há um mundo de expressões em frases e palavras como alternativa mais espartana, dado ao seu significado original e nos remete à horas sombrias de guerras. E, à medida que o senso de palavras se aperfeiçoa não abro mão de substituições, esta ciência do segredo é mais relevante do que nunca, a fim de fortalecer a nossa cultura.

O equilíbrio passa pela arte

Boécio e Filosofia – Mattia Pretti.

Por Thais Rocholi

Ouvimos música pelo prazer que ela nos proporciona, mas esse prazer depende apenas da nossa experiência como ouvintes que está relacionada a condição do momento em que dedicamos, de modo a transcender o estado da alma que abre-se para a verdade, a beleza e a bondade. E o que poderia estar mais próximo dessa experiência do que uma obra de arte? Uma obra de arte como a música traz o homem para uma realidade insuspeitada, que por trás dessa vida há muito mais.

Um texto muito convincente sobre música pode ser explorado no contexto da educação, no livro A República de Platão. A música é “mais soberana porque … o ritmo e a harmonia encontram seu caminho para o íntimo da alma e tomam conta dela com mais força … transmitindo graça, se alguém for devidamente treinado …” (A República). E aquele que é “devidamente educado em música perceberia … e se deliciaria com a beleza (música), e a levaria para sua alma de forma a promover seu crescimento” (A República).

A música é uma linguagem, e por ser uma forma de se expressar, existe música boa e ruim, o clássico é o permanente. Mozart, Bach, Beethoven são clássicos. As obras musicais têm uma estrutura expressiva poderosa o suficiente para impor estados emocionais comuns a um grande número de ouvintes, o que pode levar uma multidão inteira num uníssono emocional.

Um brinde com uma música cuja oferta é limitada, confere-lhe uma força de coesão social que é a essência da maioria das culturas do mundo, além de ser uma forma de ajudar a adquirir melhor memória verbal, precisão de pronúncia em um segundo idioma, habilidade de leitura e funções executivas. Nas raras ocasiões em que dedicamos tempo para apreciar uma música clássica, os benefícios são gerados por sua ação sistêmica em nosso cérebro e nosso corpo. A música clássica combina escuta, coordenação, habilidades motoras finas, concentração, sensibilidade e emoções.

Hoje há cantores que fazem muito sucesso, mas depois de um tempo desaparecem e caem em esquecimento. Ao contrário do que acontece, a finalidade da música clássica não é o apelativo instintivo, mas como obra de arte é o apelo anímico, cuja força pretende puxar para cima e não para baixo, uma verdadeira catarse, é o tipo de música que tira a rudeza e o lado bruto, mas interioriza e enriquece!

Aos gregos devemos uma gratidão enorme, pois foram eles que nos trouxeram respostas sobre o porquê a música refina, educa e moraliza. No livro Música como medicina – A história da musicoterapia desde a antiguidade, há relatos de que na Grécia Antiga, acreditava-se que a música tinha uma relação matemática com o Cosmos. Os antigos filósofos gregos já sabiam que a música poderia servir a um propósito terapêutico. Pacientes com problemas mentais eram frequentemente instruídos a ouvir a música calmante da flauta, enquanto aqueles que sofriam de depressão eram instruídos a ouvir música de dulcimer, para quem não conhece, é um instrumento medieval. Os santuários de cura na Grécia Antiga abrigavam tanto especialistas em hinos quanto médicos. Uma praga ocorreu em Esparta por volta de 600 a. C., e teria sido curada pela música de Thales. Curiosamente, os gregos usaram a música como o primeiro tratamento para uma ressaca do álcool.

Os escritos de Platão consideravam a música como “o remédio da alma”. A teoria da “correspondência” de Platão afirmava que a música mundana correspondia à musica humana. Em outras palavras, a “harmonia celestial da música das esferas” poderia ter um efeito positivo (ou negativo) nas “almas terrenas”. Assim como a música sofre uma ressonância, o corpo humano sofre um reequilíbrio, e dessa forma a música tem valor terapêutico. Se somos aquilo que consumimos, somos mais bem refinados naquilo que ouvimos, por isso, é bom pensarmos sobre a Doutrina Grega do Ethos, Platão disse: “A música é uma arte imbuída do poder de penetrar nas profundezas da alma”.

Aristóteles acreditava que a música tinha efeitos catárticos e poderia fornecer alívio de emoções negativas através da catarse, por isso percebia que os efeitos proporcionados cooperavam no alcance do bem-estar físico e mental.

E para finalizar, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven e Michelangelo Buonarroti permanecem juntos no pico da cultura ocidental. Bach, assim como os outros, tinha inúmeras qualidades e, certamente, soube, como  ninguém, sincronizar o mundo terreno com o espiritual. Ele é o ponto culminante com a música barroca. Nenhum outro compositor teve a capacidade de realizar e perceber todas as possibilidades dentro de um determinado contexto musical.  Descendente de uma família de músicos, teve uma educação religiosa e formação erudita. Foi músico profissional, preocupado em sustentar uma família de 20 filhos. Homem de Deus, nasceu em Eisenach, onde seu pai era um respeitado violinista e violista. Logo, cresceu cercado de música.

Digamos que suas próprias qualidades formam a sua própria impressão e deixa lembranças, Bach tinha:

  • Crença e amor a Deus;
  • Paixão e compaixão;
  • Suprema maestria técnica;
  • Era um gênio melódico;
  • Na verdade, genialidade, pura e simples;
  • Convicção de que a música feita pelo homem almeja ser uma eufonia harmônica para a glória de Deus.

Agora corra atrás por sua conta e saiba mais sobre Bach!

L’équilibre passe par l’art

Thais Rocholi

Nous écoutons la musique pour le plaisir qu’elle nous procure, mais ce plaisir ne dépend que de notre expérience d’auditeur, qui est liée à la condition du moment que nous consacrons, afin de transcender l’état de l’âme qui s’ouvre pour la vérité, la beauté et la bonté. Et quoi de plus proche de cette expérience qu’une œuvre d’art? Une œuvre d’art comme la musique amène l’homme à une réalité insoupçonnée, que derrière cette vie il y a beaucoup plus.

Un texte très convaincant sur la musique peut être exploré dans le cadre de l’éducation, dans le livre La République de Platon. La musique est «plus souveraine parce que… le rythme et l’harmonie trouvent leur chemin dans l’âme et s’en occupent plus fortement… transmettant la grâce, si quelqu’un est correctement formé…» (La République). Et celui qui est «correctement éduqué en musique remarquerait… et se réjouirait de la beauté (la musique), et la prendrait dans son âme afin de favoriser sa croissance» (La République).

La musique est un langage, et parce que c’est une manière de s’exprimer, il y a de la bonne et de la mauvaise musique, le classique est le permanent. Mozart, Bach, Beethoven sont des classiques. Les œuvres musicales ont une structure expressive suffisamment puissante pour imposer des états émotionnels communs à un grand nombre d’auditeurs, ce qui peut entraîner une foule entière à l’unisson émotionnel.

Un cadeau musical dont l’offre est limitée, lui confère une force de cohésion sociale qui est l’essence même de la plupart des cultures du monde, en plus d’être un moyen d’aider à acquérir une meilleure mémoire verbale, une précision de prononciation dans une deuxième langue, des compétences en lecture et les fonctions exécutives. Dans les rares occasions où nous prenons le temps de profiter de la musique classique, les bienfaits sont générés par son action systémique sur notre cerveau et notre corps. La musique classique allie écoute, coordination, motricité fine, concentration, sensibilité et émotions.

Aujourd’hui, il y a des chanteurs qui ont beaucoup de succès, mais après un certain temps, ils disparaissent et tombent dans l’oubli. Contrairement à ce qui se passe, le but de la musique classique n’est pas l’appel instinctif, mais en tant qu’œuvre d’art, c’est l’appel de l’âme, dont elle entend tirer la force vers le haut et non vers le bas, une véritable catharsis, c’est le type de musique qui enlève l’impolitesse et le côté rugueux, mais intériorise et enrichit!

Nous devons aux Grecs une immense gratitude, car ce sont eux qui nous ont apporté des réponses sur les raisons pour lesquelles la musique raffine, éduque et moralisait. Dans le livre La musique comme médecine – L’histoire de la musicothérapie depuis l’Antiquité, il y a des rapports que dans la Grèce antique, on croyait que la musique avait une relation mathématique avec le Cosmos. Les philosophes de la Grèce antique savaient déjà que la musique pouvait avoir un but thérapeutique. Les malades mentaux étaient souvent invités à écouter la musique apaisante de la flûte, tandis que ceux qui souffraient de dépression devaient écouter de la musique dulcimer, pour ceux qui ne le savent pas, c’est un instrument médiéval. Les sanctuaires de guérison de la Grèce antique abritaient à la fois des spécialistes de l’hymne et des médecins. Un fléau s’est produit à Sparte vers 600 avant JC. C., et aurait été guéri par la musique de Thales. Fait intéressant, les Grecs ont utilisé la musique comme premier traitement pour une gueule de bois alcoolisée.

Les écrits de Platon considéraient la musique comme «la médecine de l’âme». La théorie de la «correspondance» de Platon affirmait que la musique du monde correspondait à la musique humaine. En d’autres termes, «l’harmonie céleste de la musique des sphères» pourrait avoir un effet positif (ou négatif) sur les «âmes terrestres». Tout comme la musique résonne, le corps humain subit un rééquilibrage, et de cette manière la musique a une valeur thérapeutique. Si nous sommes ce que nous consommons, nous sommes mieux raffinés dans ce que nous entendons, il est donc bon de penser à la doctrine grecque d’Ethos, Platon a dit: «La musique est un art imprégné du pouvoir de pénétrer les profondeurs de l’âme».

Aristote croyait que la musique avait des effets cathartiques et pouvait soulager les émotions négatives par la catharsis, alors il s’est rendu compte que les effets fournis coopéraient pour atteindre le bien-être physique et mental.

Enfin, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven et Michelangelo Buonarroti restent ensemble au sommet de la culture occidentale. Bach, comme les autres, avait d’innombrables qualités et savait certainement comment synchroniser le monde terrestre et spirituel comme personne d’autre. C’est le point culminant de la musique baroque. Aucun autre compositeur n’a pu réaliser et réaliser toutes les possibilités dans un contexte musical donné. Issu d’une famille de musiciens, il avait une éducation religieuse et une formation érudite. C’était un musicien professionnel, soucieux de subvenir aux besoins d’une famille de 20 enfants. Homme de Dieu, il est né à Eisenach, où son père était un violoniste et altiste respecté. Bientôt, il grandit entouré de musique.

Disons que vos propres qualités forment votre propre impression et laissent des souvenirs, Bach avait:

Croyance et amour pour Dieu;
-Passion et compassion;
-Maîtrise technique suprême;
-C’était un génie mélodique;
-En fait, génie, pur et simple;

Conviction que la musique artificielle se veut une euphorie harmonieuse pour la gloire de Dieu.
Maintenant, sortez seul et apprenez-en plus sur Bach!