Quando a música desperta sua criatividade

Foto por Pixabay

Por Thais Rocholi

Quando comecei a escrever meu livro, reunindo o que deveria conter no material, algumas pessoas me perguntaram se eu iria escrever sobre música. É um assunto muito estimulante e logo me veio a cabeça sobre como grandes artistas têm suas ideias mais brilhantes? E por meio de que tipo de processo alquímico eles são capazes de dar vida a essas ideias?

Confesso que fiquei bastante ansiosa quanto as respostas que teria e por muito tempo passei a ler e fazer algumas anotações. Não posso esconder minha fascinação pelas vidas e mentes de artistas inovadores que sempre brilharam em seus trabalhos, o que me levou a uma busca para descobrir o que os torna tão criativos, como surgem essas ideias e como elas ganham vida. Toda essa cultura musical tem suas peculiaridades, mas mesmo depois de pesquisar muito sobre criatividade, ficou mais perguntas do que respostas em minha mente.

Ficar sozinho para algumas pessoas pode parecer algo absolutamente estranho, mas para outros, ficar sozinho às vezes pode ser agradável. Você pode relaxar mais a sua mente para a criatividade, enquanto faz um balanço e recarrega as baterias. De qualquer forma, quando ficamos sozinhos somos inspirados a um sentimento positivo, sendo descrito como um estado de solitude, um tempo muitas vezes dedicado à reflexão e à criatividade.

As vezes a criatividade nos deixa um pouco desconcertados, o que não é tão diferente do que aconteceu com os antigos. 

É claro que quando se fala em criatividade, algumas pessoas criativas são complexas e contraditórias. Seus processos criativos são bem caóticos e demonstram o que está acontecendo em seus cérebros.

Ao contrário do “mito do cérebro direito”, a criatividade não se mantém apenas numa única região do cérebro ou mesmo num único lado do cérebro. Nada transmite melhor a mensagem de que o processo criativo que envolve todo o cérebro. O que posso dizer é que acontece uma interação dinâmica de muitas regiões cerebrais, estilos de pensamento, emoções e sistemas de processamento inconsciente e consciente que se unem de maneiras incomuns e inesperadas.

Se existe algo que eu adoro para compensar os dias cada vez mais curtos é escutar música para ter motivação de manhã, percebo que escrevo melhor, sem falar que também coopera quando preciso de uma emoção muito precisa para criar uma cena. É preciso reconhecer que encontro tudo isso graças à música. As vezes a música me ajuda a entrar no clima de uma escrita, na atmosfera de uma cena que estou criando. Fui destinada a conhecer um francês que adora trocar cartas, um símbolo perfeito para um relacionamento afetivo. A criatividade é sempre surpreendente em cada estação na França, desde escrita na neve com delicados bonecos de neve até toque de flores, conferindo muita presença alegre das cores e tudo isso permeado por música.

Quando recebo alguém em casa para reunião de amigos, normalmente, coloco uma música de fundo bem baixinho. Certa vez, uma amiga me falou que desde quando passou a cultivar o hábito de ouvir Jazz, teve mais senso de improvisação, conseguindo fazer uma reunião inteira de uma hora e meia na internet sobre um tema cultural apenas porque tinha Jazz como fundo musical. Ela não se lembrava de ter uma companhia mais gostosa na vida. O que eu poderia dizer? Da próxima vez vou lembrar que amigas jamais devem deixar amigas fazerem reuniões virtuais em carros sem a companhia do Jazz.

O Jazz tem raízes profundas, a música é estruturada em torno de três acordes e em 12 compassos, como praticamente todas as canções de blues. Seus sons de curral o conectam ao cenário das canções de trabalho que os trabalhadores rurais negros cantariam. Sua batida num papel mezzo-soprano, comum a grande parte do jazz indica a tradição de chamada e resposta das igrejas batistas negras dos Estados Unidos.

O clarinete, a corneta e o trombone em seu arranjo refletem a influência da música de marcha, que foi muito popular em Nova Orleans durante e após a Guerra Civil e resultou em um excesso de instrumentos de sopro e metais flutuando pela cidade para os músicos em potencial tocar. Seu piano vem da tradição rítmica do primeiro gênero musical autêntico norte-americano, a forma musical que procedeu diretamente ao Jazz.

Algumas músicas tem seu estilo de guitarra sutilmente estimulador com seu canto rico e relaxado, em que frases melódicas eram repetidamente misturadas com apartes falados. Os dois elementos tem um contraponto aguçado de música vocal e instrumental. O efeito é o de uma conversa criativa entre o homem e seu violão.

É mais do que suficiente falar que o processo criativo começa com a preparação, reunindo informações e materiais, identificando fontes de inspiração e adquirindo conhecimento sobre tudo o que envolve aquilo que fazemos ou o problema em questão. Muitas vezes, começa com uma reflexão interna, em outras vezes externamente quando saímos pelo mundo reunindo recursos e materiais expertise.

Em sua essência, qualquer processo criativo consiste em descobrir algo novo dentro da gente, mas depois, a gente traz esse algo novo ao mundo para que as pessoas experimentem e desfrutem. O trabalho do artista, do visionário, do inovador é fazer uma ponte entre seus mundos interno e externo, juntando aquilo que só existe em sua própria mente, coração e alma, dando à luz de um jeito concreto e tangível.

As trocas continuam nos comentários!

Quand la musique stimule votre créativité

Par Thaïs Rocholi

Quand j’ai commencé à écrire mon livre, à rassembler ce que le matériel devait contenir, certaines personnes m’ont demandé si j’écrirais sur la musique. C’est un sujet très excitant et il m’est vite venu à l’esprit à quel point les grands artistes ont leurs idées les plus brillantes ? Et par quel genre de processus alchimique sont-ils capables de donner vie à ces idées ?

J’avoue que j’étais très inquiète des réponses que j’aurais et depuis longtemps j’ai commencé à lire et à prendre des notes. Je ne peux pas cacher ma fascination pour la vie et l’esprit d’artistes innovants qui ont toujours brillé dans leur travail, ce qui m’a conduit dans une quête pour découvrir ce qui les rend si créatifs, comment ces idées prennent vie et comment elles prennent vie. Toute cette culture musicale a ses caprices, mais même après de nombreuses recherches sur la créativité, il y avait plus de questions que de réponses dans mon esprit.

Être seul pour certaines personnes peut sembler carrément étrange, mais pour d’autres, être seul peut parfois être agréable. Vous pouvez vous détendre davantage l’esprit pour la créativité tout en faisant le point et en rechargeant vos batteries. Quoi qu’il en soit, lorsque nous sommes seuls, nous sommes inspirés par un sentiment positif, décrit comme un état de solitude, un temps souvent dédié à la réflexion et à la créativité.

Parfois, la créativité nous laisse un peu déconcertés, ce qui n’est pas si différent de ce qui est arrivé aux anciens.

Bien sûr, en matière de créativité, certaines personnes créatives sont complexes et contradictoires. Leurs processus créatifs sont assez chaotiques et démontrent ce qui se passe dans leur cerveau.

Contrairement au « mythe du cerveau droit », la créativité ne s’attache pas à une seule région du cerveau ou même à un côté du cerveau. Rien de mieux pour transmettre le message que le processus créatif de l’ensemble du cerveau. Ce que je peux vous dire, c’est qu’il existe une interaction dynamique entre de nombreuses régions du cerveau, des styles de pensée, des émotions et des systèmes de traitement inconscient et conscient qui se réunissent de manière inhabituelle et inattendue.

S’il y a une chose que j’aime rattraper pour les journées de plus en plus courtes c’est écouter de la musique pour me motiver le matin, je trouve que j’écris mieux, sans compter que ça coopère aussi quand j’ai besoin d’une émotion très précise pour créer une scène . Il faut reconnaître que je trouve tout cela grâce à la musique. Parfois, la musique m’aide à entrer dans l’ambiance d’une écriture, dans l’atmosphère d’une scène que je crée. J’étais destiné à rencontrer un Français qui aime échanger des lettres, symbole parfait d’une relation affectueuse. La créativité est toujours surprenante à chaque saison en France, de l’écriture sur la neige avec de délicats bonhommes de neige aux fleurs touchantes, donnant beaucoup de joyeuse présence de couleurs et le tout imprégné de musique.

Lorsque je reçois quelqu’un à la maison pour une réunion d’amis, je mets généralement de la musique en arrière-plan très doucement. Une amie m’a dit un jour que depuis qu’elle a commencé à cultiver l’habitude d’écouter du Jazz, elle avait un plus grand sens de l’improvisation, réussissant à faire une réunion entière d’une heure et demie sur internet sur un thème culturel juste parce qu’elle avait du Jazz comme fond musical. Elle ne se souvenait pas d’avoir eu une meilleure compagnie dans la vie. Qu’est-ce que je pourrais dire? La prochaine fois, je me souviendrai que les amis ne devraient jamais laisser des amis avoir des réunions virtuelles dans des voitures sans la compagnie de Jazz.

Le jazz a des racines profondes, la musique est structurée autour de trois accords et 12 mesures, comme pratiquement toutes les chansons de blues. Ses sons de basse-cour le relient à l’arrière-plan des chansons de travail que chantaient les ouvriers agricoles noirs. Son rythme sur un rôle de mezzo-soprano commun à une grande partie du jazz indique la tradition d’appel et de réponse des églises baptistes noires aux États-Unis.

La clarinette, le cor et le trombone dans leur arrangement reflètent l’influence de la musique de marche, qui était très populaire à la Nouvelle-Orléans pendant et après la guerre civile et a entraîné un excès de cuivres et de cuivres flottant dans la ville pour les musiciens en contact potentiel. Son piano est issu de la tradition rythmique du premier genre musical nord-américain authentique, la forme musicale qui a procédé directement au jazz.

Certaines chansons ont leur style de guitare subtilement exaltant avec leur chant riche et détendu, dans lequel des phrases mélodiques ont été mélangées à plusieurs reprises avec des apartés parlés. Les deux éléments ont un contrepoint pointu de musique vocale et instrumentale. L’effet est celui d’une conversation créative entre l’homme et sa guitare.

Il suffit de dire que le processus créatif commence par la préparation, la collecte d’informations et de matériaux, l’identification des sources d’inspiration et l’acquisition de connaissances sur tout ce qui concerne ce que nous faisons ou le problème à résoudre. Souvent, cela commence par une réflexion interne, d’autres fois à l’extérieur lorsque nous parcourons le monde pour rassembler des ressources et des matériaux d’expertise.

À la base, tout processus créatif consiste à découvrir quelque chose de nouveau en nous, mais nous apportons ensuite ce quelque chose de nouveau au monde pour que les gens puissent l’expérimenter et l’apprécier. Le travail de l’artiste, du visionnaire, de l’innovateur est de jeter un pont entre leurs mondes intérieur et extérieur, en rassemblant ce qui n’existe que dans leur propre esprit, cœur et âme, donnant naissance de manière concrète et tangible.

Les échanges continuent dans les commentaires !

Nova escola e o problema do analfabetismo

Foto por Mariana Montrazi

Thais Rocholi

Vejo algumas escolas como um terror que impera a liberdade de expressão. O papel político que a educação representa é de agir com a intervenção de uma ditadura. Basta perceber o perfil autoritário de alguns professores recém saídos das universidades, que pensam já ter adquirido bastante vivência para passar suas crenças políticas para frente compostas por rebeldia e revolta e, assim, muitas crianças são afetadas pelos movimentos revolucionários trajados de tirania.

Para além da situação do analfabetismo da maioria dos jovens de hoje, o que volta e meia acontece é o seu reflexo como problema social, cuja crise na educação tem vestido muitas outras roupagens.

A razão é sempre deixada de lado, especialmente, num país como o Brasil, em que a população é apaixonada pelos políticos. As discussões dos problemas que ocorrem na política emergem à tona de forma nociva ou de qualquer jeito, à meia boca do senso comum. Quando não encontramos nenhuma resposta racional ou nos tornamos passivos para os problemas políticos, fica cada vez mais difícil domar a crise.

Os níveis de alfabetização das escolas brasileiras estão cada vez mais baixos dos níveis escolares de todos os países da Europa. Ainda que alguns “mais estudiosos” nem percebam, a crise na educação brasileira reflete o fracasso da educação progressista e, por isso mesmo, é um grande problema que surge no âmbito de uma sociedade que enfraqueceu os laços sociais tradicionais.

O que mais levantou a poeira desse problema que gerou a crise foi a busca pelos direitos à Igualdade, surgindo um ideal de vida em que a realidade não é mais necessária. Não é de hoje o agravamento na propagação do igualitarismo, cuja legitimação não seria nada mais, nada menos do que o aumento das desigualdades. O que torna cada ser humano exemplar exclusivo é o fato de sermos únicos. Não existe um ser humano igual ao outro, temos essências diferentes e é isso que confere o respeito às diferenças de cada um de nós. Quando se fala muito em democracia nas escolas, a tendência é que o autoritarismo subsista.

 Nosso legado real não é a casa, não é a conta bancária, não é o ensino escolar, mas o recado que passamos diariamente para as próximas gerações.

É muito comum ouvirmos o argumento nas escolas que devemos abandonar as autoridades passadas e viver o presente, pois o ideal de vida é superior ao ensino tradicional, sendo este retratado como algo particularmente medieval. Essa crença é completamente falsa, enquanto a realidade mostra que nada no passado é pré-científico, o que a escola faz é defender a posição que corresponda aos seus interesses, colocando-se em contraponto ao passado.

A melhor maneira de driblar essa crise é procurando avaliar a própria vida e não apenas correr pela superfície.  Que tipo de valor você tem seguido?

É tempo de parar e interromper a agitação da mídia, da moda, do consumo, da largada de chegada pelo melhor salário, pela busca insaciável pelo melhor restaurante, pela melhor forma de enganar o outro para subir na vida…

Reflita nos valores que você irá passar para seus filhos.

Ao contrário de participar de movimentos pela Igualdade, passe de vítima a autor de si mesmo.

Nouvelle école et analphabétisme

Thais Rocholi

Je vois certaines écoles comme une terreur qui règne sur la liberté d’expression. Le rôle politique que joue l’éducation est d’agir avec l’intervention d’une dictature. Il suffit de percevoir le profil autoritaire de certains professeurs qui viennent de quitter les universités, qui pensent avoir déjà acquis suffisamment d’expérience pour transmettre leurs convictions politiques composées de rébellion et de révolte et, ainsi, de nombreux enfants sont touchés par des mouvements révolutionnaires vêtus de tyrannie.  

Outre la situation d’analphabétisme de la plupart des jeunes d’aujourd’hui, ce qui se passe de temps en temps est son reflet comme un problème social, dont la crise de l’éducation a revêtu bien d’autres formes.

La raison est toujours laissée de côté, surtout dans un pays comme le Brésil, où la population est passionnée par les politiciens. Les discussions sur les problèmes qui surviennent en politique émergent de manière néfaste ou, en tout cas, sans enthousiasme de bon sens. Lorsque nous ne trouvons pas de réponse rationnelle ou devenons passifs aux problèmes politiques, il devient de plus en plus difficile d’apprivoiser la crise.

Les niveaux d’alphabétisation dans les écoles brésiliennes sont de plus en plus inférieurs à ceux de tous les pays européens. Bien que certains «plus savants» ne s’en rendent même pas compte, la crise de l’éducation brésilienne reflète l’échec de l’éducation progressiste et, pour cette raison, c’est un problème majeur qui se pose dans le contexte d’une société qui a affaibli les liens sociaux traditionnels.

Ce qui a le plus soulevé la poussière de ce problème qui a engendré la crise, c’est la recherche des droits à l’égalité, donnant naissance à un idéal de vie dans lequel la réalité n’est plus nécessaire. L’aggravation de la propagation de l’égalitarisme n’est pas d’aujourd’hui, dont la légitimation ne serait ni plus ni moins que l’augmentation des inégalités. Ce qui rend chaque être humain exemplaire unique est le fait que nous sommes uniques. Il n’y a pas d’humain comme l’autre, nous avons des essences différentes et c’est ce qui fait respecter les différences de chacun de nous. Lorsqu’on parle beaucoup de démocratie dans les écoles, la tendance est à la persistance de l’autoritarisme.

Notre véritable héritage n’est pas la maison, ce n’est pas le compte bancaire, ce n’est pas l’éducation scolaire, mais le message que nous transmettons quotidiennement aux générations futures.

Il est très courant d’entendre l’argument dans les écoles selon lequel nous devrions abandonner les autorités du passé et vivre dans le présent, car l’idéal de vie est supérieur à l’enseignement traditionnel, qui est décrit comme quelque chose de particulièrement médiéval. Cette croyance est complètement fausse, alors que la réalité montre que rien dans le passé n’est préscientifique, ce que fait l’école, c’est défendre la position qui correspond à ses intérêts, en se plaçant en contrepoint du passé.

La meilleure façon de contourner cette crise est d’essayer d’évaluer votre propre vie et pas seulement de courir à la surface. Quel genre de valeur avez-vous suivi?

Il est temps d’arrêter et d’interrompre les médias, la mode, la consommation, le départ d’arrivée pour le meilleur salaire, pour la recherche insatiable du meilleur restaurant, du meilleur moyen de tromper l’autre pour qu’il monte dans la vie …

Réfléchissez aux valeurs que vous transmettrez à vos enfants.

Au lieu de participer à des mouvements pour l’égalité, passez de victime à auteur de vous-même.

O que ler?

Biblioteca em Praga, República Tcheca “Túnel de Livros”.

Por Thais Rocholi

Passado três milênios da criação literária, de Homero até hoje, sabemos que há mais obras para ler do que jamais houve antes. Por isso, quero compartilhar com toda humildade minha opinião com você, se quisermos de fato obter um conhecimento cultural, é recomendável recorrer ao Cânone Ocidental. Uma sugestão é utilizar o livro do Harold Bloom da Universidade de Yale, cuja excelência de sua obra, “Poesia e Repressão – o revisionismo de Blake a Stevens”, encontramos uma boa explicação para o que seja o cânone.

Para Bloom, a palavra “cânone” remonta a expressão régua de medir, que em latim, adquiriu o sentido adicional de modelo. Em inglês e em português significa código religioso, lei secular, padrão ou critério, uma parte do culto cristão, ou, ainda, um termo musical para um tipo de fuga, bem como tamanho de uma letra tipográfica.

Você já sentiu uma estranheza em você mesmo ao ler um livro? Quando pensamos na distância que separa o prazer fácil como o funk com uma obra de Montaigne, cada vez mais entram em extinção os verdadeiros leitores. É muito constrangedor, diria que envergonha a cultura de qualquer país, ficamos então sitiados e amedrontados sob as perspectivas do futuro da literatura e da música. Os leitores dedicados de obras clássicas, os fortes e corajosos estão cada vez mais escassos. Talvez essa seja minha nostalgia ou quem sabe o estranho prazer do distanciamento.

O maior problema colocado por Bloom é que de forma pragmática o valor estético pode ser reconhecido ou experimentado, mas não pode ser transmitido aos incapazes de aprender suas sensações e percepções. Jamais devemos brigar por isso. Forçar o prazer literário é impossível.

Penso que dentro dessa impossibilidade está o convencimento de um viciado em Micaretas e Axé imerso em baldes de cerveja a ter algum interesse numa leitura de Shakespeare. Sou elitista por pensar assim? Talvez, mas acredito que Jane Austen jamais iria trocar o mundo da literatura e da escrita pelas músicas das paradas de sucesso. O atraso cultural tem sido uma regra no mundo de hoje, sobretudo no Brasil, país de iletrados, com poucas livrarias e que ainda entregam materiais com baixa tiragem de livros e total desinteresse pela cultura.

Com tantas alternativas de músicas todos os dias, não deveríamos mesmo sentir falta de nenhuma delas. Agora, pelo contrário, como poucas e raras músicas, o que se dirá da clássica? Esta sim é o começo de um prazer difícil, depois vem as peças, os poemas e os romances, todos eles trazendo as perturbações humanas, sendo a maior delas, o medo da mortalidade. Mas posso lhe afirmar que a busca da imortalidade por meio do Eterno na memória da sociedade é o que forja a criação artística.

Música clássica como o reflexo das paixões humanas

Musas (Mitologia grega).

Por Thais Rocholi

O que eu gostaria de compartilhar são alguns princípios úteis sobre música. Não vou falar sobre o ponto fundamental, como símbolos sonoros de boas habilidades de comunicação que com eficácia ressoam dentro das pessoas. Receio que eu não seja muito útil para falar de um tema tão importante como a música. Mas se você quiser interagir comigo, creio que uma âncora mais forte pode compensar outra mais fraca. Não vamos perder nenhuma das âncoras senão ficaremos expostos ao vento e desequilibrados. Ei! É com você mesmo. Aceito interação por video ou podcast.

Faz sentido para mim nestes estudos que encontramos na origem da arte os personagens Eros e Thanatos. A pulsão de vida inaugura uma relação de muita ambiguidade com a de morte, fazendo ou não uma assimilação da arte como espelho da existência, o que reflete em maior amplitude a sua expressão. Logo, quando Mozart escreve de modo parcial seu Requiem, a perda do outro torna-se, em suas notas, benevolente com a vontade divina, e o entoar dos coros ora repercutem como mensageiros de Deus, em outros momentos como expressão da tristeza dos vivos.

Embora a música tenha sua importância na vida da Grécia antiga, não temos ideia de como essa música realmente ecoava. Somente temos conhecimento de alguns fragmentos pouco notados que sobreviveram, sem nenhuma explicação sobre como restaurá-los. Os gregos faziam muitas especulações teóricas acerca de música. Eles faziam notas musicais e “praticavam música”, como o próprio Sócrates que ao ter uma revelação inspiradora, lhe foi ordenado fazer estas notas.

Tanto Platão como Confúcio, enxergavam a música como um dos conceitos da ética. E, como Confúcio, Platão queria regular as maneiras particulares sobre como usar esses arranjos de notas e escalas, pois sabia que causava alguns efeitos nas pessoas que ouviam.

Platão sabia como ninguém como disciplinar em música, bastava ver a correspondência entre o caráter de uma pessoa e a música que a representava. Nas Leis, Platão tornou explícita sua declaração de que  todo o conjunto de complexidades de  ritmos e melodias deviam ser evitados porque induzem à depressão e à desordem.

Mas quando se trata de música, seu poder ecoa harmonia divina. Já o ritmo e a melodia imitam os movimentos das estrelas e dos planetas. A habilidade de enxergar o contorno da música das esferas era o que refletia a ordem moral do universo. A música terrestre que estimula os instintos primitivos, entretanto, é duvidosa. Platão titubeava acerca de seu poder emocional.

Uma vez que isso é percebido, a música deve ser valorosa ao propósito, pois as qualidades sensoriais de algumas delas oferecem perigo, o que merece impor um pouco de censura evitando os acessos. Algumas soluções podem ser extremas, mas funcionam.

Quanto mais velha, estabelecida e particular uma música, mais universal ela é. Desse modo, a música clássica evoca a magnificência, o desabrochar com os códigos das práticas humanas, o átimo da perfeição, da realização. A música toma o lugar da fala e quem ouve escreve suas próprias letras.

Isso me faz lembrar do que é necessário para sustentar um bom equilíbrio. Música clássica é declaração de amor, pois a sua clareza, simplicidade e presença das cordas oferecem uma aparência de graça repleta de doçura e de prazer.

Se você acha  música “clássica” rígida, ou enfadonha, é porque você precisa buscar um mínimo de informação e dar sua atenção para que ela seja verdadeiramente “ouvida”. Porque antes de mais nada, ouvir não quer dizer que é só se concentrar, mas também se mobilizar em aptidões de memória, sensibilidade, capacidades de análise e síntese.

A música é, portanto, a essência de uma arte no tempo, por outro lado, o que pode ter um pretexto mais caduco e efêmero do que a passagem do tempo? Não tem como evitar, o principal obstáculo para se ouvir música com entusiasmo é que a maioria delas passam e se tornam obsoletas. Toda música só existe quando a percebemos. Então, o que era efêmero desaparece à medida que é produzida e nossa memória começa a trabalhar para reconstituir sua presença  no tempo.

Os caminhos do meu sigilo

Sempre que penso a questão dos intelectuais, também me fascina as críticas concebidas por historiadores e sociólogos. A intervenção de escritores, artistas e acadêmicos na mídia, como titãs, demonstram a capacidade da comunidade cultural de expressar suas ideias e pensamentos.

Alguns textos que lemos, não deixam a história ser assim tão incomum. Se perguntarmos desde as primeiras linhas escritas de onde vem esse “Dedo de Prosa” tão dotado de complexidade, cheio de mutações e sinais misteriosos, que vai da linguagem do nosso dia a dia falada à linguagem erudita que aprendemos. Antes mesmo de retornar à impressão imediata, tem um pouco mais de influência com a mesma liberdade de fazer uma ligação perigosa associativa que na transição de pensamentos, a obviedade é sempre seguir uma certa lógica, mas se esconder e se espalhar numa viagem sem fim, antes de encontrar a ordem.

E o leitor, nessa busca consegue entender de forma imediata que é a testemunha do ato de confissão que não busca as âncoras, mas toma para si o escândalo de ser o protagonista. Quando se é inovador, é possível se representar por meio das palavras, ou são as palavras que ganham vida própria e se representam, com novas roupagens e até despertando curiosidade para algo novo, numa velocidade de imitação que deixa qualquer um tonto!

Uma mensagem secreta deixa qualquer espírito aventureiro  ecoando  na tecnologia e passa a intrigar o mundo da espionagem cibernética espacial. Codificar, decodificar, interceptar… há um mundo de expressões em frases e palavras como alternativa mais espartana, dado ao seu significado original e nos remete à horas sombrias de guerras. E, à medida que o senso de palavras se aperfeiçoa não abro mão de substituições, esta ciência do segredo é mais relevante do que nunca, a fim de fortalecer a nossa cultura.

O equilíbrio passa pela arte

Boécio e Filosofia – Mattia Pretti.

Por Thais Rocholi

Ouvimos música pelo prazer que ela nos proporciona, mas esse prazer depende apenas da nossa experiência como ouvintes que está relacionada a condição do momento em que dedicamos, de modo a transcender o estado da alma que abre-se para a verdade, a beleza e a bondade. E o que poderia estar mais próximo dessa experiência do que uma obra de arte? Uma obra de arte como a música traz o homem para uma realidade insuspeitada, que por trás dessa vida há muito mais.

Um texto muito convincente sobre música pode ser explorado no contexto da educação, no livro A República de Platão. A música é “mais soberana porque … o ritmo e a harmonia encontram seu caminho para o íntimo da alma e tomam conta dela com mais força … transmitindo graça, se alguém for devidamente treinado …” (A República). E aquele que é “devidamente educado em música perceberia … e se deliciaria com a beleza (música), e a levaria para sua alma de forma a promover seu crescimento” (A República).

A música é uma linguagem, e por ser uma forma de se expressar, existe música boa e ruim, o clássico é o permanente. Mozart, Bach, Beethoven são clássicos. As obras musicais têm uma estrutura expressiva poderosa o suficiente para impor estados emocionais comuns a um grande número de ouvintes, o que pode levar uma multidão inteira num uníssono emocional.

Um brinde com uma música cuja oferta é limitada, confere-lhe uma força de coesão social que é a essência da maioria das culturas do mundo, além de ser uma forma de ajudar a adquirir melhor memória verbal, precisão de pronúncia em um segundo idioma, habilidade de leitura e funções executivas. Nas raras ocasiões em que dedicamos tempo para apreciar uma música clássica, os benefícios são gerados por sua ação sistêmica em nosso cérebro e nosso corpo. A música clássica combina escuta, coordenação, habilidades motoras finas, concentração, sensibilidade e emoções.

Hoje há cantores que fazem muito sucesso, mas depois de um tempo desaparecem e caem em esquecimento. Ao contrário do que acontece, a finalidade da música clássica não é o apelativo instintivo, mas como obra de arte é o apelo anímico, cuja força pretende puxar para cima e não para baixo, uma verdadeira catarse, é o tipo de música que tira a rudeza e o lado bruto, mas interioriza e enriquece!

Aos gregos devemos uma gratidão enorme, pois foram eles que nos trouxeram respostas sobre o porquê a música refina, educa e moraliza. No livro Música como medicina – A história da musicoterapia desde a antiguidade, há relatos de que na Grécia Antiga, acreditava-se que a música tinha uma relação matemática com o Cosmos. Os antigos filósofos gregos já sabiam que a música poderia servir a um propósito terapêutico. Pacientes com problemas mentais eram frequentemente instruídos a ouvir a música calmante da flauta, enquanto aqueles que sofriam de depressão eram instruídos a ouvir música de dulcimer, para quem não conhece, é um instrumento medieval. Os santuários de cura na Grécia Antiga abrigavam tanto especialistas em hinos quanto médicos. Uma praga ocorreu em Esparta por volta de 600 a. C., e teria sido curada pela música de Thales. Curiosamente, os gregos usaram a música como o primeiro tratamento para uma ressaca do álcool.

Os escritos de Platão consideravam a música como “o remédio da alma”. A teoria da “correspondência” de Platão afirmava que a música mundana correspondia à musica humana. Em outras palavras, a “harmonia celestial da música das esferas” poderia ter um efeito positivo (ou negativo) nas “almas terrenas”. Assim como a música sofre uma ressonância, o corpo humano sofre um reequilíbrio, e dessa forma a música tem valor terapêutico. Se somos aquilo que consumimos, somos mais bem refinados naquilo que ouvimos, por isso, é bom pensarmos sobre a Doutrina Grega do Ethos, Platão disse: “A música é uma arte imbuída do poder de penetrar nas profundezas da alma”.

Aristóteles acreditava que a música tinha efeitos catárticos e poderia fornecer alívio de emoções negativas através da catarse, por isso percebia que os efeitos proporcionados cooperavam no alcance do bem-estar físico e mental.

E para finalizar, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven e Michelangelo Buonarroti permanecem juntos no pico da cultura ocidental. Bach, assim como os outros, tinha inúmeras qualidades e, certamente, soube, como  ninguém, sincronizar o mundo terreno com o espiritual. Ele é o ponto culminante com a música barroca. Nenhum outro compositor teve a capacidade de realizar e perceber todas as possibilidades dentro de um determinado contexto musical.  Descendente de uma família de músicos, teve uma educação religiosa e formação erudita. Foi músico profissional, preocupado em sustentar uma família de 20 filhos. Homem de Deus, nasceu em Eisenach, onde seu pai era um respeitado violinista e violista. Logo, cresceu cercado de música.

Digamos que suas próprias qualidades formam a sua própria impressão e deixa lembranças, Bach tinha:

  • Crença e amor a Deus;
  • Paixão e compaixão;
  • Suprema maestria técnica;
  • Era um gênio melódico;
  • Na verdade, genialidade, pura e simples;
  • Convicção de que a música feita pelo homem almeja ser uma eufonia harmônica para a glória de Deus.

Agora corra atrás por sua conta e saiba mais sobre Bach!

L’équilibre passe par l’art

Thais Rocholi

Nous écoutons la musique pour le plaisir qu’elle nous procure, mais ce plaisir ne dépend que de notre expérience d’auditeur, qui est liée à la condition du moment que nous consacrons, afin de transcender l’état de l’âme qui s’ouvre pour la vérité, la beauté et la bonté. Et quoi de plus proche de cette expérience qu’une œuvre d’art? Une œuvre d’art comme la musique amène l’homme à une réalité insoupçonnée, que derrière cette vie il y a beaucoup plus.

Un texte très convaincant sur la musique peut être exploré dans le cadre de l’éducation, dans le livre La République de Platon. La musique est «plus souveraine parce que… le rythme et l’harmonie trouvent leur chemin dans l’âme et s’en occupent plus fortement… transmettant la grâce, si quelqu’un est correctement formé…» (La République). Et celui qui est «correctement éduqué en musique remarquerait… et se réjouirait de la beauté (la musique), et la prendrait dans son âme afin de favoriser sa croissance» (La République).

La musique est un langage, et parce que c’est une manière de s’exprimer, il y a de la bonne et de la mauvaise musique, le classique est le permanent. Mozart, Bach, Beethoven sont des classiques. Les œuvres musicales ont une structure expressive suffisamment puissante pour imposer des états émotionnels communs à un grand nombre d’auditeurs, ce qui peut entraîner une foule entière à l’unisson émotionnel.

Un cadeau musical dont l’offre est limitée, lui confère une force de cohésion sociale qui est l’essence même de la plupart des cultures du monde, en plus d’être un moyen d’aider à acquérir une meilleure mémoire verbale, une précision de prononciation dans une deuxième langue, des compétences en lecture et les fonctions exécutives. Dans les rares occasions où nous prenons le temps de profiter de la musique classique, les bienfaits sont générés par son action systémique sur notre cerveau et notre corps. La musique classique allie écoute, coordination, motricité fine, concentration, sensibilité et émotions.

Aujourd’hui, il y a des chanteurs qui ont beaucoup de succès, mais après un certain temps, ils disparaissent et tombent dans l’oubli. Contrairement à ce qui se passe, le but de la musique classique n’est pas l’appel instinctif, mais en tant qu’œuvre d’art, c’est l’appel de l’âme, dont elle entend tirer la force vers le haut et non vers le bas, une véritable catharsis, c’est le type de musique qui enlève l’impolitesse et le côté rugueux, mais intériorise et enrichit!

Nous devons aux Grecs une immense gratitude, car ce sont eux qui nous ont apporté des réponses sur les raisons pour lesquelles la musique raffine, éduque et moralisait. Dans le livre La musique comme médecine – L’histoire de la musicothérapie depuis l’Antiquité, il y a des rapports que dans la Grèce antique, on croyait que la musique avait une relation mathématique avec le Cosmos. Les philosophes de la Grèce antique savaient déjà que la musique pouvait avoir un but thérapeutique. Les malades mentaux étaient souvent invités à écouter la musique apaisante de la flûte, tandis que ceux qui souffraient de dépression devaient écouter de la musique dulcimer, pour ceux qui ne le savent pas, c’est un instrument médiéval. Les sanctuaires de guérison de la Grèce antique abritaient à la fois des spécialistes de l’hymne et des médecins. Un fléau s’est produit à Sparte vers 600 avant JC. C., et aurait été guéri par la musique de Thales. Fait intéressant, les Grecs ont utilisé la musique comme premier traitement pour une gueule de bois alcoolisée.

Les écrits de Platon considéraient la musique comme «la médecine de l’âme». La théorie de la «correspondance» de Platon affirmait que la musique du monde correspondait à la musique humaine. En d’autres termes, «l’harmonie céleste de la musique des sphères» pourrait avoir un effet positif (ou négatif) sur les «âmes terrestres». Tout comme la musique résonne, le corps humain subit un rééquilibrage, et de cette manière la musique a une valeur thérapeutique. Si nous sommes ce que nous consommons, nous sommes mieux raffinés dans ce que nous entendons, il est donc bon de penser à la doctrine grecque d’Ethos, Platon a dit: «La musique est un art imprégné du pouvoir de pénétrer les profondeurs de l’âme».

Aristote croyait que la musique avait des effets cathartiques et pouvait soulager les émotions négatives par la catharsis, alors il s’est rendu compte que les effets fournis coopéraient pour atteindre le bien-être physique et mental.

Enfin, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwing van Beethoven et Michelangelo Buonarroti restent ensemble au sommet de la culture occidentale. Bach, comme les autres, avait d’innombrables qualités et savait certainement comment synchroniser le monde terrestre et spirituel comme personne d’autre. C’est le point culminant de la musique baroque. Aucun autre compositeur n’a pu réaliser et réaliser toutes les possibilités dans un contexte musical donné. Issu d’une famille de musiciens, il avait une éducation religieuse et une formation érudite. C’était un musicien professionnel, soucieux de subvenir aux besoins d’une famille de 20 enfants. Homme de Dieu, il est né à Eisenach, où son père était un violoniste et altiste respecté. Bientôt, il grandit entouré de musique.

Disons que vos propres qualités forment votre propre impression et laissent des souvenirs, Bach avait:

Croyance et amour pour Dieu;
-Passion et compassion;
-Maîtrise technique suprême;
-C’était un génie mélodique;
-En fait, génie, pur et simple;

Conviction que la musique artificielle se veut une euphorie harmonieuse pour la gloire de Dieu.
Maintenant, sortez seul et apprenez-en plus sur Bach!

Educação e liberdade

A Escola de Atenas é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano.

Por Thais Oliveira

Sempre que falamos de Aristóteles, temos a perspectiva de dotá-lo de qualidades de um pesquisador, de fundador da ciência, o lógico, o filósofo, “o mestre dos que sabem”. Mas pouco se sabe sobre o educador Aristóteles. O que ele falava sobre educação quase não despertou muito interesse nos historiadores.

Porém, como precursor, Aristóteles se dedicou tanto ao ensino quanto à pesquisa. Convenhamos, ele é o protótipo do professor. A parte da sua obra que nos é transmitida ao longo de vinte e três séculos é a sua obra ensinada.

É claro que precisamos de mais orientação para entender o processo de educação, e não ser governado pelo muito falar, pois toda educação começa no ouvido para dominar a gramática, saber usar a concordância primária e a apreensão da língua. Esse é o começo do aprendizado, depois vem a matemática e retórica,  cuja capacidade de relacionar a gramática com a imaginação é absorvida. Para Aristóteles, o propósito da educação é semelhante ao propósito do homem. É claro que, toda educação tem como sentido,  tornar explícito ou implícito, um ideal humano.

Mas, para Aristóteles, a educação é um princípio para que o  homem seja completamente atualizado. Todos nós precisamos de sentido e o bem supremo a que todo homem aspira é a felicidade. Mas o homem feliz de Aristóteles não é aquele selvagem feliz, intratável, não é o homem em seu estado natural bruto, é o homem educado. O homem feliz, o homem bom, é aquele que tem virtude, mas não tem como adquirir virtude sem a educação. Ética e educação é uma coisa só. Sabe os livros que Aristóteles escreveu sobre ética? São manuais para ensinar a arte de viver.

Ao contrário de muitos livros que lemos, na Ética em Nicômaco, Aristóteles se pergunta “se a felicidade é algo que pode ser aprendido, ou se é adquirido pelo hábito ou algum outro exercício, ou se, no final, nos chega compartilhando por um certo favor divino ou mesmo por perigo.” A resposta não nos deixa no vácuo: “A causa realmente determinante da felicidade está na atividade em conformidade com a virtude”. Liberdade é o ato da virtude. Toda ideia de liberdade na civilização ocidental nasce atrelada a uma ética da virtude.

A  concepção da liberdade exposta nas mídias é uma visão pautada por uma cosmovisão moderna de mundo caracterizada nessa era moderna por três cânones: O relativismo, o ceticismo e a inexistência de um conceito objetivo de verdade. O que tem como resultado reativamente venerado é que a ausência de um conceito de verdade faz com que os indivíduos estejam autorizados a definir a verdade como um conjunto de signos daquilo que para eles são verdades. Não se tem uma concepção objetiva do que é verdadeiro, daí então se faz uma escala de signos como se fosse verdade, medindo seus ódios e amores a partir desses signos, e como regra geral, o que deve imperar é o desprezo pela verdade, o bem e a beleza.

Antes de passarmos a questão intelectual, a alma é aquilo que anima o corpo, que em si pode ser algo surpreendente, vamos considerar que esta alma possui certas capacidades para o conhecimento do ser e seus predicados essenciais. A alma pode conhecer objetivamente a verdade, o bem e a beleza por meio dos potenciais intelectuais, potenciais da vontade e a potência da memória.

Pitágoras valoriza muito a potência do intelectual, Platão considera extremamente importante a memória representada pelo tempo e a eternidade, junto com os mistérios da imortalidade da alma que se sustenta no esforço para lembrar do passado, numa retrospectiva que aprofunda o início de tudo. Quando viajamos em Aristóteles o intelecto e a vontade possui enorme importância sendo aperfeiçoados no cristianismo.

A partir daí, nós inteligimos, lemos o Ser de dentro para fora ou o que simplesmente ocorre é a absorção do primeiro conceito de Ser como verdadeiro. A vontade quer o bem e toma o conceito de bem para si, pois as coisas são apetecíveis para nós. A beleza é o somatório do bem com a verdade. A potência da alma para adotar como belo é a memória.

Quanto mais você exercitar o intelecto, a vontade e a memória, mais a sua vida será bela, o que produz integridade que em latim destaca-se como integritas, ou sintonia entre o interior e o exterior. Os antigos definiam isso com uma palavra: Paideia, palavra de origem grega clássica, traduzida como formação do espírito e do caráter, nas artes iliberais e mecânicas somada a empatia com os outros, philia, que retirado do tratado de Ética a Nicômaco de Aristóteles, o termo  diz respeito à “amizade”, e às vezes também ao “amor” na hierarquia dos afetos, ao contrário da filosofia barata de autoajuda.

O hábito da virtude

A morte de Sócrates é a representação de Jacque Louis David dos últimos momentos de Sócrates antes de sua morte. 

Por Thais Rocholi

As primeiras reflexões que envolvem o pensamento moral surgiram com Sócrates quando fez perguntas acerca da virtude, dando encorajamento as pessoas para que indagassem tais questões de modo racional. A alma humana precisa controlar o corpo e para isso a alma deve ser  guiada pelo Bem, de tal forma que as nossas mentes são capazes de compreender o objetivo universal. Existem quatro virtudes principais: sabedoria, autocontrole (temperança), coragem e justiça. Santo Agostinho e outros pensadores cristãos adotaram este pensamento, porém uniu às três virtudes Bíblicas: fé, esperança e amor.

Ao privilegiar as virtudes, Aristóteles examina sua formação por meio dos hábitos. Ele diz que existem dois tipos de virtude: moral e intelectual. A intelectual acontece por meio do ensino, da experiência e do tempo. A moral é desenvolvida por meio do hábito, ou “repetição dos atos correspondentes”. Aristóteles sugere aprendermos as virtudes na prática. Porém, não se engane, porque essas virtudes não vêm de nós. Nós nascemos com sentimentos, mas nos tornamos pessoas virtuosas por meio de nossas ações.

E é claro que ele também  retrata que nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, pois nada que existe por natureza pode formar um hábito contrário à sua natureza. Leitores dedicados de autoajuda, sempre em busca de melhorar o comportamento social, parece que estão obcecados em comprar qualquer livro, menos aqueles que guiam em direção da luz, Aristóteles escreveu que “a virtude moral surge como resultado do hábito.”  Somos “adaptados por natureza para receber as virtudes, tornando-as perfeitas pelo hábito”. Curiosamente, Aristóteles acredita que não temos virtude até que a usemos.

A virtude é um meio termo entre os extremos. Ter coragem é se posicionar no equilíbrio, onde se encontra a covardia (excesso de medo) e a imprudência (escassez de medo). Precisamos buscar praticar a sabedoria para optar pelas virtudes determinando a média pesada nessa balança de equilíbrio.

De fato, cada cultura tem seus próprios hábitos ou virtudes, como uma janela para sua vida que são aprovados socialmente. Não podemos dizer que as virtudes de uma cultura sejam melhores do que as virtudes de outra cultura. Virtudes são hábitos que promovem o bem, visto em termos de prazer e dor. A virtude Suprema é ter um caráter para agir individualmente buscando as melhores consequências em tudo que fazemos.

Na filosofia aristotélica as virtudes são “modos de escolha ou envolvem uma escolha”.  É ser guiado pela contramão das paixões que nos “movem”, formando um estado de espírito ou humor “particular” para as nossas escolhas. A simples capacidade de sentir as paixões não nos qualifica como pessoas boas ou más. Em contrapartida, nenhum hábito de sentir pode ser uma barreira para que o ser humano alcance a virtude. Mas se fizermos escolhas ruins, isso altera o nosso “estado de caráter”. Não somos “feitos bons ou maus por natureza”, mas escolhemos esse estado de espírito.

Aristóteles explica sua filosofia de escolhas analisando o vício, a virtude e o equilíbrio. O objetivo de toda virtude é o equilíbrio. Tudo na vida que é em excesso é uma forma de fracassar, já a falta ou defeito, nessa intermediação é elogiada e até aplaudida. Ele compara isso à luta livre, se fizermos muito exercício, ficamos sobrecarregados, e quando não fazemos o suficiente não estamos totalmente preparados para lutar. Um exemplo de virtude na proporção adequada para Aristóteles quanto ao equilíbrio é ter o “orgulho adequado”. O excesso é “vaidade vazia” e o defeito ou falta é “humildade indevida”. O homem inflado é tão mau quanto aquele que usa a falsa humildade.

Apesar de ser uma filosofia pré-cristã, não existe nenhuma vantagem em relação ao evangelho de Cristo, que nos oferece uma explicação para o pecado, a queda, a ressurreição e a redenção. Aristóteles percebe a dificuldade humana de tentar “ser bom” e enxerga o bem através de seus próprios esforços. Ele não tem o padrão de Cristo para medir o bem. Ele fala em torno da ideia cristã  através do Paráclito, o Espírito Santo, vendo vagamente, quando diz que somos “adaptados por natureza”. E, assim, há um agir sobre nós para nos tornarmos capazes de receber a virtude, que nas obras de São Tomás de Aquino caracteriza o pensamento do bom uso do livre arbítrio, sendo a virtude como a ordem do nosso amor, num ato de perfeição que opera em nós por causa da natureza do próprio Deus.

The habit of virtue

By Thais Rocholi

The first reflections involving moral thinking arose with Socrates when he asked questions about virtue, encouraging people to ask such questions in a rational way. The human soul needs to control the body and for that the soul must be guided by Good, in such a way that our minds are able to understand the universal goal. There are four main virtues: wisdom, self-control (temperance), courage and justice. St. Augustine and other Christian thinkers adopted this thought, but he joined the three Biblical virtues: faith, hope and love.

By privileging the virtues, Aristotle examines his formation through habits. He says that there are two types of virtue: moral and intellectual. The intellectual happens through teaching, experience and time. Morality is developed through habit, or “repetition of corresponding acts”. Aristotle suggests that we learn virtues in practice. However, make no mistake, because these virtues do not come from us. We are born with feelings, but we become virtuous people through our actions.

And it is clear that he also portrays that none of the moral virtues arises in us by nature, because nothing that exists by nature can form a habit contrary to its nature. Dedicated self-help readers, always looking to improve social behavior, seem to be obsessed with buying any book, except those who guide towards the light, Aristotle wrote that “moral virtue arises as a result of habit.” We are “adapted by nature to receive the virtues, making them perfect by habit”. Interestingly, Aristotle believes that we have no virtue until we use it.

Virtue is a middle ground between extremes. To have courage is to position yourself in balance, where cowardice (excess of fear) and recklessness (scarcity of fear) are found. We must seek to practice wisdom in order to choose virtues by determining the average weight on this balance scale.

In fact, each culture has its own habits or virtues, as a window on its life that is socially approved. We cannot say that the virtues of one culture are better than the virtues of another culture. Virtues are habits that promote good, seen in terms of pleasure and pain. The supreme virtue is to have a character to act individually seeking the best consequences in everything we do.

In Aristotelian philosophy, virtues are “modes of choice or involve a choice”. It is to be guided by the opposite of the passions that “move” us, forming a “particular” mood or mood for our choices. The simple ability to feel the passions does not qualify us as good or bad people. On the other hand, no habit of feeling can be a barrier for the human being to reach virtue. But if we make bad choices, it changes our “character state”. We are not “good or bad by nature”, but we choose this state of mind.

Aristotle explains his philosophy of choices by analyzing addiction, virtue and balance. The goal of all virtue is balance. Everything in life that is in excess is a way of failing, while the lack or defect, in this intermediation is praised and even applauded. He likens it to wrestling, if we exercise a lot, we get overwhelmed, and when we don’t do enough we are not fully prepared to fight. An example of virtue in the proper proportion for Aristotle in terms of balance is having “adequate pride”. The excess is “empty vanity” and the defect or lack is “undue humility”. The inflated man is as bad as the one who uses false humility.

Despite being a pre-Christian philosophy, there is no advantage over the gospel of Christ, which offers an explanation for sin, the fall, the resurrection and redemption. Aristotle realizes the human difficulty in trying to “be good” and sees the good through his own efforts. He does not have the standard of Christ to measure good. He talks about the Christian idea through Paráclito, the Holy Spirit, seeing vaguely, when he says that we are “adapted by nature”. And so, there is an action on us to become able to receive virtue, which in the works of São Tomás de Aquino characterizes the thought of the good use of free will, virtue being the order of our love, in an act of perfection that works in us because of the nature of God Himself.

O sentido da comunicação

Foto por Alex Andrews em Pexels.com

A etimologia da palavra comunicação vem do latim “comunicare”, que significa colocar em comum. A comunicação é um processo inato, pois desde o nosso nascimento nos comunicamos primeiro por meio de nossos gestos, nossos movimentos (comunicação não-verbal) e, depois, gradualmente, por meio da fala e das palavras (comunicação verbal).

E a distorção entre atitude e fala é bem óbvia. Deseja ter credibilidade? Primeiro seja você mesmo. Enquanto se adapta, finesse, ao seu interlocutor. Ter boas maneiras na comunicação ultrapassa a palavras bonitas, mas envolve o cuidado com o outro, sobretudo com o que se diz para poder viver bem em sociedade. Algumas coisas que as vezes pode fazer você pensar que está sendo educado ou divertido, talvez brincalhão fora de hora, na verdade são falsos bons modos.

Seja educado e respeitoso, ter decência significa que existem regras de educação a serem observadas em determinadas situações. É a prova de que você é uma pessoa bem comportada. Respeitar as pessoas é uma atitude que toca o nosso interior para que sejamos vistos como pessoas. Se você sabe demonstrar respeito, também acredita na dignidade e valor de cada ser humano, independentemente de seu comportamento.

Todos nós temos uma vida real, o que resulta em encontros, assim, pesquisando Martin Buber que se dedicou em parceria com Franz Rosenweig (1885-1929) à tradução da Bíblia hebraica para o alemão, ele disse que “no começo está o relacionamento”.

Isso quer dizer que o princípio do ser humano é em essência um homo dialogus, que somos incapazes de  nos realizar sem comungar com a humanidade, com a criação e com o Criador, pois o amor à humanidade conduz ao amor a Deus e vice-versa. A Presença divina participa de cada encontro autêntico entre os homens e habita aqueles que estabelecem um verdadeiro diálogo, como bem contextualizado por ele:

“O celeste e o terrestre estão ligados um ao outro. A palavra de quem deseja falar com os homens sem falar com Deus não se cumpre; mas a palavra de quem deseja falar com Deus sem falar com os homens se perde”.

O diálogo é baseado na reciprocidade e na responsabilidade. A responsabilidade existe apenas onde há uma resposta real à voz humana. No Talmud da tradição judaica encontramos regras de boa educação para que haja reciprocidade: dar um sorriso para a abertura de uma boa comunicação, cumprimentar as pessoas, não falar gritando e dirigir-se ao próximo com gentileza.

Saber se expressar corretamente é saber, principalmente, manter a simplicidade. Sem palavras ofensivas, sujas ou gírias. Se você quer se expressar, tenha um domínio perfeito da gramática e da fala. O segredo para conseguir isso? Leia livros clássicos que irão lhe revelar tudo o que você precisa saber sobre comportamento, e, principalmente, a Bíblia. Já quanto aos de autoajuda abandone rapidamente, pois só trazem fórmulas prontas que no final irão trazer tédio para uma vida vazia, assim você poderá se cultivar sendo curioso e atento a uma boa leitura, tornando-se uma pessoa sábia.

A empatia está no cerne da boa comunicação, se você é atento ao que o outro fala, de forma profunda e desinteressada, sem tentar causar influencia na conversa, significa estar totalmente presente, e, realmente, é alguém que sabe ouvir as reais necessidades do outro. Sincronizar as suas atitudes com as atitudes da pessoa com quem você está estabelecendo uma conversa ajuda a criar uma relação de confiança. Estar desapegado e não colocar o seu ego na comunicação é também se colocar em contato com o outro, seja o que for aquilo que tem a nos  dizer, por mais que não haja uma identificação.

Colocar-se em confronto traz discussões que podem nos abrir a luz, é um convite para que mediante nossas contradições ou incompatibilidades, fiquemos mais conscientes, a fim de resolver nossas dificuldades interiores. Mas, claro! Nessas horas percebemos se há ou não uma relação de confiança entre os envolvidos, para que reflitamos em cima daquilo que as vezes pode soar contraditório ou tem algum sentido.

Para refletir uma frase do livro Terra dos Homens: “Ser Homem é sentir-se responsável  do  mau que nem parecia vir de Você.” Antoine de Saint Exupery

The meaning of communication

By Thais Rocholi

The etymology of the word communication comes from the Latin “comunicare”, which means to put in common. Communication is an innate process, since from our birth we communicate first through our gestures, our movements (non-verbal communication) and then gradually, through speech and words (verbal communication).

And the distortion between attitude and speech is quite obvious. Do you want credibility? First be yourself. While adapting, finesse, to your interlocutor. Having good manners in communication goes beyond beautiful words, but involves caring for others, especially with what is said to be able to live well in society. Some things that can sometimes make you think that you are being polite or amusing, maybe playful out of time, are actually false good manners.

Be polite and respectful, having decency means that there are rules of education to be observed in certain situations. It is proof that you are a well behaved person. Respecting people is an attitude that touches our interior so that we are seen as people. If you know how to show respect, you also believe in the dignity and worth of each human being, regardless of their behavior.

We all have a real life, which results in encounters, thus, researching Martin Buber who dedicated himself in partnership with Franz Rosenweig (1885-1929) to the translation of the Hebrew Bible into German, he said that “in the beginning is the relationship” .

This means that the principle of the human being is in essence a homo dialogus, which we are unable to achieve without communing with humanity, with creation and with the Creator, because love for humanity leads to love for God and vice versa . The divine Presence participates in every authentic encounter between men and inhabits those who establish a true dialogue, as well contextualized by him:

“The celestial and the terrestrial are linked to each other. The word of one who wishes to speak to men without speaking to God is not fulfilled; but the word of those who wish to speak to God without speaking to men is lost ”.

The dialogue is based on reciprocity and responsibility. Responsibility exists only where there is a real response to the human voice. In the Talmud of the Jewish tradition, we find rules of good education so that there is reciprocity: giving a smile for the opening of good communication, greeting people, not speaking shouting and addressing others kindly.

Knowing how to express yourself correctly is knowing, above all, maintaining simplicity. No offensive, dirty or slang words. If you want to express yourself, have a perfect command of grammar and speech. The secret to achieving this? Read classic books that will reveal everything you need to know about behavior, and especially the Bible. As for self-help, leave quickly, as they only bring ready-made formulas that in the end will bring boredom to an empty life, so you can cultivate yourself being curious and attentive to a good reading, becoming a wise person.

Empathy is at the heart of good communication, if you are attentive to what the other person says, in a deep and disinterested way, without trying to influence the conversation, it means being fully present, and really, someone who knows how to listen to the real needs of the other. Synchronizing your attitudes with the attitudes of the person with whom you are having a conversation helps to create a relationship of trust. Being detached and not putting your ego in communication is also putting yourself in contact with the other, whatever it is that you have to say to us, even if there is no identification.

Empathy is at the heart of good communication, if you are attentive to what the other person says, in a deep and disinterested way, without trying to influence the conversation, it means being fully present, and really, someone who knows how to listen to the real needs of the other. Synchronizing your attitudes with the attitudes of the person with whom you are having a conversation helps to create a relationship of trust. Being detached and not putting your ego in communication is also putting yourself in contact with the other, whatever it is that you have to say to us, even if there is no identification.

Putting oneself in confrontation brings discussions that can open the light for us, it is an invitation so that through our contradictions or incompatibilities, we become more aware, in order to solve our inner difficulties. Of course! At these times, we realize whether or not there is a relationship of trust between those involved, so that we reflect on what can sometimes sound contradictory or make sense.

To reflect a phrase from the book Terre d’Hommes: “To be a Man is to feel responsible for the evil that didn’t even seem to come from You.” Antoine de Saint Exupery

Criaturas de hábitos

Nós somos criaturas de hábitos. A maior parte do nosso comportamento acontece tendenciosamente, mediante o controle de hábitos. Isso se dá através de rituais e rotinas que adotamos para nossas vidas. Quando fazemos as coisas sem pensar ou refletir em nossas ações, há um certo conforto e não gastamos muita energia, pois pensar e reaprender demanda tempo e esforço. Logo, a vida quando conduzida nos impulsos de nossas ações também pode prejudicar o cotidiano, principalmente quando os hábitos são prejudiciais e queremos substituir por outros que agreguem em nossas vidas.

As boas intenções dizem respeito, sobretudo, aos hábitos que são cultivados há muito tempo e que só podem ser mudados quando colocamos nossos esforços para melhorá-los. O oposto acontece quando não se tem nenhuma boa intenção para uma mudança, você simplesmente o repete. Mas, posso lhe confessar que mudar hábitos de longo prazo não é tarefa fácil. Quem vai querer deixar de lado os rituais que ama praticar? É muito importante fazer um planejamento de nosso tempo com bom-senso e alguns cuidados, pois quando usamos o nosso tempo de um jeito mais coerente, o nosso dia a dia fica com mais qualidade.

Com a frase de Benjamim Franklin no século XVIII, que ganhou o discurso de todo mundo: Time is money (Tempo é dinheiro), o que mais impressiona é que passamos a cuidar melhor do nosso dinheiro do que do nosso tempo. Podemos perder dinheiro e depois recuperar, mas tempo, quando é passado, não volta. Tempo é vida! Tempo é presente! Tempo é a dádiva de Deus!

Com planejamento, é possível organizar nossas horas de maneira que possamos aproveitá-las ao máximo. Na verdade, o ritmo de vida aumentou radicalmente de uns tempos para cá, infelizmente, parece que muitos não se importam em compensar aquilo que nos foi subtraído. Certo dia um amigo fez uma crítica por eu ter tempo para fazer coisas fora da internet, ao contrário da maioria dos jovens e crianças que gostam de ficar nas mídias sociais todos os dias ou jogar à luz do computador. Agradeço por ter a preferência de ficar ao ar livre aos sábados e domingos.

Penso que hora extra precisa ser canalizada para uma vida espiritual de oração para reequilibrar. Se tem algo que atrapalha o aproveitamento do tempo é o meio em que vivemos, como vivemos numa sociedade de alto consumo, o que acontece é que somos tentados a gastar e para cobrir estes gastos mergulhamos no trabalho, o preço que pagamos é que não sobra tempo para fazer as coisas que realmente precisamos. Ao mesmo tempo que isso acontece, surgem as metas que costumam ser muito altas. Sem exagero ou com exagero, é o começo do fim.

Se você é muito ambicioso ou impaciente, isso pode levar você a ter exigências excessivas seguidas de frustração. Para hábitos que realmente nos incomodam, é preciso de vez em quando procurar reservar tempo suficiente para conseguir descobrir as possíveis causas e gatilhos. Sempre resolva mudar um hábito. Não dê oportunidade para hábitos ruins em sua vida. Com perseverança e espírito de exigência, você irá combater hábitos teimosos com força e energia. Pequenas mudanças de hábitos ruins podem acontecer de forma lenta, embora o que se espera é que de forma segura se transforme em bons hábitos que, com o passar dos tempos, o resultado é olhar para trás e perceber que aquilo que era para ser resolvido se cumpriu.

Para refletir: Seja realista com você mesmo. Como tem sido seu dia a dia? Você está convicto para fazer mudanças em sua vida? Em momentos de estresse é improvável que você também consiga quebrar os hábitos cotidianos. Você sabia?